sexta-feira, 6 de maio de 2011

Resumo sobre a sociologia de Max Weber


Confira um resumo sobre a sociologia de Max Weber







Max Weber – Vida e Obra





Pondo-se de lado alguns trabalhos precursores, como os de Maquiavel (1469-1527) e Montesquieu (1689-1755), o estudo científico dos fatos humanos somente começou a se constituir em meados do século XIX. Nessa época, assistia-se ao triunfo dos métodos das ciências naturais, concretizadas nas radicais transformações da vida material do homem; operadas pela Revolução Industrial. Diante dessa comprovação inequívoca da fecundidade do caminho metodológico apontado por Galileu (1564-1642) e outros, alguns pensadores que procuravam conhecer cientificamente os fatos humanos passaram a abordá-los segundo as coordenadas das ciências naturais. Outros, ao contrário, afirmando a peculiaridade do fato humano e a conseqüente necessidade de uma metodologia própria. Essa metodologia deveria levar em consideração o fato de que o conhecimento dos fenômenos naturais e um conhecimento de algo externo ao próprio homem, enquanto nas ciências sociais o que se procura conhecer é a própria experiência humana. De acordo com a distinção entre experiência externa e experiência interna, poder-se-ia distinguir uma série de contrastes metodológicos entre os dois grupos de ciências. As ciências exatas partiriam da observação sensível e seriam experimentais, procurando obter dados mensuráveis e regularidades estatísticas que conduzissem à formulação de leis de caráter matemático.



As ciências humanas, ao contrário, dizendo respeito à própria experiência humana, seriam introspectivas, utilizando a intuição direta dos fatos, e procurariam atingir não generalidades de caráter matemático, mas descrições qualitativas de tipos e formas fundamentais da vida do espírito.



Os positivistas (como eram chamados os teóricos da identidade fundamental entre as ciências exatas e as ciências humanas) tinham suas origens sobretudo na tradição empirista inglesa que remonta a Francis Bacon (1561-1626) e encontrou expressão em David Hume (1711-1776), nos utilitaristas do século XIX e outros. Nessa linha metodológica de abordagem dos fatos humanos se colocariam Augusto Comte (1798-1857) e Émile Durkheim (1858-1917), este considerado por muitos como o fundador da sociologia como disciplina científica. Os antipositivistas, adeptos da distinção entre ciências humanas e ciências naturais, foram sobretudo os alemães, vinculados ao idealismo dos filósofos da época do Romantismo, principalmente Hegel (1770-1831) e Schleiermacher (1768-1834). Os principais representantes dessa orientação foram os neokantianos Wilhelm Dilthey (1833-1911), Wilhelm Windelband (1848-1915) e Heinrich Rickert (1863-1936). Dilthey estabeleceu uma distinção que fez fortuna: entre explicação (erklären) e compreensão (verstehen). O modo explicativo seria característico das ciências naturais, que procuram o relacionamento causal entre os fenômenos. A compreensão seria o modo típico de proceder das ciências humanas, que não estudam fatos que possam ser explicados propriamente, mas visam aos processos permanentemente vivos da experiência humana e procuram extrair deles seu sentido (Sinn). Os sentidos (ou significados) são dados, segundo Dilthey, na própria experiência do investigador, e poderiam ser empaticamente apreendidos na experiência dos outros.



Dilthey (como Windelband e Rickert), contudo, foi sobretudo filósofo e historiador e não, propriamente, cientista social, no sentido que a expressão ganharia no século XX. Outros levaram o método da compreensão ao estudo de fatos humanos particulares, constituindo diversas disciplinas compreensivas. Na sociologia, a tarefa ficaria reservada a Max Weber.





Uma educação humanista apurada





Max Weber nasceu e teve sua formação intelectual no período em que as primeiras disputas sobre a metodologia das ciências sociais começavam a surgir na Europa, sobretudo em seu país, a Alemanha. Filho de uma família da alta classe média, Weber encontrou em sua casa uma atmosfera intelectualmente estimulante. Seu pai era um conhecido advogado e desde cedo orientou-o no sentido das humanidades. Weber recebeu excelente educação secundária em línguas, história e literatura clássica. Em 1882, começou os estudos superiores em Heidelberg; continuando-os em Göttingen e Berlim, em cujas universidades dedicou-se simultaneamente à economia, à história, à filosofia e ao direito. Concluído o curso, trabalhou na Universidade de Berlim, na qual idade de livre-docente, ao mesmo tempo em que servia como assessor do governo. Em 1893, casou-se e; no ano seguinte, tornou-se professor de economia na Universidade de Freiburg, da qual se transferiu para a de Heidelberg, em 1896. Dois anos depois, sofreu sérias perturbações nervosas que o levaram a deixar os trabalhos docentes, só voltando à atividade em 1903, na qualidade de co-editor do Arquivo de Ciências Sociais (Archiv tür Sozialwissenschatt), publicação extremamente importante no desenvolvimento dos estudos sociológicas na Alemanha. A partir dessa época, Weber somente deu aulas particulares, salvo em algumas ocasiões, em que proferiu conferências nas universidades de Viena e Munique, nos anos que precederam sua morte, em 1920.





Compreensão e explicação





Dentro das coordenadas metodológicas que se opunham à assimilação das ciências sociais aos quadros teóricos das ciências naturais, Weber concebe o objeto da sociologia como, fundamentalmente, "a captação da relação de sentido" da ação humana. Em outras palavras, conhecer um fenômeno social seria extrair o conteúdo simbólico da ação ou ações que o configuram. Por ação, Weber entende "aquela cujo sentido pensado pelo sujeito jeito ou sujeitos jeitos é referido ao comportamento dos outros; orientando-se por ele o seu comportamento". Tal colocação do problema de como se abordar o fato significa que não é possível propriamente explicá-lo como resultado de um relacionamento de causas e efeitos (procedimento das ciências naturais), mas compreendê-lo como fato carregado de sentido, isto é, como algo que aponta para outros fatos e somente em função dos quais poderia ser conhecido em toda a sua amplitude.



O método compreensivo, defendido por Weber, consiste em entender o sentido que as ações de um indivíduo contêm e não apenas o aspecto exterior dessas mesmas ações. Se, por exemplo, uma pessoa dá a outra um pedaço de papel, esse fato, em si mesmo, é irrelevante para o cientista social. Somente quando se sabe que a primeira pessoa deu o papel para a outra como forma de saldar uma dívida (o pedaço de papel é um cheque) é que se está diante de um fato propriamente humano, ou seja, de uma ação carregada de sentido. O fato em questão não se esgota em si mesmo e aponta para todo um complexo de significações sociais, na medida em que as duas pessoas envolvidas atribuem ao pedaço de papel a função do servir como meio de troca ou pagamento; além disso, essa função é reconhecida por uma comunidade maior de pessoas.



Segundo Weber, a captação desses sentidos contidos nas ações humanas não poderia ser realizada por meio, exclusivamente, dos procedimentos metodológicos das ciências naturais, embora a rigorosa observação dos fatos (como nas ciências naturais) seja essencial para o cientista social. Contudo, Weber não pretende cavar um abismo entre os dois grupos de ciências. Segundo ele, a consideração de que os fenômenos obedecem a uma regularidade causal envolve referência a um mesmo esquema lógico de prova, tanto nas ciências naturais quanto nas humanas. Entretanto, se a lógica da explicação causal é idêntica, o mesmo não se poderia dizer dos tipos de leis gerais a serem formulados para cada um dos dois grupos de disciplinas. As leis sociais, para Weber, estabelecem relações causais em termos de regras de probabilidades, segundo as quais a determinados processos devem seguir-se, ou ocorrer simultaneamente., outros. Essas leis referem-se a construções de “comportamento com sentido” e servem para explicar processos particulares. Para que isso seja possível; Weber defende a utilização dos chamados “tipos ideais”, que representam o primeiro nível de generalização de conceitos abstratos e, correspondendo às exigências lógicas da prova, estão intimamente ligados à realidade concreta particular.





O legal e o típico





O conceito de tipo ideal corresponde, no pensamento weberiano, a um processo de conceituação que abstrai de fenômenos concretos o que existe de particular, constituindo assim um conceito individualizante ou, nas palavras do próprio Weber, um “conceito histórico concreto”. A ênfase na caracterização sistemática dos padrões individuais concretos (característica das ciências humanas) opõe a conceituação típico-ideal à conceituação generalizadora, tal como esta é conhecida nas ciências naturais.



A conceituação generalizadora, como revela a própria expressão, retira do fenômeno concreto aquilo que ele tem de geral, isto é, as uniformidades e regularidades observadas em diferentes fenômenos constitutivos de uma mesma classe. A relação entre o conceito genérico e o fenômeno concreto é de natureza tal que permite classificar cada fenômeno particular de acordo com os traços gerais apresentados pelo mesmo, considerando como acidental tudo o que não se enquadre dentro da generalidade. Além disso, a conceituação generalizadora considera o fenômeno particular como um caso cujas características gerais podem ser deduzidas de uma lei.



A conceituação típico-ideal chega a resultados diferentes da conceituação generalizadora. O tipo ideal, segundo Weber, expõe como se desenvolveria uma forma particular de ação social se o fizesse racionalmente em direção a um fim e se fosse orientada de forma a atingir um e somente um fim. Assim, o tipo ideal não descreveria um curso concreto de ação, mas um desenvolvimento normativamente ideal, isto é, um curso de ação “objetivamente possível”. O tipo ideal é um conceito vazio de conteúdo real: ele depura as propriedades dos fenômenos reais desencarnando-os pela análise, para depois reconstruí-los. Quando se trata de tipos complexos (formados por várias propriedades), essa reconstrução assume a forma de síntese, que não recupera os fenômenos em sua real concreção, mas que os idealiza em uma articulação significativa de abstrações. Desse modo, se constitui uma “pauta de contrastação”, que permite situar os fenômenos reais em sua relatividade. Por conseguinte, o tipo ideal não constitui nem uma hipótese nem uma proposição e, assim, não pode ser falso nem verdadeiro, mas válido ou não-válido, de acordo com sua utilidade para a compreensão significativa dos acontecimentos estudados pelo investigador.



No que se refere à aplicação do tipo ideal no tratamento da realidade, ela se dá de dois modos. O primeiro é um processo de contrastação conceituai que permite simplesmente apreender os fatos segundo sua maior ou menor aproximação ao tipo ideal. O segundo consiste na formulação de hipóteses explicativas. Por exemplo: para a explicação de um pânico na bolsa de valores, seria possível, em primeiro lugar, supor como se desenvolveria o fenômeno na ausência de quaisquer sentimentos irracionais; somente depois se poderia introduzir tais sentimentos como fatores de perturbação. Da mesma forma se poderia proceder para a explicação de uma ação militar ou política. Primeiro se fixaria, hipoteticamente, como se teria desenvolvido a ação se todas as intenções dos participantes fossem conhecidas e se a escolha dos meios por parte dos mesmos tivesse sido orientada de maneira rigorosamente racional em relação a certo fim. Somente assim se poderia atribuir os desvios aos fatores irracionais.



Nos exemplos acima é patente a dicotomia estabelecida por Weber entre o racional e o irracional, ambos conceitos fundamentais de sua metodologia. Para Weber, uma ação é racional quando cumpre duas condições. Em primeiro lugar, uma ação é racional na medida em que é orientada para um objetivo claramente formulado, ou para um conjunto de valores, também claramente formulados e logicamente consistentes. Em segundo lugar, uma ação é racional quando os meios escolhidos para se atingir o objetivo são os mais adequados.



Uma vez de posse desses instrumentos analíticos, formulados para a explicação da realidade social concreta ou, mais exatamente, de uma porção dessa realidade, Weber elabora um sistema compreensivo de conceitos, estabelecendo uma terminologia precisa como tarefa preliminar para a análise das inter-relações entre os fenômenos sociais. De acordo com o vocabulário weberiano, são quatro os tipos de ação que cumpre distinguir claramente: ação racional em relação a fins, ação racional em relação a valores, ação afetiva e ação tradicional. Esta última, baseada no hábito, está na fronteira do que pode ser considerado como ação e faz Weber chamar a atenção para o problema de fluidez dos limites, isto é, para a virtual impossibilidade de se encontrarem “ações puras”. Em outros termos, segundo Weber, muito raramente a ação social orienta-se exclusivamente conforme um ou outro dos quatro tipos. Do mesmo modo, essas formas de orientação não podem ser consideradas como exaustivas. Seriam tipos puramente conceituais, construídos para fins de análise sociológica, jamais encontrando-se na realidade em toda a sua pureza; na maior parte dos casos, os quatro tipos de ação encontram-se misturados. Somente os resultados que com eles se obtenham na análise da realidade social podem dar a medida de sua conveniência. Para qualquer um desses tipos tanto seria possível encontrar fenômenos sociais que poderiam ser incluídos neles, quanto se poderia também deparar com fatos limítrofes entre um e outro tipo. Entretanto, observa Weber, essa fluidez só pode ser claramente percebida quando os próprios conceitos tipológicos não são fluidos e estabelecem fronteiras rígidas entre um e outro. Um conceito bem definido estabelece nitidamente propriedades cuja presença nos fenômenos sociais permite diferenciar um fenômeno de outro; estes, contudo, raramente podem ser classificados de forma rígida.





O sistema de tipos ideais





Na primeira parte de Economia e Sociedade, Max Weber expõe seu sistema de tipos ideais, entre os quais os de lei, democracia, capitalismo, feudalismo, sociedade, burocracia, patrimonialismo, sultanismo. Todos esses tipos ideais são apresentados pelo autor como conceitos definidos conforme critérios pessoais, isto é, trata-se de conceituações do que ele entende pelo termo empregado, de forma a que o leitor perceba claramente do que ele está falando. O importante nessa tipologia reside no meticuloso cuidado com que Weber articula suas definições e na maneira sistemática com que esses conceitos são relacionados uns aos outros. A partir dos conceitos mais gerais do comportamento social e das relações sociais, Weber formula novos conceitos mais específicos, pormenorizando cada vez mais as características concretas.



Sua abordagem em termos de tipos ideais coloca-se em oposição, por um lado, à explicação estrutural dos fenômenos, e, por outro, à perspectiva que vê os fenômenos como entidades qualitativamente diferentes. Para Weber, as singularidades históricas resultam de combinações específicas de fatores gerais que, se isolados, são quantificáveis, de tal modo que os mesmos elementos podem ser vistos numa série de outras combinações singulares. Tudo aquilo que se afirma de uma ação concreta, seus graus de adequação de sentido, sua explicação compreensiva e causal, seriam hipóteses suscetíveis de verificação. Para Weber, a interpretação causal correta de uma ação concreta significa que “o desenvolvimento externo e o motivo da ação foram conhecidos de modo certo e, ao mesmo tempo, compreendidos com sentido em sua relação”. Por outro lado, a interpretação causal correta de uma ação típica significa que o acontecimento considerado típico se oferece com adequação de sentido e pode ser comprovado como causalmente adequado, pelo menos em algum grau.





O capitalismo é protestante?





As soluções encontradas por Weber para os intrincados problemas metodológicos que ocuparam a atenção dos cientistas sociais do começo do século XX permitiram-lhe lançar novas luzes sobre vários problemas sociais e históricos, e fazer contribuições extremamente importantes para as ciências sociais. Particularmente relevantes nesse sentido foram seus estudos sobre a sociologia da religião, mais exatamente suas interpretações sobre as relações entre as idéias e atitudes religiosas, por um lado, e as atividades e organização econômica correspondentes, por outro.



Esses estudos de Weber, embora incompletos, foram publicados nos três volumes de sua Sociologia da Religião. A linha mestra dessa obra é constituída pelo exame dos aspectos mais importantes da ordem social e econômica do mundo ocidental, nas várias etapas de seu desenvolvimento histórico. Esse problema já se tinha colocado para outros pensadores anteriores a Weber, dentre os quais Karl Marx (1818-1883), cuja obra, além de seu caráter teórico, constituía elemento fundamental para a lufa econômica e política dos partidos operários; por ele mesmo criados. Por essas razões, a pergunta que os sociólogos alemães se faziam era se o materialismo histórico formulado por Marx era ou não o verdadeiro, ao transformar o fator econômico no elemento determinante de todas as estruturas sociais e culturais, inclusive a religião. Inúmeros trabalhos foram escritos para resolver o problema, substituindo-se o fator econômico como dominante por outros fatores, tais como raça, clima, topografia, idéias filosóficas, poder político. Alguns autores, como Wilhelm Dilthey, Ernst Troeltsch (1865-1923) e Werner Sombart (1863-1941), já se tinham orientado no sentido de ressaltar a influência das idéias e das convicções éticas como fatores determinantes, e chegaram à conclusão de que o moderno capitalismo não poderia ter surgido sem uma mudança espiritual básica, como aquela que ocorreu nos fins da Idade Média. Contudo, somente com os trabalhos de Weber foi possível elaborar uma verdadeira teoria geral capaz de confrontar-se com a de Marx.



A primeira idéia que ocorreu a Weber na elaboração dessa teoria foi a de que, para conhecer corretamente a causa ou causas do surgimento do capitalismo, era necessário fazer um estudo comparativo entre as várias sociedades do mundo ocidental (único lugar em que o capitalismo, como um tipo ideal, tinha surgido) e as outras civilizações, principalmente as do Oriente, onde nada de semelhante ao capitalismo ocidental tinha aparecido. Depois de exaustivas análises nesse sentido, Weber foi conduzido à tese de que a explicação para o fato deveria ser encontrada na íntima vinculação do capitalismo com o protestantismo: “Qualquer observação da estatística ocupacional de um país de composição religiosa mista traz à luz, com notável freqüência, um fenômeno que já tem provocado repetidas discussões na imprensa e literatura católicas e em congressos católicos na Alemanha: o fato de os líderes do mundo dos negócios e proprietários do capital, assim como os níveis mais altos de mão-de-obra qualificada, principalmente o pessoal técnica e comercialmente especializado das modernas empresas, serem preponderantemente protestantes”.





A partir dessa afirmação, Weber coloca uma série de hipóteses referentes a fatores que poderiam explicar o fato. Analisando detidamente esses fatores, Weber elimina-os, um a um, mediante exemplos históricos, e chega à conclusão final de que os protestantes, tanto como classe dirigente, quanto como classe dirigida, seja como maioria, seja como minoria, sempre teriam demonstrado tendência específica para o racionalismo econômico. A razão desse fato deveria, portanto, ser buscada no caráter intrínseco e permanente de suas crenças religiosas e não apenas em suas temporárias situações externas na história e na política.



Uma vez indicado o papel que as crenças religiosas teriam exercido na gênese do espírito capitalista, Weber propõe-se a investigar quais os elementos dessas crenças que atuaram no sentido indicado e procura definir o que entende por "espírito do capitalismo". Este é entendido por Weber como constituído fundamentalmente por uma ética peculiar, que pode ser exemplificada muito nitidamente por trechos de discursos de Benjamin Franklin (1706 - 1790), um dos líderes da independência dos Estados Unidos. Benjamin Franklin, representante típico da mentalidade dos colonos americanos e do espírito pequeno-burguês, afirma em seus discursos que “ganhar dinheiro dentro da ordem econômica moderna é, enquanto isso for feito legalmente, o resultado e a expressão da virtude e da eficiência de uma vocação”. Segundo a interpretação dada por Weber a esse texto, Benjamin Franklin expressa um utilitarismo, mas um utilitarismo com forte conteúdo ético, na medida em que o aumento de capital é considerado um fim em si mesmo e, sobretudo, um dever do indivíduo. O aspecto mais interessante desse utilitarismo residiria no fato de que a ética de obtenção de mais e mais dinheiro é combinada com o estrito afastamento de todo gozo espontâneo da vida.



A questão seguinte colocada por Weber diz respeito aos fatores que teriam levado a transformar-se em vocação uma atividade que, anteriormente ao advento do capitalismo, era, na melhor das hipóteses, apenas tolerada. O conceito de vocação como valorização do cumprimento do dever dentro das profissões seculares Weber encontra expresso nos escritos de Martinho Lutero (1483-1546), a partir do qual esse conceito se tornou o dogma central de todos os ramos do protestantismo. Em Lutero, contudo, o conceito de vocação teria permanecido em sua forma tradicional, isto é, algo aceito como ordem divina à qual cada indivíduo deveria adaptar-se. Nesse caso, o resultado ético, segundo Weber, é inteiramente negativo, levando à submissão. O luteranismo, portanto, não poderia ter sido a razão explicativa do espírito do capitalismo.



Weber volta-se então para outras formas de protestantismo diversas do luteranismo, em especial para o calvinismo e outras seitas, cujo elemento básico era o profundo isolamento espiritual do indivíduo em relação a seu Deus, ó que, na prática, significava a racionalização do mundo e a eliminação do pensamento mágico como meio de salvação. Segundo o calvinismo, somente uma vida guiada pela reflexão contínua poderia obter vitória sobre o estado natural, e foi essa racionalização que deu à fé reformada uma tendência ascética.



Com o objetivo de relacionar as idéias religiosas fundamentais do protestantismo com as máximas da vida econômica capitalista, Weber analisa alguns pontos fundamentais da ética calvinista, como a afirmação de que “o trabalho constitui, antes de mais nada, a própria finalidade da vida”. Outra idéia no mesmo sentido estaria contida na máxima dos puritanos, segundo a qual “a vida profissional do homem é que lhe dá uma prova de seu estado de graça para sua consciência, que se expressa no zelo e no método, fazendo com que ele consiga cumprir sua vocação”. Por meio desses exemplos, Weber mostra que o ascetismo secular do protestantismo “libertava psicologicamente a aquisição de bens da ética tradicional, rompendo os grilhões da ânsia de lucro, com o que não apenas a legalizou, como também a considerou como diretamente desejada por Deus”. E m síntese, a tese de Weber afirma que a consideração dó trabalho (entendido como vocação constante e sistemática) como o mais alto instrumento de ascese e o mais seguro meio de preservação da redenção da fé e do homem deve ter sido a mais poderosa alavanca da expressão dessa concepção de vida constituída pelo espírito do capitalismo.



É necessário, contudo, salientar que Weber, em nenhum momento considera o espírito do capitalismo como pura conseqüência da Reforma protestante. O sentido que norteia sua análise é antes uma proposta de investigarem que medida as influências religiosas participaram da moldagem qualitativa do espírito do capitalismo. Percorrendo o caminho inverso, Weber propõe-se também a compreender melhor o sentido do protestantismo, mediante o estudo dos aspectos fundamentais do sistema econômica capitalista. Tendo em vista a grande confusão existente no campo das influências entre as bases materiais, as formas de organização social e política e os conteúdos espirituais da Reforma, Weber salientou que essas influências só poderiam ser. confirmadas por meio de exaustivas investigações dos pontos em que realmente teriam ocorrido correlações entre o movimento religioso e a ética vocacional, Com isso “se poderá avaliar” - diz o próprio Weber – “em que medida os fenômenos culturais contemporâneos se originam historicamente em motivos religiosos e em que medida podem ser relacionados com eles”.





Autoridade e legitimidade





A aplicação da metodologia compreensiva à análise dos fenômenos históricos e sociais, por parte dê Weber, não sê limitou às relações entre o protestantismo ê o sistema capitalista. Inúmeros foram seus trabalhos dê investigação empírica sobre assuntos econômicos ê políticos. Entre os primeiros, salientam-se A Situação dos Trabalhadores Agrícolas no Elba ê A Psicofisiologia do Trabalho Industrial. Entre os segundos, devem ser ressaltadas suas análises críticas da seleção burocrática dos líderes políticos na Alemanha dos Kaiser Guilherme I e II ê da despolitização levada a cabo com a hegemonia dos burocratas. Para a teoria política em geral, contudo, foram mais importantes os conceitos ê categorias interpretativas que formulou e que se tornaram clássicos nas ciências sociais.



Weber distingue no conceito de política duas acepções, uma geral e outra restrita. No sentido mais amplo, política é entendida por ele como “qualquer tipo dê liderança independente em ação”. No sentido restrito, política seria liderança dê um tipo dê associação específica; em outras palavras, tratar-se-ia da liderança do Estado. Este, por sua vez, é defendido por Weber como “uma comunidade humana que pretende o monopólio do uso legítimo da força física dentro de determinado território". Definidos esses conceitos básicos, Weber é conduzido a desdobrar a natureza dos elementos essenciais quê constituem o Estado ê assim chega ao conceito dê autoridade ê dê legitimidade. Para quê um Estado exista, diz Weber, é necessário quê um conjunto dê pessoas (toda a sua população) obedeça à autoridade alegada pêlos detentores do poder no referido Estado. Por outro lado, para quê os dominados obedeçam é necessário quê os detentores do poder possuam uma autoridade reconhecida como legítima.



A autoridade pode ser distinguida segundo três tipos básicos: a racional-legal, a tradicional e a carismática. Esses três tipos dê autoridade correspondem a três tipos dê legitimidade: a racional, a puramente afetiva e a utilitarista. O tipo racional-legal tem como fundamento a dominação em virtude da crença na validade do estatuto legal e da competência funcional, baseada, por sua vez, em regras racionalmente criadas. A autoridade desse tipo mantém-se, assim, segundo uma ordem impessoal e universalista, e os limites de seus poderes são determinados pelas esferas de competência, defendidas pela própria ordem. Quando a autoridade racional-legal envolve um corpo administrativo organizado, toma a forma dê estrutura burocrática, amplamente analisada por Weber.



A autoridade tradicional é imposta por procedimentos considerados legítimos porquê sempre teria existido, e é aceita em nome de uma tradição reconhecida como válida. O exercício da autoridade nos Estados desse tipo é definido por um sistema dê status, cujos poderes são determinados, em primeiro lugar, por prescrições concretas da ordem tradicional ê, em segundo lugar, pela autoridade dê outras pessoas que estão acima dê um status particular no sistema hierárquico estabelecido. Os poderes são também determinados pela existência dê uma esfera arbitrária de graça, aberta a critérios variados, como os de razão de Estado, justiça substantiva, considerações dê utilidade e outros. Ponto importante é a inexistência de separação nítida entre a esfera da autoridade e a competência privada do indivíduo, fora de sua autoridade. Seu status é total, na medida em que seus vários papéis estão muito mais integrados do que no caso de um ofício no Estado racional-legal.



Em relação ao tipo de autoridade tradicional, Weber apresenta uma subclassificação em termos do desenvolvimento e do papel do corpo administrativo: gerontocracia e patriarcalismo. Ambos são tipos em que nem um indivíduo, nem um grupo, segundo o caso, ocupam posição de autoridade independentemente do controle de um corpo administrativo, cujo status e cujas funções são tradicionalmente fixados. No tipo patrimonialista de autoridade, as prerrogativas pessoais do "chefe" são muito mais extensas e parte considerável da estrutura da autoridade tende a se emancipar do controle da tradição.



A dominação carismática é um tipo de apelo que se opõe às bases de legitimidade da ordem estabelecida e institucionalizada. O líder carismático, em certo sentido, é sempre revolucionário, na medida em que se coloca em oposição consciente a algum aspecto estabelecido da sociedade em que atua. Para que se estabeleça uma autoridade desse tipo, é necessário que o apelo do líder seja considerado como legítimo por seus seguidores, os quais estabelecem com ele uma lealdade de tipo pessoal. Fenômeno excepcional, a dominação carismática não pode estabilizar-se sem sofrer profundas mudanças estruturais, tornando-se, de acordo com os padrões de sucessão que adotar e com a evolução do corpo administrativo, ou racional-legal ou tradicional, em algumas de suas configurações básicas.





Cronologia:





1864 - Max Weber nasce em Erturt, Turíngia, a 21 de abril.



1869 - Muda-se para Berlim com a família.



1882 - Conclui seus estudos pré-universitários e matricula-se na Faculdade Direito de Heidelberg.



1883 - Transfere-se para Estrasburgo, onde presta um ano de serviço militar.



1884 - Reinicia os estudos universitários.



1888 - Conclui seus estudos e começa a trabalhar nos tribunais de Berlim.



1889 - Escreve sua tese de doutoramento sobre a história das companhias comércio durante a Idade Média.



1891 - Escreve uma tese, H História das Instituições Agrárias.



1893 - Casa-se com Marianne Schnitger.



1894 - Exerce a cátedra de economia na Universidade de Freiburg. 1896 - Aceita uma cátedra em Heidelberg.



1898 - Consegue uma licença remunerada na universidade, por motivo de saúde.



1899 - É internado numa casa de saúde para doentes mentais, onde permanece algumas semanas.



1903 - Participa, junto com Sombart, da direção de uma das mais destacadas publicações de ciências sociais da Alemanha.



1904 - Publica ensaios sobre os problemas econômicos das propriedades dos Junker, sobre a objetividade nas ciências sociais e a primeira parte de A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo.



1905 - Parte para os Estados Unidos, onde pronuncia conferências e recolhe material para a continuação de A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo.



1906 - Redige dois ensaios sobre a Rússia: A Situação da Democracia Burguesa na Rússia e A Transição da Rússia para o Constitucionalismo de Fachada.



1914 - Início da Primeira Guerra Mundial. Weber, no posto de capitão, é encarregado de organizar e administrar nove hospitais em Heidelberg.



1918 - Transfere-se para Viena, onde dá um curso sob o título de Uma Crítica Positiva da Concepção Materialista da História.



1919 - Pronuncia conferências em Munique, que serão publicadas sob o título de História Econômica Geral.



1920 - Falece em conseqüência de uma pneumonia aguda.





Bibliografia:





Weber, Os Pensadores, Ed. Abril





Weber, Grandes Cientistas Sociais, Ed. Ática



Leitura Indicada





fonte: http://www.culturabrasil.pro.br/weber.htm

Confira o simulado Notrevest 1 com as questões de Sociologia





PRIMEIRO ANO - SOCIOLOGIA


1. (ENEM)



A conversa entre Mafalda e seus amigos:


a) revela a real dificuldade de entendimento entre posições que pareciam convergir.


b) desvaloriza a diversidade social e cultural e a capacidade de entendimento e respeito entre as pessoas.


c) expressa o predomínio de uma forma de pensar e a possibilidade de entendimento entre posições divergentes.


d) ilustra a possibilidade de entendimento e de respeito entre as pessoas a partir do debate político de ideias.


e) mostra a preponderância do ponto de vista masculino nas discussões políticas para superar divergências.




Resposta: [A]



2. (UFMG) Leia o trecho da música.



A cidade


A cidade se apresenta centro das ambições


Para mendigos ou ricos e outras armações


Coletivos, automóveis, motos e metrôs


Trabalhadores, patrões, policiais e camelôs


A cidade não pára, a cidade só cresce


O de cima sobe e o de baixo desce.



Chico Science, “A Cidade”.


A partir dessa análise, é INCORRETO afirmar que, nesse trecho de música, o autor:


a) considera a exclusão social como uma característica marcante das sociedades urbanas que tem aumentado à medida que se intensifica a concentração de renda.


b) denuncia a pequena mobilidade econômica das classes sociais, decorrente da intensificação da divisão do trabalho que acompanha o processo de urbanização.


c) exalta o modo de vida urbano ao alegar que, nas cidades, a posse de bens duráveis – como automóveis e motocicletas – é traço característico de seus habitantes.


d) inclui o contingente populacional urbano inserido no mercado de trabalho informal, comumente ligado à expansão do subemprego e do desemprego estrutural.


Resposta: [C]






3. (MACKENZIE) Leia o texto:


"Este Brasil onde aparentemente não cabem os 150 milhões de habitantes das estatísticas demográficas é assim por descaso. Com a produção agrícola atual, poderia alimentar 300 milhões de pessoas. Nada, em sua economia, impede que sejam gerados 9 milhões de empregos de emergência. Se a posse da terra fosse democratizada de maneira rápida e decidida, abriria lugar para 12 milhões de famílias. Se as coisas assim acontecessem, 32 milhões de pessoas que estão passando fome teriam comida, pelo menos comida (...)"


(Herbert de Souza - "Reflexões para o futuro" - Revista VEJA "25 anos")



Nos últimos anos, importante campanha relacionada com o texto acima vem ocorrendo no Brasil, cuja denominação é:


a) Ação da Cidadania contra Fome e Miséria e pela Vida.


b) Campanha pela Reforma Agrária da Contag.


c) Movimento de Geração de Emprego do SEBRAE.


d) Campanha de Aumento da Produção Agrícola.


e) Frente Nacional pela Paz no Campo e na Cidade.




resposta:[A]



SOCIOLOGIA – SEGUNDO ANO



1. (UEL) No capitalismo, os trabalhadores produzem todos os objetos existentes no mercado, isto é, todas as mercadorias; após havê-las produzido, entregam-nas aos proprietários dos meios de produção, mediante um salário; os proprietários dos meios de produção vendem as mercadorias aos comerciantes, que as colocam no mercado de consumo; e os trabalhadores ou produtores dessas mercadorias, quando vão ao mercado de consumo, não conseguem comprá-las. [...] Embora os diferentes trabalhadores saibam que produziram as diferentes mercadorias, não percebem que, como classe social, produziram todas elas, isto é, que os produtores de tecidos, roupas, alimentos [...] são membros da mesma classe social. Os trabalhadores se vêem como indivíduos isolados [...], não se reconhecem como produtores da riqueza e das coisas.


(CHAUÍ, M. Convite à Filosofia. 13 ed. São Paulo: Ática, 2004. p. 387.)


Com base no texto e nos conhecimentos sobre alienação e ideologia, considere as afirmativas a seguir:


a) A consciência de classe para os trabalhadores resulta da vontade de cada trabalhador em superar a situação de exploração em que se encontra sob o capitalismo.


b) É no mercado que a exploração do trabalhador torna-se explícita, favorecendo a formação da ideologia de classe.


c) A ideologia da produção capitalista constitui-se de imagens e ideias que levam os indivíduos a compreenderem a essência das relações sociais de produção.


d) As mercadorias apresentam-se de forma a explicitar as relações de classe e o vínculo entre o trabalhador e o produto realizado.


e) O processo de não identificação do trabalhador com o produto de seu trabalho é o que se chama alienação. A ideologia liga-se a este processo, ocultando as relações sociais que estruturam a sociedade.


Resposta: [E]



2. (UEM/adaptada) Ao discorrer sobre ideologia, Marilena Chauí afirma que “(...) a coerência ideológica não é obtida malgrado as lacunas, mas, pelo contrário, graças a elas. Porque jamais poderá dizer tudo até o fim, a ideologia é aquele discurso no qual os termos ausentes garantem a suposta veracidade daquilo que está explicitamente afirmado”.


(O que é ideologia. São Paulo: Brasiliense, 1981, p. 04).



Considerando o texto acima e o conceito de ideologia para Karl Marx, assinale o que for correto.


I. Na maioria das sociedades capitalistas, as desigualdades são ocultadas pelos princípios ideológicos que afirmam a importância dos seguintes elementos: o progresso, o “vencer na vida”, o individualismo, a mínima presença do Estado na economia e a soberania popular por meio da representação.


II. Ideologia corresponde às ideias que predominam em uma determinada sociedade, portanto expressa a realidade tal qual ela é na sua objetividade.


III. Uma pessoa pode elaborar uma ideologia, construir uma “questão” individual sem interferências anteriores e influências comunitárias para a sua sustentação. Assim, com base em sua própria ideologia, ela poderá refletir e agir em sua sociedade.


IV. Na sociedade brasileira, a ideologia da democracia racial afirma que índios, negros e brancos vivem em harmonia, com igualdade de condições. Essa formulação omite as desigualdades étnicas existentes no país.


V. Ideologia consiste em ideias que predominam na sociedade e que, por isso, são internalizadas por todos os indivíduos. Portanto não existem possibilidades de se romper com seus pressupostos.



Estão corretos


a) I e IV.


b) II e III.


c) I e V.


d) II e IV.


e) III e V.


resposta: [B]



3. (PUCMG) Foi-se o tempo em que as Sandálias Havaianas apelavam para durabilidade e praticidade nas campanhas publicitárias, estreladas pelo comediante Chico Anysio, o qual reforçava que as sandálias não davam cheiro e não soltavam as tiras. Hoje, as Havaianas fazem parte do mundo "fashion" e experimentam o fenômeno da globalização, sendo vendidas em vários países do mundo com imenso sucesso. Vários aspectos relacionados à moda e ao consumo na atualidade podem ser percebidos na mudança do produto Havaianas, EXCETO:



a) A variedade de cores e de modelos hoje evidencia que o alvo das campanhas não são mais os essencialmente "novos consumidores", mas a fidelidade daqueles que já conhecem o produto.


b) O processo de conscientização do consumidor, por meio dos órgãos de defesa e da valorização da própria cidadania, extinguiu as propagandas consideradas enganosas e lesivas.


c) O consumismo e o imediatismo presentes e dominantes no mundo atual materializam-se na busca pelo descartável e na necessidade de renovação sempre constante.


d) A utilização de pessoas famosas e de sucesso na mídia, associando sua imagem ao produto, aproxima esse produto do que é moda e do que é chique.

resposta: [B]


SOCIOLOGIA – TERCEIRO ANO



1. (CPS) Analise e compare as duas tirinhas a seguir.




Comparando as duas tirinhas e relacionando-as com o tema “juventude de hoje”, é válido afirmar que as duas:


a) chamam a atenção para o consumismo como característica dos jovens.


b) relacionam a juventude com o comodismo e o conformismo.


c) denunciam que o progresso tecnológico tem resultado na solidão das pessoas e na observação deturpada dos fenômenos naturais.


d) expressam a tendência dos jovens a se comunicarem com o mundo através da intermediação de aparelhos eletrônicos.


e) demonstram que os nossos contatos com o mundo social são eficientes quando realizados através das tecnologias atuais.



Resposta: [D]



2. Assinale dentre as opções a seguir aquela que contém, respectivamente, as mais altas, hierarquicamente, instituições dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.



a) Ministério da Casa Civil, Presidência do Senado, Tribunal Superior Eleitoral.


b) Presidência da República, Congresso Nacional, Supremo Tribunal Federal.


c) Ministério da Fazenda, Presidência da Câmara Federal, Ministério da Justiça.


d) Presidência da República, Senado, Ministério da Justiça.


e) Presidência da República, Presidência do Senado, Supremo Tribunal Federal.


resposta: [B]



3. Leia a letra da música abaixo.



PERFEIÇÃO


Vamos celebrar a estupidez humana Vamos festejar a violência.


A estupidez de todas as nações Nosso descaso por educação.


Covardes, estupradores e ladrões Festejar ter que pagar pedágio


Celebrar a juventude sem escolas sem ter estradas para caminhar.


As crianças mortas Comemorar ter filho e mulher


Vamos celebrar a estupidez do povo Sem ter pão para dar de comer


nossa política e televisão. Sem poder ter de levantar cedo


Para o emprego que não há


Celebrar nossa desunião


Vamos comemorar como idiotas Vamos celebrar o horror de tudo isso


A cada fevereiro e feriado com festa velório e caixão.


Todos os mortos nas estradas Está tudo morto e enterrado agora


E os mortos por falta de hospitais Já aqui também podemos celebrar


Vamos celebrar epidemias A estupidez de quem


É a festa da torcida campeã. Cantou essa canção.


...


Vamos celebrar nossa justiça Venha, meu coração está com pressa


A ganância e a difamação Quando a esperança está dispersa


Vamos celebrar os preconceitos Só a verdade me liberta


E o voto dos analfabetos. Chega de maldade e ilusão


Comemorar a água podre Venha, o amor tem sempre


Todos os impostos, queimadas a porta aberta.


Mentiras e sequestros E vem chegando a primavera


Nosso castelo de cartas marcadas, Nosso futuro recomeça


o trabalho escravo e nosso pequeno universo. Venha, que o que vem é perfeição.



(Letra: Renato Russo. Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá. Adaptação)



A leitura global da letra da música nos faz perceber que o seu conteúdo faz referência:


1 - à situação social e ao descaso das autoridades do país para com questões sociais ligadas às injustiças as mais diversas.


2 - a situações bem contextualizadas à cultura brasileira, em que os direitos humanos são ameaçados em vários níveis.


3- a ideias de muito sentido nos dias de hoje, as quais, citadas de uma forma anti-conformista e provocativa, tentam combater as diversas formas de desamor e de violência que acontecem às pessoas.


4- à morte de nossos valores sociais e de nossa ética, sem qualquer esperança de dias melhores e transformações positivas para todos e para o país.



O correto está em:


a) 1, 2, 3 e 4.


b) 1, 2 e 3, apenas.


c) 1 e 2, apenas.


d) 3 e 4, apenas.


e) 1, 3 e 4 apenas.


resposta: [B]



4. (PITÁGORAS) Leia os textos a seguir.





Disneylândia


Titãs


Filho de imigrantes russos casado na Argentina


Com uma pintora judia,


Casou-se pela segunda vez


Com uma princesa africana no México


Música hindú contrabandiada por ciganos poloneses faz sucesso


No interior da Bolívia zebras africanas


E cangurus australianos no zoológico de Londres.


Múmias egípcias e artefatos íncas no museu de Nova York


Lanternas japonesas e chicletes americanos


Nos bazares coreanos de São Paulo.


Imagens de um vulcão nas Filipinas


Passam na rede dc televisão em Moçambique


Armênios naturalizados no Chile


Procuram familiares na Etiópia,


Casas pré-fabricadas canadenses


Feitas com madeira colombiana


Multinacionais japonesas


Instalam empresas em Hong-Kong


E produzem com matéria prima brasileira


Para competir no mercado americano


Literatura grega adaptada


Para crianças chinesas da comunidade européia.


Relógios suiços falsificados no Paraguay


Vendidos por camelôs no bairro mexicano de Los Angeles.


Turista francesa fotografada semi-nua com o namorado árabe


Na baixada fluminense


Filmes italianos dublados em inglês


Com legendas em espanhol nos cinemas da Turquia


Pilhas americanas alimentam eletrodomésticos ingleses na Nova Guiné


Gasolina árabe alimenta automóveis americanos na África do Sul.


Pizza italiana alimenta italianos na Itália


Crianças iraquianas fugidas da guerra


Não obtém visto no consulado americano do Egito


Para entrarem na Disneylândia



Relacionando os trechos da música e da história em quadrinhos ao processo de globalização, pode-se CONCLUIR que


a) nos pontos mais distantes – Nova York, Paris, Zona Franca de Manaus, na Ásia ou na América Latina – nos deparamos com nomes de marcas em objetos culturais conhecidos – Sony, Ford, Mitsubishi, Phillips, Renault, Volkswagen –, promovendo, assim, a igualdade entre os países.


b) os centros de pesquisa avançada difundiram-se pelo mundo devido ao desenvolvimento dos meios de transporte e comunicação, modificando a divisão tradicional dos fornecedores de matérias primas que se tornaram exportadores de tecnologia.


c) o Brasil está integrado à economia mundial, participando e influenciando as decisões da Organização Mundial do Comércio e conquistando vitórias sucessivas, diminuindo os subsídios agrícolas dos países desenvolvidos.


d) ocorreu a internacionalização dos mercados de consumo e financeiro, rompendo as fronteiras geográficas clássicas. Ocorreu, também, a descentralização do aparelho estatal, a privatização de empresas públicas e a integração econômica através dos acordos de livre comércio.


e) a globalização extrapola as relações comerciais e financeiras. A internet é uma maneira rápida e eficiente de entrar em contato com pessoas de várias partes do planeta, promovendo uma homogeneização cultural.



resposta: [D]





quinta-feira, 5 de maio de 2011

Confira as questões da Prova de Sociologia do Segundo Bimestre

AVALIAÇÃO DE SOCIOLOGIA – SEGUNDO ANO







Texto base para responder as questões 1, 2 e 3.


Ideologia e alienação


A alienação social se exprime numa “teoria” do conhecimento espontânea, formando o senso comum da sociedade. Por seu intermédio, são imaginadas explicações e justificativas para a realidade tal como é diretamente percebida e vivida.


Um exemplo desse senso comum aparece no caso da “explicação da pobreza, em que o pobre é pobre por sua própria culpa (preguiça, ignorância) ou por vontade divina ou por inferioridade natural. Esse senso comum social, na verdade, é o resultado de uma elaboração intelectual sobre a realidade, feita pelos pensadores ou intelectuais da sociedade - sacerdotes, filósofos, cientistas, professores, escritores, jornalistas, artistas -, que descrevem e explicam o mundo a partir do ponto de vista da classe a que pertencem e que é a classe dominante de sua sociedade. Essa elaboração intelectual incorporada pelo senso comum social é a ideologia. Por meio dela, o ponto de vista, as opiniões e as idéias de uma das classes sociais - a dominante e dirigente - tornam-se o ponto de vista e a opinião de todas as classes e de toda a sociedade.


A função principal da ideologia é ocultar e dissimular as divisões sociais e políticas, dar-lhes a aparência de indivisão e de diferenças naturais entre os seres humanos. Indivisão: apesar da divisão social das classes, somos levados a crer que somos todos iguais porque participamos da idéia de “humanidade”, ou da idéia de “nação’ e “pátria”, ou da idéia de “raça”, etc. Diferenças naturais: somos levados a crer que as desigualdades sociais, econômicas e políticas não são produzidas pela divisão social das classes, mas por diferenças individuais dos talentos e das capacidades, da inteligência, da força de vontade maior ou menor, etc.


A produção ideológica da ilusão social tem como finalidade fazer com que todas as classes sociais aceitem as condições em que vivem, julgando-as naturais, normais, corretas, justas, sem pretender transformá-las ou conhecê-las realmente, sem levar em conta que há uma contradição profunda entre as condições reais em que vivemos e as idéias.


Por exemplo, a ideologia afirma que somos todos cidadãos e, portanto, temos todos os mesmos direitos sociais, econômicos, políticos e culturais. No entanto, sabemos que isso não acontece de fato: as crianças de rua não têm direitos; os idosos não têm direitos; os direitos culturais das crianças nas escolas públicas é inferior aos das crianças que estão em escolas particulares, pois o ensino não é de mesma qualidade em ambas; os negros e índios são discriminados como inferiores; os homossexuais são perseguidos como pervertidos, etc.


A maioria, porém, acredita que o fato de ser eleitor, pagar as dívidas e contribuir com os impostos já nos faz cidadãos, sem considerar as condições concretas que fazem alguns serem mais cidadãos do que outros. A função da ideologia é impedir-nos de pensar nessas coisas.

CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2001. Disponível em: http://eumatil.vilabol.uol.com.br/chaui.htm



1. Qual é o papel principal da ideologia?





2. Qual a finalidade da produção ideológica da ilusão social?





3. Após a leitura do texto da Marilena Chauí, explique como é possível perceber a influência do local que ocupa na sociedade sobre a maneira de pensar?


4. (UEL – 2006) “A indústria cultural vende Cultura. Para vendê-la, deve seduzir e agradar o consumidor. Para seduzi-lo e agradá-lo, não pode chocá-lo, provocá-lo, fazê-lo pensar, fazê-lo ter informações novas que perturbem, mas deve devolver-lhe, com nova aparência, o que ele sabe, já viu, já fez. A ‘média’ é o senso-comum cristalizado que a indústria cultural devolve com cara de coisa nova [...]. Dessa maneira, um conjunto de programas e publicações que poderiam ter verdadeiro significado cultural tornam-se o contrário da Cultura e de sua democratização, pois se dirigem a um público transformado em massa inculta, infantil, desinformada e passiva”.


(CHAUÍ, Marilena. Filosofia. 7. ed. São Paulo: Ática, 2000. p. 330-333.)



Com base no texto e nos conhecimentos sobre meios de comunicação e indústria cultural, considere as afirmativas a seguir.

I. Por terem massificado seu público por meio da indústria cultural, os meios de comunicação vendem produtos homogeneizados.

II. Os meios de comunicação vendem produtos culturais destituídos de matizes ideológicos e políticos.

III. No contexto da indústria cultural, por meio de processos de alienação de seu público, os meios de comunicação recriam o senso comum enquanto novidade.

IV. Os produtos culturais com efetiva capacidade de democratização da cultura perdem sua força em função do poder da indústria cultural na sociedade atual.
Estão corretas apenas as afirmativas:

a) I e II.
b) I e III.
c) II e IV.
d) I, III e IV.
e) II, III e IV.


5. (UnB/Cespe) Com referência a ideologia, assinale a opção correta.

a) É um conjunto de ideias, valores, concepções ou opiniões acerca de pontos não-sujeitos a discussões.

b) Constitui, de acordo com Marilena Chauí, um corpo não sistematizado de representações e normas que nos ensinam a pensar e agir em sociedade.

c) Implica, em sua visão negativa, assumir que as diferenças de classe e os conflitos sociais são ocultos ou justificados em nome de uma sociedade justa e harmônica.

d) É para Marx, de tal maneira insidiosa, que somente aqueles que a utilizam como instrumento de dominação percebem o seu caráter ilusório.


6. (UFUB) Quanto ao conceito de indústria cultural, é correto afirmar que:


I – A indústria cultural produz bens culturais como mercadorias.
II – O objetivo da indústria cultural é estimular a capacidade crítica dos indivíduos.
III – A indústria cultural cria a ilusão de felicidade no presente e elimina a dimensão crítica.
IV – A indústria cultural ocupa o espaço de lazer do trabalhador sem lhe dar tempo para pensar sobre as condições de exploração em que vive.

Assinale a alternativa correta:
a) II, III e IV estão corretas.
b) I, II e III estão corretas.
c) I, III e IV estão corretas.
d) I, II e IV estão corretas.
e) II e III estão corretas.

7. (UnB/Cespe) Acerca da relação entre ideologia e consumo, assinale a opção correta.


a) A propaganda comercial tem como objetivo vender um produto, serviço ou marca ao consumidor, o que a descaracteriza como propaganda ideológica.
b) O apelo da propaganda comercial, sempre racional, enfatiza as virtudes do produto.
c) A propaganda exerce uma função modelizante, visto que define o comportamento socialmente aceito, por meio da veiculação dos valores das classes hegemônicas.
d) A publicidade vende conceitos e ideias que, raramente, extrapolam as características do produto.


8. Leia o trecho da música e depois responda às questões.




Ideologia

Meu partido é um coração partido


E as ilusões estão todas perdidas


Os meus sonhos foram todos vendidos


Tão barato que eu nem acredito


Ah, eu nem acredito


Que aquele garoto que ia mudar o mundo (Mudar o mundo)

Frequenta agora as festas do “Grand Monde”
Meus heróis morreram de overdose
Meus inimigos estão no poder
Ideologia
Eu quero uma pra viver

a) Descreva, brevemente, o significado do conceito de ideologia.

b) Relacione o conceito de ideologia às palavras “ilusões” e “sonhos”, que se encontram na letra da música.

c) O compositor emprega a palavra “ideologia” como título da canção. Releia a canção e indique o significado que esse termo possui.

d) Considerando o último verso da canção e relacionando-o à letra da música, percebemos que o compositor deixa explícitos alguns sentimentos. Quais são eles?


9. (UEL) "A penetração intensa da televisão no Brasil está inscrita na paisagem urbana e rural, nas páginas de revista, na profusão de aparelhos nos interiores das casas, nas mansões de alto luxo, nos barracos das favelas das cidades grandes, nas casas modestas e nas praças públicas de cidades pequenas. Os recordes nas vendas de televisores se explicam pela presença de diversos aparelhos por domicílio, cuidadosamente dispostos em vários cômodos das residências, às vezes em meio a altares domésticos".

(HAMBURGER, Esther. Diluindo fronteiras: a televisão e as novelas no cotidiano. In: SCHAWRCZ, Lilia Moritz (Org.) "História da vida privada no Brasil: contrastes da intimidade contemporânea". São Paulo: Companhia das Letras, 1998. p. 440.)


Com base no texto e nos conhecimentos sobre a relação da televisão com a sociedade moderna, considere as afirmativas a seguir.

I. A penetração intensa da televisão no Brasil rompeu as fronteiras das diferenças sociais e gerou uma sociedade livre da exclusão social.
II. O ato alienado de assistir à televisão promove uma falsa ideia de inclusão social e de equidade entre as etnias.
III. A difusão do sistema de TV por assinatura é expressão do "apartheid" social, pois permite a poucos o acesso a informações sobre outras culturas.
IV. Nas sociedades capitalistas, a televisão incita ao consumismo devido a sua forma de atração e seu poder de penetração junto às diversas classes sociais.
Estão corretas apenas as afirmativas:

a) I e II.
b) I e IV.
c) II e III.
d) I, III e IV.
e) II, III e IV.


10. A expressão indústria cultural foi utilizada pela primeira vez pelos teóricos da Escola de Frankfurt, theodor Adorno e Max Horkheimer no livro Dialektik der Aufklärung Dialética do esclarecimento, no Brasil, ou Dialética do Iluminismo, em Portugal). Nessa obra, Adorno e Horkheimer discorrem sobre a reificação da cultura por meio de processos industriais.


a) Defina indústria cultural.

b) Faça uma relação dos meios de comunicação que você conhece e destacando a maneira pela qual eles são utilizados pela indústria cultural.



Resolução comentada das questões

1. De acordo com o texto, o principal papel da ideologia é ocultar e dissimular as divisões sociais e políticas, dar-lhes a aparência de indivisão e de diferenças naturais entre os seres humanos.



2. A produção ideológica da ilusão social tem como finalidade fazer com que todas as classes sociais aceitem as condições em que vivem, julgando-as naturais, normais, corretas, justas, sem levar em conta que há uma contradição profunda entre as condições reais em que vivemos e as ideais.



3. Resposta pessoal. Possiblidade: o lugar social de que faço parte é a elite da sociedade brasileira. de acordo com Marilena Chauí, há um senso comum social que, na verdade é o resultado de uma elaboração intelectual sobre a realidade, feita por pensadores ou intelectuais da sociedade - sacerdotes, filósofos, cientistas, professores, escritores, jornalistas, artistas -, que descrevem e explicam o mundo a partir de um ponto de vista da classe a que pertencem e que é a classe dominante de uma sociedade. Essa elaboração intelectual incorporada pelo senso comum é a ideologia. Por meio dela, o ponto de vista e a opinião de todas as classes sociais - a dominante e dirigente - tornam-se o ponto de vista e a opinião de todas as classes e de toda a sociedade.



4. B



5. C



6. C



7. C



8. a) Ideologia corresponde a um conjunto de idéias, valores, comportamentos e formas de pensar estipulados como verdades absolutas. Essas idéias, geradas para falsear a realidade, são produzidas pela classe dominante a fim de assegurar-se no poder e preservar a estrutura social.

b) A ideologia cria ilusões e sonhos a serem nutridos e alcançados, tornando-os ideais essenciais à felicidade do homem.

c) Na letra da canção, ideologia representa ideal; razão para viver.

d) Desilusão, indignação, etc.




9. E

10. Televisão, rádio, internet, jornais, revistas, entre outros que são utilizados pela indústria cultural.


Confira as avaliações de Sociologia do segundo bimestre

Avaliação de Sociologia do Primeiro Ano

1. (FAAP) Campanha contra a Fome no Brasil mobiliza 32% da população e amplia perspectivas para a democracia. A campanha não tem dono, mas tem rosto: o do sociólogo:



a) Walter Barelli



b) José Serra



c) Herbert de Souza, o Betinho



d) Delfim Neto



e) Luiz Eduardo Soares



2. (PITÁGORAS) A partir das lembranças dos últimos noticiários que assistiu, observe a realidade brasileira e descreva quais são os problemas mais urgentes do nosso país a serem resolvidos.








3. (PITÁGORAS) Agora mencione os problemas mais urgentes a serem resolvidos no estado, na cidade e no bairro onde você mora?








4. (PITÁGORAS) A partir dos problemas levantados nas questões anteriores, discuta de que maneira você poderia ajudar ou contribuir para solucioná-los. Registre aqui suas ideias.










5. (CNDL) Leia o texto abaixo e responda as questões a seguir.





A Cidade





Chico Science



Composição : João Higíno Filho







O sol nasce e ilumina



As pedras evoluídas



Que cresceram com a força



De pedreiros suicidas



Cavaleiros circulam



Vigiando as pessoas



Não importa se são ruins



Nem importa se são boas



E a cidade se apresenta



Centro das ambições



Para mendigos ou ricos



E outras armações



Coletivos, automóveis,



Motos e metrôs



Trabalhadores, patrões,



Policiais, camelôs



A cidade não pára



A cidade só cresce



O de cima sobe



E o de baixo desce





Chico Science, ao abordar em sua música os problemas urbanos desencadeados pelo crescimento das cidades, trata a urbe como centro das atenções para distintos setores da sociedade e nos convida a refletir sobre este espaço que se tornou o centro da vida social, econômica e política do país.



a) Descreva a cidade representada na letra da música cantada por Chico Science.





b) Quais são os personagens da cidade citados por ele?








6. (CNDL) Levando em consideração o seguinte trecho da música – “A cidade não para, a cidade só cresce / O de cima sobe e o de baixo desce” -, discuta:



a) O papel que cada personagem cumpre nas cidades atuais.





b) as relações que se estabelecem entre esses personagens.





7. (UFRJ) Tema: INDIVIDUALISMO E COMPROMISSO COLETIVO



Os trechos a seguir oferecem-lhe material para reflexão sobre o tema proposto. Examine-os com atenção.



I. "Meu partido / é um coração partido / e as ilusões estão todas perdidas / os meus sonhos / foram todos vendidos / tão barato que eu nem acredito / que aquele garoto que ia mudar o mundo / freqüenta agora as festas do 'grand monde'



(CAZUZA. "Ideologia".)



II. "Não sou de São Paulo, não sou / japonês. / Não sou carioca, não sou português. / Não sou de Brasília, não sou do / Brasil. / Nenhuma pátria me pariu. / Eu não tô nem aí./ Eu não tô nem aqui."



(ANTUNES, Arnaldo e outros. "Lugar nenhum".)



III. "Eu sei / que a vida devia ser bem melhor / e será".



(GONZAGA JR., Luiz. "O que é o que é?")



IV. "Qualquer que seja o modelo de desenvolvimento, independentemente de sua ideologia, ele se fará através das pessoas e daquilo que elas forem capazes de realizar a partir de si próprias."



(SOUZA, Herbert de. / Betinho. "Escritos indignados". RJ. ED/IBASE, 1991.)



V. "De todas as coisas desse mundo tão variado, a única que me exalta, me afeta, me mobiliza é o gênero humano. São as gentes (...) minha amada gente brasileira, que é minha dor, por sua pobreza e seu atraso desnecessários. É também meu orgulho, por tudo o que pode ser, há de ser".



(RIBEIRO, Darcy. "O Brasil como problema". 2 ed. RJ: Francisco Alves, 1995.)



VI. "Individualista dos pés à cabeça. (...) Sem ídolos, descrente nos políticos e preocupada com o mercado de trabalho, a juventude do estado do Rio lista sonhos resumidos à primeira pessoa do singular: eu.



(...)



Ajudar o próximo, ser feliz, viver numa sociedade mais justa, paz na terra? Não é por aí. Eles não estão interessados em mudar o mundo".



(VENTURA, Mauro, CÂNDIDA, Simone. "Jovem troca ideais por ambição". ln: JB. Caderno Cidade. 06/07/97.)



Considerando os trechos acima, produza um TEXTO DISSERTATIVO sobre "Individualismo e compromisso coletivo" na sociedade brasileira, hoje.



Lembre-se de que seu texto deverá estar fundamentado em argumentos que tornem clara sua posição.















Saiba mais sobre os conceitos de estado e nação

Saiba mais sobre os conceitos de estado e nação

Confira diferença entre eles. Assista ao vídeo. Claudio Falcão, professor de geografia do Curso e Colégio pH, dá uma aula sobre os conceitos de estado e nação. Estado é um conceito político, uma grande máquina burocrática. Nação é um grupo de indivíduos que apresenta uma identidade cultural. Confira aula completa em vídeo.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

A morte de Bin Laden

A Morte de Bin Laden

Pio Penna Filho


O anúncio da eliminação de Osama Bin Laden por comandos norte-americanos atuando no Paquistão foi o fato da semana na política internacional. Esse era um objetivo perseguido pelos Estados Unidos desde os atentados terroristas de 2001, portanto, não foi nada surpreendente a comemoração do assassinato do líder da temível Al Qaeda.
Muito se especula sobre o que acontecerá de agora em diante. Até que ponto a organização terrorista será afetada pelo desaparecimento de seu líder e membro mais proeminente? Os terroristas se intimidarão ou o efeito provocado será o de promover ainda mais violência? Até que ponto tal fato modificará a política externa dos Estados Unidos no Afeganistão e no chamado combate ao terror?
São muitos os possíveis cenários que podemos vislumbrar com relação ao futuro do terrorismo como forma de luta política e expressão do radicalismo. Nada sugere, por ora, que a eliminação de Bin Laden irá arrefecer o ímpeto dos movimentos radicais que se insurgiram contra as tradicionais potências ocidentais.
O chamado terrorismo internacional nunca esteve amparado exclusivamente em bases pessoais, ou seja, o desaparecimento de um líder, por mais proeminente que ele seja, não tem capacidade de conter essa modalidade de ativismo político, vista por muitos como a única forma possível de resistir à opressão desencadeada em nome dos interesses das grandes potências ocidentais.
Aliás, é importante ressaltar que não faltam motivações para que muitas pessoas se juntem a esses movimentos radicais. Em parte, eles podem ser vistos como consequência das violentas e também radicais ações políticas e militares que são levadas a efeito por países ocidentais, especialmente pelos Estados Unidos da América, em países como o Iraque, o Afeganistão e o Paquistão.
Ora, não é de hoje que esses países e, portanto, suas populações, são fustigadas impiedosamente por ações militares muitas vezes sem sentido, que atingem alvos não militares e massacram os civis. Essas pessoas, independente do credo que professam, são vítimas da violência e é até natural que parte delas se revolte e assuma posições radicais, muitas vezes com o envolvimento em células terroristas. Elas tem, na verdade, muito pouco a perder.
Quero dizer com isso, com todas as letras, que violência gera violência e que não será apenas eliminando líderes radicais como Osama Bin Laden que as coisas mudarão. Enquanto persistir essa política de força e opressão, e que em muito lembra o imperialismo e o colonialismo típicos do século XIX e início do XX, as relações entre partes do mundo islâmico e partes do chamado Ocidente continuarão marcadas por muito sangue e sofrimento.
Um dos cenários mais prováveis e dado como quase certo por muitos analistas internacionais é que a Al Qaeda ou outros grupos radicais irão revidar contra os Estados Unidos, renovando o ciclo de violência. Assim, infelizmente, a intolerância persistirá e o encaminhamento da paz e da harmonia entre as nações seguirá sendo um sonho adiado, lançado como um desafio para as gerações futuras.


Professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB) e Pesquisador do CNPq. E-mail: piopenna@gmail.com