terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Cultura e diversidade cultural

CNDL - Colégio Notre Dame de Lourdes
Segundo Ano - Primeiro Bimestre
Coleção Pitágoras
Sociologia - Unidade 1
Cultura e diversidade cultural
Natureza e cultura: diferenças e concepções


DESAFIANDO

A partir de agora, você vai se defrontar com dois instrumentos de comunicação que foram e ainda são extremamente utilizados na nossa sociedade: uma carta e um e-mail. Observe a seguir suas características e diferenças.

1. Relacione as diferenças entre os dois instrumentos de comunicação mostrados na página anterior.


2. Essas diferenças provocaram consequências nos hábitos das pessoas? Justifique sua resposta.

3. Que transformações culturais você observa no mundo atual com a crescente utilização de e-mails e, consquentemente, com o uso reduzido do instrumento carta?


Observe, agora, o Long Play - LP -, o Compact Disc - CD - e o MP4.



4. O LP, o CD e o MP4 são objetos tecnológicos com utilidades semelhantes, que provocaram modificações nas relações entre pessoas. Enumere algumas influências que esses objetos causaram no cotidiano das pessoas, nos dias de hoje.


5. Agora discuta, com seu colega, que relação pode-se fazer entre as questões anteriores respondidas por você e a cultura de uma sociedade. Registre suas ideias.



Observe as fotografias a seguir. Elas retratam ícones femininos de épocas diferentes.



6. Que diferenças podem ser observadas nos padrões de beleza das diversas épocas?




CONFRONTANDO

Para construirmos conhecimento, necessitamos confrontar nossas ideias e convicções. Após observar as diferenças das épocas e tecnologias, você vai pensar no que é natural e no que é cultural. Leia o texto que se segue sobre natureza e cultura e confronte as ideias apresentadas com as observações e análises elaboradas por você nas situações que foram propostas anteriormente.

A importância da determinação daquilo que é natural e daquilo que é cultural é justamente o debate do que pode ser determinado ou não pela ordem biológica. “Onde acaba a natureza? Onde começa a cultura?” (LÉVI-STRAUSS, 1976, p. 42). Para o autor, essas questões são fundamentais e negá-las seria negar a possibilidade de se estudar a própria cultura humana, uma vez que não seria possível saber o que é cultural e o que é determinado biologicamente.
Para Lévi-Strauss, a natureza compreende (possibilita e em certo sentido determina) a cultura; esta é parte, e também, uma certa modalidade de expressão de natureza, por já possuir cultura. Ele busca, no que é universal, o critério de natureza, e em tudo o que está ligado a uma norma específica, a uma regra, o pertencimento à cultura. Acrescenta-se ainda que as evoluções orgânica e cultural são análogos e complementares: suscita que não há aptidões inatas.
Um outro pensador, Vygotski (1996, p. 368), diz que cada pessoa é, em menor ou maior grau, o modelo da sociedade, ou melhor, da classe a que pertence, já que nela se reflete a totalidade das relações sociais.
Nos dia de hoje, torna-se difícil afirmar o que é natural, pois estamos impregnados de cultura. Cultura que é a forma comum e aprendida da vida, que compartilham os membros de uma sociedade, e que consta da totalidade dos instrumentos, das técnicas, instituições, atitudes, crenças, motivações e dos sistemas de valores que o grupo conhece (FOSTER).

7. A partir do texto, explique, através de exemplos do seu cotidiano, o que é natural e o que é cultural.




Leia o texto a seguir e responda às perguntas sugeridas posteriormente.


DIVERSIDADE CULTURAL

A sociedade brasileira reflete, por sua própria formação histórica, o pluralismo. Somos nacionalmente, hoje, uma síntese intercultural, não apenas um mosaico de culturas. Nossa singularidade consiste em aceitar – um pouco mais do que outros -- a diversidade e transformá-la em algo mais universal. Este é o verdadeiro perfil brasileiro… Sabemos, portanto, por experiência própria, que o diálogo entre culturas supera – no final – o relativismo cultural crasso e enriquece valores universais.

Passado o período colonial, ficamos mais permeáveis à troca de idéias e ao influxo de conteúdos culturais que vêm do exterior, fora da esfera luso-africana. Também aplaudimos, por razões políticas óbvias, o livre fluxo de idéias: é um passaporte para a democracia e o reconhecemos como uma garantia do respeito aos direitos humanos.

O mundo, infelizmente, não apresenta historicamente um jogo simples, equilibrado ou mesmo limpo na matéria: as disproporções em termos da escala ou da resistência das culturas, assim como da difusão das mensagens e dos produtos culturais, são com efeito muito grandes... A globalização, neste aspecto, apresenta uma preocupante tendência à homogeinização cultural, quando não à hegemonia pura e simples em certos setores culturais.

Mas “diversificar é preciso”: a diversidade cultural é, em um certo sentido, o próprio reflexo da necessidade abrangente da múltipla diversidade de vidas na Natureza, a fim de que essa possa como um todo renovar-se e sobreviver. A cultura é a “natureza” do homem. A diversidade cultural pode ser vista, por conseguinte, como a nossa “biodiversidade” -- aquela que deveríamos preservar, se não quisermos estiolar em um mundo globalizado que seria desprovido dos conteúdos, valores, símbolos e identidades que nos dizem intimamente respeito.

Hoje vivemos em um mundo que estimula a autonomia do econômico – o que implica privilegiar considerações comerciais em vez de outros aspectos sociais (como a emergência internacional da AIDS), enquanto, por sinal, promessas não cumpridas em favor do livre-comércio se empilham, já que nunca se contempla a produção dos países em desenvolvimento...

O fato é que, obviamente, as produções de natureza cultural não são meros serviços remuneráveis, oferecidos à sociedade por pessoas talentosas ou de sucesso. A cultura não apenas agrada, esclarece ou diverte com produtos que podem ser internacionalmente comercializados, como também provém e faz parte da própria trama das sociedades – inclusive ajudando-as a sustentar-se através de atributos que pertencem ao âmago de cada um, isto tanto nas sociedades modernas quanto nas tradicionais. Os produtos culturais no sentido mais lato são a verdadeira teia que mantém as sociedades coerentes e vivas: deixar perecer, sutil ou grosseiramente, a produção cultural endógena de um povo, substituindo-a por outra totalmente estranha, por melhor e mais cintilante que possa ser, é empobrecer este povo em sua própria identidade.

O comércio cultural não pode ser apenas o resultado de cálculos para obter vantagens comparativas que predominariam, seguindo um frio racionalismo econômico. Produtos e serviços culturais não podem ser tratados unicamente como mercadorias. Será que o