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terça-feira, 24 de julho de 2012

Unidade 4: Culturas Jovens


Roteiro de estudo: Culturas Jovens



1. (Uel 2011)  Leia o texto a seguir.

            “O primeiro beijo é sempre o último”. Assim um informante define, com certa nostalgia, o surgimento de uma nova rotina na prática de “ficar” entre os jovens ao longo da night. “Ficar” é essencialmente beijar, beijar em série, beijar muito. O primeiro beijo, marcado por algo absolutamente fugaz, registro imediato do tátil, desliga--se do que outrora era ritual do enamoramento, prelúdio de uma trajetória sentimental. [...] No campo do afeto e do exercício da sociabilidade, essa mesma noite propicia comportamentos que revelam a transitoriedade, a seriação e o deslocamento afetivo como um novo mecanismo de agrupamento dos jovens.

(ALMEIDA, M. I. M. de. “Guerreiros da noite - cultura jovem e nomadismo urbano”. In: Ciência hoje, v. 34, n. 202, p. 28.)

Com base no texto e nos conhecimentos sobre a sociabilidade moderna, considere as afirmativas a seguir.
I. As práticas assinaladas entre os jovens identificam-se ao que se definiu como pós-modernidade, isto é, relações fluidas, marcadas pela instantaneidade e por rupturas contínuas com referenciais pré-estabelecidos.
II. O comportamento dos jovens que optam pela prática do “ficar” é diferente do estado anômico, analisado por Durkheim, na medida em que as bases da existência social mantêm seu funcionamento normal.
III. A vida social moderna, ao individualizar os sujeitos, eliminou a necessidade, entre os jovens, de participar de agrupamentos identitários e de estabelecer vínculos sociais com outras pessoas.
IV. A adoção da prática antissocial do “ficar” é fruto de uma juventude sem valores morais, como família, tradição e propriedade privada, presentes desde os primórdios da humanidade.

Assinale a alternativa correta.
a) Somente as afirmativas I e II são corretas.  
b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.  
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.  
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.  
e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.  
  
 
resposta:[A]

Durkheim ensina que o homem se defronta com regras de conduta que não foram criadas por ele, mas que existem, e são aceitas na vida em sociedade, devendo ser seguidas por todos. Assim, sem estas regras, a sociedade não existiria e é por isso que os indivíduos devem obedecer a elas, o que os jovens do texto, na prática do “ficar”, não o fazem, porque tal prática é marcada por comportamentos que aceitam a transitoriedade e a mudança como regra de vida em sociedade. 

2. (Ufu 2010)  James Dean, astro do filme “Juventude Transviada” (1955), foi um dos ícones do estilo de vida jovem de sua época, misturando rock and roll e rebeldia. Atualmente, outros estilos e influências musicais marcam o cenário jovem mundial ao lado do rock, como a música eletrônica, o rap, o soul, o funk, o hip hop, o samba, o punk e outros.

Entre as alternativas a seguir, assinale a que não se refere à relação entre música e juventude.
a) O gosto musical refere-se exclusivamente a escolhas e preferências individuais.  
b) Os padrões de consumo musicais estão associados a padrões estéticos e culturais.  
c) O engajamento dos indivíduos em grupos relacionado a estilos musicais pode traduzir formas de resistência política e cultural.  
d) Os estilos musicais podem nos dizer muito acerca da constituição de identidades individuais e coletivas entre jovens.   

 
resposta:[A]

A alternativa A é a única que não refere à relação entre música e juventude, inclusive por ser uma afirmação equivocada, pois, diferentemente do que é afirmado, o gosto musical individual sofre influências de todo tipo, como da TV, do cinema, do grupo social no qual se está inserido etc., não estando, portanto, exclusivamente na dependência das preferências individuais.  
 
3. (Udesc 2010)  Ao longo do século XX, e mais especialmente a partir dos anos 1950, a juventude tornou-se uma importante questão social. No Brasil contemporâneo, as demandas da juventude encontram-se inseridas no debate público nacional, fazendo parte das agendas governamentais. Escolha um entre os vários problemas que mais atingem os jovens brasileiros e desenvolva uma análise clara e objetiva sobre ele.
  
resposta:
 Um dos principais problemas que atinge boa parte dos jovens brasileiros é a questão do emprego, especialmente a entrada no mercado de trabalho. Não obstante o alto crescimento da economia brasileira e a melhora dos índices sociais nos anos recentes, parte considerável dos jovens ainda tem que trabalhar para complementar a renda familiar. Entretanto, estes jovens trabalhadores não estão capacitados a assumir postos de boa remuneração ou que, ao menos, permitam uma perspectiva de crescimento profissional. Em virtude de problemas ainda não sanados no sistema de ensino brasileiro, especialmente no que se refere ao ensino médio e ao acesso a boas universidades, a maior parte dos jovens ainda não consegue uma formação educacional compatível com as exigências do mercado de trabalho. Configura-se, assim, um cenário paradoxal, no qual há uma necessidade por parte das empresas em preencher cargos de início de carreira, mas jovens sem a capacitação necessária para ocupá-los. Dessa forma, ainda é considerável a parcela de jovens empregada em trabalhos precários – muitas vezes informais e, portanto, sem garantia de direitos trabalhistas –, que além de serem degradantes em muitos casos, ainda colaboram para a evasão escolar ao não permitirem a conciliação do trabalho com os estudos – tanto aqueles de formação básica quanto os de qualificação profissional.  


4. (Uel 2008)  As relações amorosas, após os anos de 1960/1980, tenderam a facilitar os contatos feitos e desfeitos imediatamente, gerando uma gama de possibilidades de parceiros e experimentos de prazer. Essa forma de contato amoroso tem sido denominada pelos jovens como “ficar”. Assim, em uma festa pode-se “ficar” com vários parceiros ou durante um tempo “ir ficando” em diferentes situações, sem que isso se configure em compromisso, namoro ou outra modalidade institucional de relação. Os processos sociais que provocaram as mudanças nas relações amorosas, bem como suas consequências para o indivíduo e para a sociedade, têm sido problematizados por vários cientistas sociais.

Assinale a alternativa em que o texto explica os sentidos das relações amorosas descritas acima. 
a)  “Hoje as artes de expressão não são as únicas que se propõem às mulheres; muitas delas tentam atividades criadoras. A situação da mulher predispõe-na a procurar uma salvação na literatura e na arte. Vivendo à margem do mundo masculino, não o apreende em sua figura universal e sim através de uma visão singular; ele é para ela, não um conjunto de utensílios e conceitos e sim uma fonte de sensações e emoções; ela interessa-se pelas qualidades das coisas no que têm de gratuito e secreto [...]”.
(BEAUVOIR, S. O segundo sexo. 5 ed. São Paulo: Nova Fronteira, 1980. p. 473.)  
b) “Hoje, no entanto, existe uma renovação, o que significa dizer que os cientistas, quando chegam através do seu conhecimento a esses problemas fundamentais, tentam por si próprios compreendê-los e fazem um apelo à sua própria reflexão. Nos próximos anos, por exemplo, após as experiências do Aspecto, a discussão sobre o espaço e sobre o tempo – problemas filosóficos – vai ser retomada”.
(MORIN, E. A inteligência da complexidade. 2. ed. São Paulo: Peirópolis, 2000. p. 37.)  
c) “Nova era demográfica de declínio populacional não catastrófico pode estar alvorecendo. Fome, epidemias, enchentes, vulcões e guerras cobraram seu preço no passado, mas que grandes populações não se reproduzam por escolha individual é uma mudança histórica notável. Na Europa Ocidental, esse padrão está se estabelecendo em tempos de paz, sob condições de grande prosperidade, embora, sejam ainda visíveis oscilações conjunturais, significativas na depressão escandinava do início dos anos de 1990.”
(THERBORN, G. Sexo e poder. São Paulo: Contexto, 2006. p. 446).  
d) “É assim numa cultura consumista como a nossa, que favorece o produto para o uso imediato, o prazer passageiro, a satisfação instantânea, resultados que não exijam esforços prolongados, receitas testadas, garantias de seguro total e devolução do dinheiro. A promessa de aprender a arte de amar é a oferta (falsa, enganosa, mas que se deseja ardentemente que seja verdadeira) de construir a ’experiência amorosa’ à semelhança de outras mercadorias, que fascinam e seduzem exibindo todas essas características e prometem desejo sem ansiedade, esforço sem suor e resultados sem esforço.
(BAUMAN, Z. Amor líquido. Rio de Janeiro: Zahar, 2004. p.21-22).  
e) “Viver na grande metrópole significa enfrentar a violência que ela produz, expande e exalta, no mesmo pacote em que gera e acalenta as criações mais sublimes da cultura.[...] Nesse sentido, talvez a primeira violência de que somos vítima, já no início do dia, é o jornalismo, sempre muito sequioso de retratar e reportar, nos mínimos detalhes, o que de mais contundente e chocante a humanidade produziu no dia anterior [...]”.
(NAFFAH NETO, A. Violência e ressentimento. In: CARDOSO, I. et al (Orgs). Utopia e mal-estar na cultura. São Paulo: Hucitec, 1997. p. 99.) 


resposta:[D]

A alternativa [D] é a única correta. O próprio título do livro de Zigmunt Bauman (Amor Líquido) já se mostra como indício da adequação da sua teoria para a interpretação das relações afetivas contemporâneas. É assim que as relações sociais podem ser interpretadas no sentido da sociedade do consumo: fluidas e descartáveis. Na própria terminologia do autor, uma afetividade líquida.  
 
5. (PITÁGORAS) Em estudo realizado pelo governo federal em 2003, com apoio dos Institutos Cidadania, Hospitalidade, Sebrae e empresa de pesquisas Criterium, foi investigado um perfil da juventude brasileira.


 
Fonte: Perfil da juventude brasileira, 2003.

Indique o perfil sociológico revelado a partir da pesquisa realizada com os jovens.

a) A situação geral mostra uma juventude tensa e preocupada com os problemas sociais.
b) As questões de trabalho e financeiras foram as primeiras que apareceram no perfil da juventude.
c) O comportamento social e cultural está mais aguçado, com atenções voltadas para o lazer e o entretenimento.
d) O peso que a liberdade da vida privada tem na vida do jovem foi pouco registrada na pesquisa.
e) A atenção maior é para com os assuntos políticos partidários formais e o compromisso com a cidadania.


resposta:[C]


6. (PITÁGORAS) Leia a reportagem retirada da revista Época.

A ocasião faz o ladrão
Fatores que podem levar um jovem de classe média ao crime

1º) Desejo de bens de consumo inalcançáveis — Por mais dinheiro que possa ter, não realiza todos os sonhos de consumo. Acostumado a ter praticamente tudo desde a infância, o jovem não suporta a pressão e pode optar pelo crime.

2º) Gosto pela transgressão — Os jovens têm uma tendência natural à transgressão. O esvaziamento político e ideológico, além das falhas educacionais, transforma o tráfico e o crime na forma mais fácil de cometer uma transgressão.

3º) Glamourização do crime — Pesquisadores consideram que a mídia glamouriza o criminoso de classe média. Enquanto o bandido pobre dificilmente rende notícia, o de classe média aparece rapidamente nos jornais.

4º) Desestruturação familiar — Sem uma base familiar sólida, o indivíduo vive uma crise de valores. Tem mais dificuldade para identificar o que é o direito do outro.

5º) Ostentação de poder — Vivendo em uma sociedade que valoriza o espetáculo, o jovem é tentado a conquistar poder a qualquer custo e pertencer a um mundo que não é apenas "mediano".

6º) Estagnação profissional — Frustrado por não ter conseguido alcançar por meios lícitos o nível de vida idealizado e sem perspectivas na carreira, o jovem pode tentar subir por caminhos aparentemente mais fáceis

Fonte: Revista Época, 26 de setembro de 2005.
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/

A análise das causas da criminalidade da classe média, em reportagem da Revista Época, favorece uma discussão sobre como a sociedade influencia o modo de vida dos adolescentes.

Após exame atento dos fatores mencionados e suas relações internas, aponte um fator que se sobressai entre os diversos elementos que motivam a criminalidade.

a) Os fatores familiares como a desestruturação indicam que uma família empobrecida favorece a criminalidade.
b) O reconhecimento social obtido com o trabalho é superior ao que se obtém com a participação do crime.
c) O status e o padrão de vida divulgado pela mídia são possibilitados pelo envolvimento com ações criminosas.
d) O poder político e a liderança são os principais objetivos de se fazer parte de uma organização criminal.
e) O emprego e a renda são os fatores principais que ocupam a cultura jovem dos participantes do crime.


resposta:[C]

7. (PITÁGORAS) Analise a figura dos Simpsons.


Fonte: http://canalfox.com.br/br/series/os-simpsons/fotos/

As características observadas, relativas aos anos 90, mostram diversos aspectos incorporados pela cultura da juventude, decorrentes, principalmente, das(os):

a) revolução sexual e incorporação dos anticoncepcionais na rotina da mulher.
b) direitos humanos ampliados pelos movimentos sindicais no fim da ditadura militar.
c) massificação das mídias sociais facilitadas pelas inovações tecnológicas e cibernéticas.
d) fim do socialismo e das ideologias de esquerda que questionavam as culturas consumistas.
e) globalização cultural e econômica que introduziu o uso de diferentes marcas de roupas e de eletrônicos.

resposta:[E]

8. (PITÁGORAS) O texto a seguir aborda a participação política e juventude.

            “Muito embora existam incontáveis iniciativas de mobilização popular nas periferias da Região Metropolitana de Belo Horizonte, ainda prevalece em diversas esferas públicas, especialmente a midiática, um discurso extremamente perverso e equivocado que insiste em ignorar a capacidade de intervenção e as ações organizadas pelas próprias comunidades para reverter as desigualdades e melhorar a qualidade de vida da população. Há uma efervescência cultural e social que não é vista, tampouco apoiada ou mesmo legitimada pela sociedade em geral.
            Um exemplo já banalizado disso é a maneira distorcida com que a mídia de massa aborda a violência e a insegurança nos centros urbanos, via de regra estigmatizando as periferias como locus de criminalidade. Nessa lógica, os jovens pobres são repetidamente taxados como agentes de violência.”

Rafaela Lima, Ana Tereza Brandão, Áurea Carolina, Juliana Leonel, Leandro Matosinhos, Mariana Paulino, Oswaldo Teixeira e Ricardo Fabrino Mendonça. Da Tv Sala de Espera à Rede Jovem de Cidadania.
In: Rafael Pereira Lima. Mídias comunitárias, juventude e cidadania.
Belo Horizonte: Autêntica/Associação Imagem Comunitária, 2006. Páginas 29 e 30.

Que fator social explica as expectativas acerca da participação política dos jovens da periferia?

a) A economia injusta e desigual cria uma atmosfera de espaços segregados, desconfiança mútua, violência e preconceito com relação à participação dos jovens da periferia.
b) A falta de alternativas e projetos de participação política jovem se deve à incapacidade da periferia em promover projetos que ampliem a cidadania de seus habitantes.
c) Os trabalhos desenvolvidos pelos agentes públicos na periferia nas áreas de educação, saúde e assistência social são suficientemente abrangentes para promover a cidadania na relação centro-periferia.
d) Os espaços da cidade, independentemente dos fatores de crescimento do mercado imobiliário, são destinados ao uso coletivo e promoção de atividades para a juventude.
e) As novas culturas da periferia cresceram com a chegada de ideologias estrangeiras identificadas com a experiência social local e renovaram as tradições de superioridade étnica e racial dos jovens da periferia.

resposta:[A]


9. (Puc-mg) Com relação à cultura brasileira, é correto afirmar que, EXCETO:
a) a música "Como nossos pais" expressa que houve lutas por mudanças culturais, mas foram infrutíferas.
b) as mudanças da década de 70 não provocam grandes impactos sobre o padrão cultural do brasileiro.
c) a marca da cultura americana "rock-pop-coke-jeaneration" é forte na cultura jovem brasileira.
d) a forte influência da cultura americana no Brasil é antiga como constata a letra de Belchior.
e) os versos de Belchior traduzem desesperança, porque não há possibilidade de rupturas culturais.


resposta:[E]

10. (Puc-pr) Os anos 70 foram marcados por grandes transformações culturais e comportamentais, que aprofundaram as mudanças que vinham da década anterior. Relacione as colunas com alguns dos elementos mais significativos da cultura musical jovem nos anos 70.
1) Reggae
2) Punk
3) Heavy metal
4) Discotheque
5) Progressivo

( ) Estilo de rock que estava baseado em experimentações e fusões com a música erudita e com o jazz, muito em voga nos anos 70.
( ) Estilo de música dançante que provocou uma grande expansão do mercado fonográfico, nos anos 70.
( ) Estilo de rock pesado feito na base da força das guitarras amplificadas e distorcidas por toneladas de equipamentos.
( ) Ritmo caribenho de fundamental importância para a música jovem da década de 70.
( ) Movimento jovem que abalou a indústria cultural em meados da década de 70.
a) 1 - 3 - 5 - 4 - 2
b) 5 - 4 - 1 - 2 - 3
c) 5 - 4 - 3 - 1 - 2
d) 3 - 1 - 4 - 2 - 5
e) 5 - 2 - 3 - 4 - 1


resposta:[C]

11. (UnB) No que se refere aos jovens de Seattle, mencionados no texto, que se aglomeraram para criticar a reunião do OMC e suas relações com movimentos políticos e culturais anteriores protagonizados pela juventude, julgue os itens que se seguem.

(1) A jovem Hilppy, como os que impediram as reuniões de ministros de países que se fizeram representar em Seattle, está imbuída da necessidade da reforma estrutural do sistema internacional e tem clara estratégia para a transformação desejada do mundo.
(2) Ao contrário dos hippies dos anos 60, os novos hippies e ecologistas dos anos 90 manifestam acomodação aos parâmetros gerais de organização da vida urbana e do processo de industrialização capitalista oriundo da Segunda Revolução Industrial e à forma burguesa de organização dos valores hegemônicos.
(3) A expressão "palavras ecoaram pelo mundo como um protesto" faz lembrar, apesar da distância entre as três décadas, os gritos da juventude rebelde dos anos 60.
(4) Os jovens que se preparam para o exercício de uma vida universitária e profissional no início do novo milênio encontram um mundo equilibrado, marcado pelo fim dos conflitos internacionais e pela emergência da solidariedade econômica dos países fortes em relação aos mais fracos.


resposta:F F V F

12. (Ufmg) A radicalização política dos anos 60, antecipada por contingentes menores de dissidentes culturais e marginalizados sob vários rótulos, foi dessa gente jovem, que rejeitava o status de crianças e mesmo de adolescentes (ou seja, adultos ainda não inteiramente amadurecidos), negando ao mesmo tempo humanidade plena a qualquer geração acima dos trinta anos de idade, com exceção do guru ocasional.
HOBSBAWM, Eric J. "Era dos extremos:" o breve século XX (1914-1991). São Paulo: Companhia das Letras, 1995, p.318.

A "cultura jovem" e as rebeliões juvenis dos anos 60 deste século caracterizaram-se por
a) criticar, de forma aguda, as velhas gerações, sob a acusação de terem abandonado o respeito às tradições.
b) enrijecer as estruturas do ensino universitário, à medida que estimularam a união dos conservadores.
c) provocar mudanças nos comportamentos e valores das sociedades ocidentais, notadamente no terreno da sexualidade.
d) recusar a ação política como meio para atingir as transformações, na convicção de que o futuro traria soluções.


resposta:[C]

13. (Ufpi) A partir dos anos cinqüenta, as mudanças registradas na sociedade brasileira se fizeram sentir no cotidiano da juventude que:
a) reagiu através dos artistas da "jovem guarda" contra a influência estrangeira.
b) demonstrava a força da cultura nacionalista, rejeitando o uso das guitarras nos festivais de arte.
c) adotou um novo modo de vestir e de se comportar, seguindo o modelo norte-americano.
d) condenava os "playboys", por menosprezarem os valores nacionais e a cultura regional.
e) combatia as imposições culturais alienígenas, resultantes do fortalecimento dos ideais moralistas.


resposta:[C]

14. (Puc-mg) Ser jovem é ser belo, forte, livre, feliz e transformador. É saber lidar com o inesperado com a rapidez e não ter ainda as marcas deixadas pelo viver. É ter a liberdade idealizada e um poder ilimitado. Ser jovem é ter dentes bonitos e limpos, pele queimada pelo sol, lábios sorridentes, cabelos revoltos e movimentos ágeis. É antes de tudo ser livre, poder escolher e mudar a vontade uma vez que seu caminho está ainda por ser traçado. Ser jovem é assim, mudar muito, experimentar intensamente as emoções, o que significa estar potencialmente aberto ao mundo, ao consumo, às novidades que o mercado oferece."
(Luci Gati Pietrocolla)

Sobre a imagem mítica da juventude, criada pela sociedade de consumo de massa e apresentada anteriormente, é possível afirmar, EXCETO:
a) Remete o jovem ao mundo da produção e do trabalho, contextualizando-o enquanto agente histórico.
b) Mascara as condições reais de existência do jovem em uma sociedade de classes.
c) Reafirma o poder do consumo como elemento que garante o "status" e a integração social.
d) Impede que se manifestem as particularidades físicas, culturais e sociais do ser humano.
e) Responde ao desejo dos homens de serem eternamente jovens numa sociedade supostamente homogênea e livre.


resposta:[A]

15. (Uel 2008) Considere as afirmativas sobre o movimento cultural do século XX.
I. O movimento hippie realizou uma crítica à sociedade de consumo, ao modelo industrial de produção e à ideologia do sucesso individual a qualquer preço.
II. Jovens rebeldes russos, influenciados pelo movimento de guerrilha latino-americana de inspiração guevarista, iniciaram a "glasnost" e a "perestroika".
III. Estudantes e operários em Paris, no ano de 1968, realizaram uma revolta criativa e espontânea, contestando o sistema político tradicional.
IV. O movimento da Jovem Guarda no Brasil foi criado para combater os efeitos contestadores da Tropicália, disseminando o lema "Brasil ame-o, ou deixe-o".

Assinale a alternativa que contém todas as afirmativas corretas.
a) I e III.
b) I e IV.
c) II e III.
d) I, II e IV.
e) II, III e IV.
 
resposta:[A]

16. (Ufmg) Considerando-se as práticas e os agentes culturais no Brasil dos anos 1980, é CORRETO afirmar que
a) houve um intenso debate em torno do uso, ou não, de influências e instrumentos estrangeiros - por exemplo, a guitarra elétrica - na produção da MPB.
b) foi comum a criação de grupos teatrais - entre outros, o Teatro Brasileiro de Comédia - que buscavam, inspirados por autores como Brecht, uma grande sintonia com o mercado.
c) ocorreu um grande projeto nacional, o Tropicalismo, que articulava diferentes atores da esquerda militante e os estudantes em torno da cultura.
d) foi muito freqüente o surgimento de grupos de rock, pelos quais parte da juventude expressava seu descontentamento com a política e os políticos.


resposta:[D]

17. (Uece) "Juventude era o nome do ingrediente secreto que revolucionou a sociedade de consumo e a cultura ocidental. Isso ficou dramaticamente patente na ascensão do rock n roll, música que depende quase que exclusivamente de fregueses adolescentes ou no início de seus vinte anos, ou os que haviam sido convertidos a esse tipo de música naquela faixa etária"
Fonte: HOBSBAWM, Eric. "Tempos Interessantes": uma vida no século XX. São Paulo: Cia. das Letras, 2002, p. 251.
Assinale a alternativa verdadeira sobre as mudanças sócio-culturais, após a segunda guerra mundial.
a) A valorização do ritmo da cultura negra, presente no rock, ocorreu devido à igualdade entre os consumidores brancos e negros.
b) O movimento hippie, nos anos 60, foi uma das formas de crítica à sociedade de consumo.
c) A juventude, alienada e contrária aos astros da televisão, supervalorizou Elvis Presley, como líder de protesto.
d) O consumismo de produtos supérfluos pela juventude foi responsável pelo aumento da inflação.


resposta:[B]

18. (ENEM 2011) O movimento representado na imagem, do início dos anos de 1990, arrebatou milhares de jovens no Brasil.
Estudantes saíram às ruas em 1992 paea pedir o impeachment de Fernando Collor

Nesse contexto, a juventude, movida por um forte sentimento cívico,

a) aliou-se aos partidos de oposição e organizou a campanha Diretas Já.
b) manifestou-se contra a corrupção e pressionou pela aprovação da Lei da Ficha Limpa.
c) engajou-se nos protestos relâmpago e utilizou a internet para agendar suas manifestações.
d) espelhou-se no movimento estudantil de 1968 e protagonizou ações revolucionárias armadas.
e) tornou-se porta-voz da sociedade e influenciou no processo de impeachment do então presidente Collor.




resposta:[E]
Após uma série de denúncias de corrupção que resultaram na formação de uma comissão parlamentar de inquérito, ganhou corpo uma forte pressão popular sobre o governo Fernando Collor (1990-92). Jovens que ficariam conhecidos como caras-pintadas tomaram as ruas de diversas cidades do Brasil, em defesa da ética e da transparência na condução dos interesses públicos.


Texto para as questões seguintes

Existem jovens que sentem nostalgia por não ter sido jovens em gerações passadas. Saudade do enfrentamento com os militares dos anos 70, da organização estudantil nas ruas, do sonho socialista-comunista-anarquista-marxista-leninista. Ter saudade da ditadura é ter saudade de conhecer a tortura, o medo, a falta de liberdade e a morte. Ser jovem naquela época era coexistir com a morte, ver os amigos ser tirados das salas de aula para o pau-de-arara, para o choque elétrico, para as humilhações. Da mesma forma, quem sente nostalgia dos anos 80 se esquece do dogmatismo limitante das tribos daqueles tempos, fossem punks, góticos ou metaleiros. Hoje, é a vez dos mauricinhos-patricinhas cybermanos-junkies, das raves, do crack, da segurança dos shoppings e do Beira Mar. Um cenário que pode parecer aborrecido ou irritante para muita gente que tem uma visão romântica de outras décadas. Mas nada melhor que a liberdade que temos hoje para saber qual é a real de uma juventude e de uma sociedade. Hoje, a juventude é mais tolerante com as diferenças. Hoje, existem ferramentas melhores para a pesquisa e a diversão. Hoje, a participação em ONGs é grande e isso mostra um país que trabalha, apesar do Estado burocrático. O país está melhor. Falta muito, mas o olhar está mais atento e até o sexo está mais seguro.
Não temos hinos mobilizadores, mas nem precisamos deles.
O jovem de hoje não precisa mais lutar pelo fim da tortura ou por eleições diretas, pois outras gerações já fizeram isso. Se o país necessitar, é verdade, lá estarão eles de cara limpa, pintada, o que for. Mas é bobagem achar, como pensam os nostálgicos, que tudo já foi feito. Há muito por realizar pelo país. Seria bom, por exemplo, se a juventude participasse de forma mais efetiva na luta pela educação e pela leitura. Sim, porque lemos pouco, muito pouco.
Ler mais vai fazer a diferença. Transformar a chatice da obrigação de ler Machado de Assis no prazer absoluto de ler Machado de Assis.
Repensar a escola também é fundamental. Dar ao aluno mais responsabilidade pelo próprio destino e a chance de se auto-avaliar e avaliar seus professores. Reformular o sistema de avaliação e transformar a escola numa atividade de prazer: trazer para dentro dos colégios os temas da atualidade, além de transformar numa atividade doce e trinômio física-química-biologia.
Vivemos num país que mistura desdentados com marombados, famintos com bad boys, motins em prisões com raves na Amazônia, malabares nos cruzamentos com gatinhas tatuadas, crianças com 15 anos na Febem e outras com  15 na Disney. É Macunaíma dando passagem aos tropicalistas, numa maçaroca que é o sambaenredo chamado Brasil. É um país com muitas diferenças – e acabar com elas é papel dos jovens. A juventude deve, acima de tudo, saber desconfiar das verdades absolutas.
Desconfiar sempre é ser curioso, pesquisador, renovador, transgressor. Seja intransigente na transgressão.
Sempre diga não ao não – e desafine o coro dos contentes.
 
19. (cps) O que você lerá, a seguir, foi inscrito há 4 000 anos, em uma placa de pedra, por um anônimo que viveu na região onde hoje é o Iraque:
"O adolescente considera tudo o que é mais antigo do que ele como arcaico e obsoleto. Ao passo que tudo que é seu é novo e criativo, algo que sem dúvida dará certo. Essa praga só pensa em sexo e contestação."
(citado por Roberto Wusthof, "Descobrir o sexo". São Paulo, Ática, 1998)

Relacione o texto que você acabou de ler com o de Serginho Groisman e assinale a alternativa que apresenta uma comparação válida entre os dois.
a) Os dois textos coincidem na idéia de que o jovem despreza e desvaloriza o passado porque não o conhece bem.
b) Enquanto Serginho justifica a atitude da juventude com o argumento de que tudo o que era possível já foi feito pelas gerações anteriores, o escritor anônimo irrita-se com a atitude dos jovens de seu tempo.
c) Os dois textos apresentam de forma negativa a identificação dos jovens aos movimentos que defendem mudanças sociais.
d) Na frase "sempre diga não ao não" Serginho estimula a juventude a desconfiar dos contestadores, identificando-se, dessa forma, com o escritor anônimo que também os critica.
e) O texto mais recente estimula a juventude a lutar contra o conservadorismo; o mais antigo critica o excesso de contestações entre os jovens.


resposta:[E]


20. (cps) Compare as duas frases a seguir, encontradas no texto de Serginho:
1ª frase (sobre a juventude): "Hoje, a juventude é mais tolerante com as diferenças." 2ª frase (sobre o Brasil): "É um país com muitas diferenças - e acabar com elas é papel dos jovens."

Avalie os argumentos a seguir e verifique se eles representam uma interpretação válida do texto:
I. O texto é contraditório, pois ora assinala como positivo ser tolerante com as diferenças, ora propõe que a juventude lute contra ela.
II. Na 1ª frase, a palavra DIFERENÇA foi usada com o sentido de "diversidade", de "não semelhança" e na 2ª frase como sinônimo de "desproporção", de "injustiça".
III. As duas frases se completam: A juventude de hoje é mais tolerante com as diferenças, mas não deveria ser. Deveria acabar com elas.

Pode-se considerar como interpretação válida a contida
a) somente em II e III
b) somente em I e II
c) somente em III
d) somente em II
e) somente em I


resposta:[D]

21. (cps) Analise e compare as duas tirinhas a seguir:
Comparando as duas tirinhas e relacionando-as com o tema "juventude de hoje", é válido afirmar que as duas
a) chamam a atenção para o consumismo como característica dos jovens.
b) relacionam a juventude com o comodismo e o conformismo.
c) denunciam que o progresso tecnológico tem resultado na solidão das pessoas e na observação deturpada dos fenômenos naturais.
d) expressam a tendência dos jovens a se comunicarem com o mundo através da intermediação de aparelhos eletrônicos.
e) demonstram que os nossos contatos com o mundo social são eficientes quando realizados através das tecnologias atuais.

resposta:[D]

22. (cps) Há muito por realizar pelo país", afirma Serginho, conclamando a juventude a lutar pela educação e cultura. "Repensar a escola também é fundamental", diz ele. Sobre esse assunto, observe e analise os quadrinhos a seguir:
Com base no texto do Serginho, são citadas, nas alternativas a seguir, algumas propostas para melhorar nossas escolas. Os dois quadrinhos apresentados referem-se à ausência de uma dessas propostas. Assinale a alternativa que a indica.
a) Trazer para as escolas reflexões e discussões de temas da atualidade de importância social.
b) Incentivar a autonomia do aluno de modo que ele interfira ativamente e com responsabilidade na construção de seu futuro.
c) Estimular o hábito de ler por prazer e não apenas por obrigação.
d) Tornar mais evidentes os objetivos e a importância das atividades curriculares das diferentes matérias estudadas.
e) Dar ao aluno chance de se auto-avaliar e poder dialogar com os professores sobre a sua avaliação.

resposta:[A]


23. (cps) A revista Veja Especial Jovens, edição de junho de 2004, referiu-se aos jovens como uma tribo planetária.
Analise as afirmações a seguir, procurando selecionar aquelas que esclarecem o sentido da expressão em destaque.
I. A juventude mundial está ligada não apenas pelo culto aos artistas ou esportes radicais, mas também às grifes internacionais e nacionais do momento.
II. Até alguns anos atrás, o adolescente praticava esporte na rua, na escola, no clube ou na área de lazer do condomínio. Cada vez mais, no entanto, jovens do mundo todo vêm se deixando seduzir pelas academias.
III. Os jovens estão com a cabeça  no mundo e os pés em casa.
IV. Na hora de decidir, os jovens candidatos ao exame de seleção não sabem o que querem ou querem tanta coisa que não conseguem escolher.

A alternativa que contém todas as afirmações válidas é
a) I, II, III e IV
b) apenas II e IV
c) apenas II e III
d) apenas I e III
e) apenas I e II

resposta:[A]

24. (cps) O texto que introduz esta prova afirma que “...quem sente nostalgia dos anos 80 se esquece do dogmatismo*  limitante das tribos daqueles tempos.”
(*Dogmatismo: atitude dos que querem que sua doutrina ou suasafirmações sejam aceitas como verdadeiras.)

A alternativa que indica uma postura dogmática é
a) A intransigência de quem defende verdades indiscutíveis.
b) A transgressão das certezas passivamente aceitas.
c) A renovação pelo espírito de curiosidade.
d) A desconfiança do cenário dos anos 70.
e) A tolerância da juventude de hoje.

resposta:[A]

25. (cps) Os blogs são uma espécie de diário eletrônico, em que os jovens utilizam uma língua repleta de abreviações e neologismos (palavra ou expressão nova numa língua).
Considere o “pequeno dicionário de bloguês” a seguir.


A alternativa cujo texto apresenta literalmente um convite é
a) Bora pra Ksa?
b) Hj Vc tah tão Fofix como Ont?
c) Kdvc Ont?
d) Vcs Taum em Ksa Hj?
e) Ae kra Fmza?


resposta:[A]

26. (cps) Serginho afirma em seu texto: “Há muito por realizar no país.”
Entre as coisas que o texto aponta como realizações por fazer estão as que abaixo se encontram, exceto uma. Identifique-a:
a) Promover a leitura e a educação, transformar a escola e redefinir o papel do aluno.
b) Eliminar as diferenças sociais, representadas, por exemplo, pelos jovens desdentados e marombados do país.
c) Buscar a superação dos problemas atuais mediante uma atitude renovadora.
d) Manter uma atitude saudosista e nostálgica dos jovens dos anos 70, que souberam enfrentar a ditadura e, conseqüentemente, a tortura, o medo, a falta de liberdade e a morte.
e) Posicionar-se criticamente em relação à aceitação do país que temos, desconfiando das verdades dadas como absolutas e de todas as proibições.

resposta:[D]

27. (UEL) “O etnocentrismo pode ser definido como uma “atitude emocionalmente condicionada que leva a considerar e julgar sociedades culturalmente diversas com critérios fornecidos pela própria cultura. Assim, compreende-se a tendência para menosprezar ou odiar culturas cujos padrões se afastam ou divergem dos da cultura do observador que exterioriza a atitude etnocêntrica. (...) Preconceito racial, nacionalismo, preconceito de classe ou de profissão, intolerância religiosa são algumas formas de etnocentrismo”.
(WILLEMS, E. Dicionário de Sociologia. Porto Alegre: Editora Globo, 1970. p. 125.)


Com base no texto e nos conhecimentos de sociologia, assinale a alternativa cujo discurso revela uma atitude etnocêntrica:

a) A existência de culturas subdesenvolvidas relaciona-se à presença, em sua formação, de etnias de tipo incivilizado.
b) Os povos indígenas possuem um acúmulo de saberes que podem influenciar as formas de conhecimentos ocidentais.
c) Os critérios de julgamento das culturas diferentes devem primar pela tolerância e pela compreensão dos valores, da lógica e da dinâmica própria a cada uma delas.
d) As culturas podem conviver de forma democrática, dada a inexistência de relações de superioridade e inferioridade entre as mesmas.
e) O encontro entre diferentes culturas propicia a humanização das relações sociais, a partir do aprendizado sobre as diferentes visões de mundo.


resposta:[A]


28. (CNDL) Associe corretamente as colunas.


(A) Juventude dos anos 1960 e 1970.
(B) Juventude dos anos 1980.
(C) Juventude dos anos 1990.
(D) Juventude do novo milênio.


(1) A privacidade fica exposta para quem quiser ver, principalmente nos sites de relacionamento. Não possui grandes reivindicações e é marcada pelo grande consumismo.
(2) Bastante engajada, reivindicavam liberdade política e de expressão, contestavam o status quo, à situação econômica e política da época e, apresentavam principalmente uma contestação da moralidade.
(3) Apresentavam uma linguagem mais individualista e menos coletivista nas contestações, pois já desfrutavam da liberdade de expressão.
(4) Defendiam as relações afetivas menos compromissas, o namoro deu lugar ao “ficar”. As reivindicações e conquistas ficaram em torno da sexualidade.


Assinale a seqüência correta.

A) A-2, B-3, C-4, D-1
B) A-1, B-2, C-3, D-4
C) A-4, B-1, C-2, D-3
D) A-4, B-3, C-1, D-2
E) A-3, B-4, C-2, D-1


resposta:[A]


29.. (UEM ) Considerando as reflexões sociológicas sobre o conceito “cultura”, assinale o que for correto.

I - O processo de modernização das sociedades gera impactos na manifestação das tradições populares, o que, segundo algumas vertentes sociológicas, pode modificar as práticas culturais, mas dificilmente extingui-las.
II - A variedade das culturas acompanha, por um lado, a pluralidade da história humana e, por outro, os processos de transformação social. Assim, dentro de um mesmo território, é possível coexistirem diversos padrões culturais.
III - Ao observar as tradições culturais manifestas nas colônias portuguesas, a sociologia construiu o consenso de que a cultura do branco europeu é superior à do indígena e à do africano.
IV - Algumas abordagens sociológicas buscam observar os elementos materiais e não materiais das manifestações culturais, com o objetivo de compreender as funções sociais dessas manifestações.
V - Ao longo do século XX, a Sociologia acumulou conhecimento suficiente para concluir que a cultura não sofre efeitos do desenvolvimento das tecnologias de comunicação, tais como o cinema, a televisão e a internet.


Estão corretos os itens:

a) I, II e III.
b) II, III e IV
c) III, IV e V
d) I, II e IV
e) II, IV e V

resposta:[D]


30. O conceito antropológico de cultura define o termo como:

a) um elemento que aproxima os homens dos animais;
b) uma função orgânica do homem;
c) um elemento que garante a homogeneidade entre os povos;
d) um traço distintivo do homem, mas que não é homogêneo;
e) as capacidades e os hábitos esquecidos pelo homem;

resposta:[D]

 

terça-feira, 21 de junho de 2011

Indivíduo, identidade e socialização

Sociologia
Coleção Pitágoras - Ensino Médio
Primeiro Ano
Unidade 3
Indivíduo, identidade e socialização

Confira a música "Eu", da banda Pato Fu

A questão da identidade

Desafiando

Observe as duas imagens a seguir: a de um antigo e a de um atual noticiário da TV.

Gontijo Teodoro estréia na TV Tupi no Rio de Janeiro, em 1952, o seu Repórter Esso, que ficou no ar durante 18 anos e 9 meses.

CNN Headline News

1. Destaque as diferenças que as duas imagens apresentam.

2. Observando as imagens, quais transformações sociais podem-se deduzir que ocorreram na sociedade: Relacione pelo menos quatro.

3. De todas essas mudanças vivenciadas na sociedade, qual delas tornaram-se problemas sociais? Indique as mudanças e os problemas.

4. A partir das duas imagens de noticiários de TV, é possível descrever uma identidade nacional nas duas épocas citadas. Descreva semelhanças e as diferenças dessa identidade. Contextualize as imagens em relação ao tempo histórico.

Observe as duas imagens.

5. Agora busque uma fotografia sua de dez anos atrás e uma bem recente. Compare as duas e observe as mudanças, não só as físicas, mas também as interiores e responda: quem você era e quem você é agora? Das mudanças observadas em você, quais foram para melhor e quais se tornaram problemas?


A pergunta a seguir e o próximo texto propõem uma mudança de enfoque no tema abordado anteriormente. Para tanto, responda às perguntas e depois faça uma relação de suas respostas com o texto.


6. Você tem medo de dizer NÃO para pessoas que lhe são próximas? Por quê?

Agora você já respondeu às questões propostas, leia o texto a seguir e relacione-o com suas respostas e com a sociedade brasileira.


Ponto de vista: Claudio de Moura Castro
Sociedade cordial

"Quem sabe, por falta de hecatombes,
a história deixou de nos ensinar a tomar
decisões duras e penosas, as que cortam
na carne, as que pisam nos calos de muitos"

Quais países do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) têm mais futuro? Nas vantagens do Brasil, mencionam-se a nossa tolerância e o nosso pacifismo, bem como a capacidade de lidar com a diversidade e evitar confrontações brutais. Tal argumento traz a inevitável lembrança do "homem cordial" de Sérgio Buarque de Hollanda – de que muitos falam, alguns discordam e que poucos leram. Não me atrevo a passar a limpo tal encrenca. Mas o homem cordial pode inspirar um passeio pela história. Comparativamente, tivemos poucos eventos traumáticos, sangrentos e que tivessem requerido decisões dramáticas (exceto para os pobres, de pouca ressonância na nossa cultura). Dos piores episódios, sobressaem a Guerra do Paraguai e a de Canudos. Mas, em ambos os casos, o governo foi tragado passivamente, não tendo alternativa senão salvar seu território.

Ilustração Atomica Studio


Os Estados Unidos enfrentaram uma guerra sangrenta para alcançar sua independência. A nossa foi assunto de família, resolvido com elegância. A Revolução Francesa abalou os alicerces da nação, dizimou a aristocracia e, por décadas, deu emprego aos operadores de guilhotinas. Nossa república é fruto de uma quartelada. Nos EUA, a liberação dos escravos precipitou uma das guerras civis mais brutais da história. Nela perderam a vida 620.000 soldados (três vezes o Exército brasileiro de hoje). No Brasil, a escravidão acabou, com uma
penada, quando já estava moribunda. Nunca tivemos um presidente assassinado. Que lição de civismo para os Estados Unidos! Nossas quarteladas do século XX são de opereta. Note-se que, nos vinte anos de período militar, morreram menos pessoas do que na confrontação de estudantes com a polícia em um estádio de futebol do México. E as matanças desenfreadas nas muitas revoluções mexicanas ou os milhares de mortos e desaparecidos no Chile e na Argentina? A Europa viveu duas grandes guerras, devastadoras, quando até a classe média passou fome. Na segunda, 52 milhões de pessoas pereceram. E isso depois das infindáveis guerras do passado, incluindo uma que se chamou Guerra dos 100 Anos! Não faz muito tempo, na Indonésia, 150.000 civis foram fuzilados em poucos dias. No Camboja e em Ruanda, fala-se de milhões de mortos. Só por obra de Mao, na China, foram-se 70 milhões.

Homem cordial? Sociedade cordial? Alguma coisa diferencia a nossa história, poupada dos cataclismos medonhos que causaram indizível sofrimento a outros países. Louvemos os deuses. Mas há o reverso da medalha.

O Estado brasileiro não precisou tomar decisões cruéis, de vida ou morte ou diante de invasores mais fortes. Tampouco manejar pela força transformações de sistemas políticos ou econômicos, como na Rússia, no início do século passado, quando os alicerces foram sacudidos pela revolução comunista e se sucederam choques fratricidas. Anos antes, seus generais haviam incendiado e devastado uma faixa de terra de 100 quilômetros de largura, do próprio território, para derrotar as tropas de Napoleão.

Quem sabe, por falta de hecatombes, a história deixou de nos ensinar a tomar decisões duras e penosas, as que cortam na carne, as que pisam nos calos de muitos. Em situações em que não há consenso, ficamos paralisados. Toleramos o intolerável quando não encontramos um desenlace de conciliação.

Nossa sociedade, medrosa e indecisa, conviveu por meio século com a inflação. Não teve coragem de reformar a Previdência, os impostos, a lei eleitoral, a trabalhista, a sindical, a judicial e muitas outras. Deputados não ousam punir colegas delinqüentes. Não fazemos as reformas econômicas profundas, como fizeram Argentina, Peru e Chile. Assistimos impassíveis à nossa economia ser corroída pela China. Diante das desigualdades seculares, oferecemos esmolas pré-eleição. Sonhamos com a volta de dom Sebastião – ou do Juscelino.

Será que esse é o preço de uma história mais plácida, que exigiu menos decisões dramáticas dos grandes atores? Será que, por não havermos passado por situações de vida e morte, não aprendemos a tomar decisões penosas? Nosso homem cordial prefere viver com os problemas a enfrentá-los, quando as soluções são conflitantes?

Claudio de Moura Castro é economista
(Claudio&Moura&Castro@attglobal.net)

7. Observe as palavras em negritos no texto e, analisando o contexto, dê significado a elas.

8. O que é “sociedade cordial” de acordo com o texto?

9. Que características da sociedade brasileira o autor salienta para fundamentar seu argumento de que temos uma sociedade cordial?

10. Discuta em grupo: nossa identidade interfere na identidade nacional ou a identidade nacional interfere na nossa identidade?

Confrontando

Para construirmos conhecimento, necessitamos confrontar nossas ideias e convicções. Leia os textos que se seguem e confronte as ideias apresentadas por eles, com as observações e as análises elaboradas por você nas situações que foram propostas anteriormente.

A diversidade do processo de socialização: família, escola, religião e meios de comunicação

Quando abordamos o tema indivíduo, identidade e socialização, intercambiamos vários fatores que influenciam na formação da pessoa. Família, escola, religião e os meios de comunicação agem diretamente nesse processo e é esse assunto que vamos explorar agora.

11. Discuta com seu colega: de que maneira você percebe a influência da família, da escola, da religião e dos meios de comunicação na sua própria formação?

A FAMÍLIA

Uma criança, ao nascer, já encontra um mundo organizado e pronto para ser utilizado e, ao longo do seu processo de crescimento, vai se adaptando e aprendendo a linguagem e os costumes; vai se aprimorando com as tecnologias existentes e também com a história do seu povo e do seu meio. Encontra-se na família, nas suas diversas maneiras de se organizar, o primeiro contato das crianças com esse mundo da linguagem, dos costumes e das tecnologias.

Dentro da família, observam-se mudanças significativas que afetam a escola. Atém bem pouco tempo. Era “natural” encontrarmos famílias numerosas: seis, sete, oito ou mais filhos. A estrutura familiar era muito diferente da dos dias atuais. Era comum a divisão de tarefas da casa entre os filhos, coordenados, a todo momento, pela mãe, a famosa “dona de casa” ou “do lar”. O pai era o provedor; a mãe, a conselheira, a “companheira”, a educadora.

Hoje existe uma estrutura familiar diferente, e a mulher começou a conquistar espaços antes reservados apenas aos homens; a mãe agora trabalha fora, impulsionada pela crise financeira e/ou pelo desejo de ser tratada e considerada como ser humano pleno. Tal situação já provoca consequencias significativas, a começar pelo tamanho das famílias. Sem nenhuma comprovação estatística, observam-se famílias de menor porte. Já não há tarefas há dividir, pois a empregada doméstica ou faxineira cuida dos afazeres da casa. Os filhos iniciam, muito cedo, a vida escolar devido à ausência da mãe, agora trabalhando fora. O pai continua com o status de provedor, mas dependente do salário da mãe, pois esse se faz necessário para as despesas e, consequentemente, é também chamado à tarefa de educador. Nota-se aqui uma crise de identidade do papel do pai ou mesmo do homem nessa nova maneira de a sociedade se estabelecer.

Essas mudanças são bastante recentes, provocando impasses e contradições. Pais cobram das mães a ausência do lar e na educação dos filhos. Os próprios filhos cobram dos pais e das mães presença, atenção e carinho.

A questão da liberdade entre em cena, muitas vezes, transformada em libertinagem pla permissividade dos pais e pela falta de limites, provocada pela ausência da mãe e do pai. Tal ausência leva os pais a um sentimento de culpa que estes tentam minimizar cedendo às “chantagens” dos filhos, em atitudes compensatórias. Muitos ainda confundem limite com autoritarismo e repressão, resquícios dos tempos da ditadura ou da própria educação que receberam.

É interessante observar que, junto a essas mudanças, acontecem também avanços tecnológicos que colaboram para um novo ritmo de vida das pessoas e das famílias. Há poucos anos, não imaginávamos, no nosso cotidiano, máquinas de lavar roupa e louça, micro-ondas, DVD, vídeo game, microcomputador, celular, MP3, fax, internet, etc. Todas essas fantásticas máquinas e tecnologias propiciam rapidez e conforto para país, mães e filhos.

Percebe-se essa tecnologia avançando rapidamente, concomitante às mudanças dos hábitos da família, contribuindo decididamente para uma significativa crise de valores. Isso porque nossos conceitos morais, nossa mentalidade não acompanham o ritmo dos avanços tecnológicos. Hoje se vivencia uma estrutura familiar diferente daquela de 20 anos atrás, mas continua a se conviver com conceitos e preconceitos de família do século passado, ou seja, vivenciam-se novos hábitos, mas com valores antigos. Reside aqui um grande desafio a ser superado pelas famílias de hoje: repensar valores e adapta-los às exigências da atualidade.

A escola está inserida nessa realidade de conflito ético, pois recebe o filho dessa nova família, e também ela convive com seus conflitos institucionais de modernização e adaptação a uma realidade democrática, questionando-se sobre a sua postura ideológica.

Também os professores vivenciam um conflito semelhante, pois percebem que os alunos não são mais como antes, passivos e “obedientes” às suas “verdades”, resquícios de uma pedagogia autoritária. Estes, por sua vez, acabam vivenciando o conflitos dos pais, pois não sabem conviver com limites numa perspectiva não autoritária e nem transformar as aulas em um espaço de construção de conhecimento e de exercício da democracia e da liberdade, insistindo apenas nas aulas expositivas e explicativas, que não levam o aluno ao crescimento necessário para a sua formação integral, exigência dos dias atuais.

Pode-se concluir que a educação escolar de um passado recente não evoluiu numa perspectiva de autonomia, ou seja, não se educou para o autogoverno, para se ter senso crítico, criatividade, etc. O pior é que se continua reproduzindo essa educação para outras gerações, não porque se quer, mas porque ainda se está aprendendo ou reaprendendo a educar num outro referencial de liberdade e de não repressão. Muitas vezes, pais e educadores tornam-se aprendizes com filhos e alunos, pois eles não carregam em si os “genes” da educação da época da ditadura, Muitos país e professores, às vezes, sentem-se perdendo autoridade e acabam se tornando mais autoritários ainda.

A partir de todas essas reflexões, percebem-se como necessárias novas posturas e atitudes para a escola e a família, a fim de adequarem-se para uma nova ordem moral e ética exigida pela realidade atual.

Escola precisam sair da postura de apenas lugar de transmissão de informações e assumir a postura mais interativa – de oficina - , onde o aluno não vai apensas copiar, mas construir conhecimento; onde alunos e professores irão criar através de pesquisas do conhecimento já estabelecido, sem a preocupação de simplesmente preparar o aluno para uma fase posterior da sua vida.

Tornar a escola um espaço de “ações produtivas” é provocar desafios nos alunos, que os levem a usar operações mentais contrárias à passividade mental exigida atualmente para a recepção das transmissões que já ocorrem; fazer da escola um espaço para o exercício da cidadania com atitudes concretas, tanto dentro quanto fora da sala de aula, chamando os alunos à discussão sobre normas e regras de funcionamento da escola e à confecção dessas. A aula não deve ser somente um espaço de transmissão e construção de conhecimento, mas de exercício de valores fundamentais para a formação da pessoa humana, tais como: respeito pela responsabilidade e não pelo medo; liberdade, observado o limite de cada um e não transformada em libertinagem do “eu faço o que quero”; participação pelo “sentir-se parte” e não pela obediência às ordens.

À família cabe ocupar os filhos, mas não preencher-lhes o tempo apenas, como ocorre, na maioria das vezes, com o excesso de atividades, tais como escolinhas de esportes, balé, inglês, aulas particulares, etc. Ocupa-los com afazeres de responsabilidades práticas, como arrumar sua cama, seu quarto, cuidar de algum animal, levar o lixo para o latão, preparar o lanche da noite de algum dia da semana, administrar suas despesas e várias outras atividades necessárias numa casa. A intenção aqui é apenas que os filhos valorizem e respeitem trabalhos considerados por eles mesmos, principalmente para famílias mais favorecidas economicamente.

A escassez do tempo nos dias de hoje é um fato concreto, por isso devem-se transformar em qualitativos os encontros dos pais com os filhos. Isso significa apenas um mínimo de atenção e carinho. Escolas devem deixar de ser, para os pais, apenas mais um local para entreter os filhos. Famílias devem deixar de ser para as escolas e professores as únicas responsáveis pelos fracassos, insucessos e “falta de educação” dos alunos. É chegada a hora de todos assumirem as suas responsabilidades sem ficarem transferindo-as para os outros. Se cada um fizer a sua parte, ou pelo menos tentar e não desistir, acontecerão ações concretas para a transformação dessa realidade mesquinha e individualista.

Não é tarefa fácil, pois mudar mentalidades é o mais difícil. A sociedade precisa desaprender para aprender, deseducar para educar.

A partir do texto, reflita a respeito das ideias apresentadas, discuta com seus colegas e responda à questão a seguir.

12. Qual é o contraste que o texto apresenta entre a família do século passado e a atual? Como isso influencia diretamente no jeito de ser da escola?

Agora, leia a música dos Titãs




Família

Titãs

Composição: Arnaldo Antunes / Toni Bellotto

Família! Família!

Papai, mamãe, titia

Família! Família!

Almoça junto todo dia

Nunca perde essa mania...

Mas quando a filha

Quer fugir de casa

Precisa descolar um ganha-pão

Filha de família se não casa

Papai, mamãe

Não dão nem um tostão...

Família êh! Família ah!

Família! oh! êh! êh! êh!

Família êh! Família ah!

Família!...

Família! Família!

Vovô, vovó, sobrinha

Família! Família!

Janta junto todo dia

Nunca perde essa mania...

Mas quando o nenêm

Fica doente

Uô! Uô!

Procura uma farmácia de plantão

O choro do nenêm é estridente

Uô! Uô!

Assim não dá pra ver televisão...

Família êh! Família ah!

Família! oh! êh! êh! êh!

Família êh! Família ah!

Família! hiá! hiá! hiá!...

Família! Família!

Cachorro, gato, galinha

Família! Família!

Vive junto todo dia

Nunca perde essa mania...

A mãe morre de medo de barata

Uô! Uô!

O pai vive com medo de ladrão

Jogaram inseticida pela casa

Uô! Uô!

Botaram cadeado no portão...

Família êh! Família ah!

Família!

Família êh! Familia ah!

Família! oh! êh! êh! êh!

Família êh! Família ah!

Família! hiá! hiá! hiá!

13. Os Titãs, em sua canção, ironizam algumas atitudes típicas da família, destaque-as e apresente as críticas que eles promovem com essa ironia.

A RELIGIÃO

A influência religiosa nas atitudes das pessoas é muito grande e, na maioria das vezes, imperceptível. Essa influência encontra-se automatizada, pois já foi totalmente internalizada. A educação e os costumes são os maiores instrumentos para a formação dessa ação automática.

Na cultura cristã, o perdão é um dos maiores instrumentos de convivência entre os seres humanos. Na cultura judaica, com todas as atrocidades que viveram, no período do holocausto, os judeus pregam o ser justo para com o outro e defendem que querer justiça para si é um mecanismo de convivência entre as pessoas.

Podem-se observar pessoas que se dizem céticas a qualquer concepção religiosa, mas convivem com um mundo religioso que, sem que percebam, influencia suas atitudes. É muito comum ouvir de ateus convictos, em situação de perigo, um “graças a Deus” sem nenhum constrangimento.

Houve um tempo em que religião e Estado confundiam-se, e todas as ações individuais eram controladas por um código moral que determinava as atitudes das pessoas. Era um tempo teocêntrico, em que Deus em que Deus era a referência para tudo e para todos. Com o avanço da ciência e a emancipação humana, passou-se para um tempo antropocêntrico, em que o ser humano é o referencial central, manifestado na valorização da racionalidade.

Períodos históricos são hegemônicos, não totalitários: isso significa que prevalece um tempo de pensar e agir, mas isso não significa que não existam outras maneiras. Os costumes não são modificados instantaneamente, levam um bom tempo para sofrerem alterações.

A sociedade mundial encontra-se num período de transição, em que o teocentrismo não faz mais sentido, e o antropocentrismo é questionado. Argumentos dos dois períodos são valorizados e resgatados provocando uma transição para o biocentrismo, em que a vida é o referencial que governará nossas atitudes. Esse período está por acontecer ou ainda não se faz hegemônico no mundo. Mesmo com a possibilidade dessa transição, mentalidades de um período teocentrico ainda influenciam, diretamente, nossas atitudes. As religiões não são estáticas, acompanham as mudanças do mundo e também se transformam para permaneceram atualizadas.

Releituras são feitas para atualizar o discurso e justificar a continuidade da existência das diversas religiões.

A cultura mundial tem impregnados em si diversos costumes influenciados pelas religiões, a começar pela contagem do tempo, antes de Cristo e depois de Cristo, e o próprio calendário com os diversos feriados religiosos que existem ao longo do tempo.

De tempos em tempos, com maior ou menor influência, evidencia-se o poder das religiões sobre as pessoas.

14. Faça um levantamento de situações do cotidiano, em que há, direta ou indiretamente, a influência da religião na vida das pessoas.

OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO

Agora, vamos pensar nos meios de comunicação existentes na sociedade atualmente: temos do jornal impresso à internet, rede de computadores interligados entre si; a televisão, com seus diversos programas e com acesso à TV a cabo e a variedade desses, tornou-se extremamente maior; sem esquecer que o rádio nunca perde o seu espaço e permanece presente na vida das pessoas. Para aprofundarmos o tema, acompanharemos fragmentos do texto de Luís Felipe Miguel, que é doutor em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

"Para a maioria das pessoas, só existem dois lugares no mundo: o lugar onde elas vivem e a televisão". A frase da personagem de Ruído branco, o romance de Don DeLillo (1987, p. 69), sintetiza a presença da mídia – que a televisão simboliza, na qualidade de meio dominante – no mundo contemporâneo. Dela provêm, direta ou indiretamente, por meio de noticiários ou programas de entretenimento, quase todas as informações de que dispomos para situarmo-nos no mundo. Por meio dela, ganhamos acesso a uma experiência vicária que multiplica muitas vezes as nossas próprias vivências.

Estamos tão imersos no discurso midiático que, muitas vezes, nem percebemos a extensão de sua presença1 . Mas, quando paramos para refletir, verificamos que o impacto da mídia é perceptível em todas as esferas de nossa vida cotidiana. Já o advento da imprensa diária, no século XVIII, fez da leitura dos jornais um novo ritual, sobretudo para as camadas urbanas mais cultas. No século XX, o rádio e, em seguida, a televisão alteraram toda nossa gestão do tempo, seja pelo surgimento da simultaneidade da informação, seja pela adequação da rotina à emissão dos programas. [...]

Ainda mais significativa do que o aumento do tempo dedicado ao consumo da mídia é a ampliação exponencial da quantidade de informações de que cada indivíduo dispõe, para além de seu círculo de convívio direto. [...]O que chega a cada um de nós, individualmente, porém, é apenas uma parte diminuta das informações produzidas. Uma única edição dominical de um grande jornal levaria várias semanas para ser lida na íntegra. No dia-a-dia, um misto de escolha e acaso filtra o conjunto de informações que cada indivíduo específico recebe. O acompanhamento da totalidade do conteúdo da mídia, ainda que por um curto lapso de tempo, é tarefa irrealizável, como bem sabem os pesquisadores da área.

Uma das análises mais perceptivas do impacto da mídia eletrônica sobre o tecido social foi feita por Joshua Meyrowitz (1985). Ele mostrou como os meios de comunicação, sobretudo a televisão, romperam barreiras entre espaços sociais antes relativamente estanques. Quando mulheres e homens ou jovens e adultos compartilham das mesmas informações, por assistirem aos mesmos programas, torna-se mais difícil decretar que "isto não é assunto de mulher" ou "isto não é assunto de criança". Assim, diz ele, a mídia alterou toda a "geografia situacional" da vida social.

Nas formas da ação política, em especial, o impacto dos meios de comunicação de massa é gigantesco. De maneira esquemática, é possível assinalar quatro dimensões principais nas quais a presença da mídia faz-se sentir, alterando as práticas políticas2:

1. a mídia tornou-se o principal instrumento de contato entre a elite política e os cidadãos comuns. As conseqüências desse fato são importantes: ele significa que o acesso à mídia substitui esquemas políticos tradicionais e, notadamente, reduz o peso dos partidos políticos. A literatura costuma apresentar, entre as principais funções dos partidos, a de serem ferramentas que permitem que a cúpula mobilize seus apoiadores e, por meio deles, alcance o conjunto dos cidadãos; inversamente, que recolhem demandas das pessoas comuns, permitindo assim que elas cheguem às esferas de exercício do poder. Os meios de comunicação de massa suprem, em grande parte, ambas as funções, contribuindo para o declínio da política de partidos (WATTENBERG, 1998).

2. Por efeito dessa predominância como instrumento de contato, o discurso político transformou-se, adaptando-se às formas preferidas pelos meios de comunicação de massa. É comum o lamento de que os "políticos de todas os matizes têm revelado uma tendência a descaracterizar seu próprio discurso e incorporar o estilo midiático" (SARTI, 2000, p. 3; grifo suprimido). O problema desse tipo de formulação é que ele supõe a existência de um modo do discurso propriamente político – quando, na verdade, ele é mutável, de acordo com o contexto histórico em que se inclui e com as possibilidades técnicas de difusão de que dispõe. Assim, é necessário compreender as transformações que os meios eletrônicos de comunicação impuseram ao discurso sem um fundo normativo que diga qual é o "verdadeiro" discurso político, livre de contaminações.

Na época de predomínio da televisão, em especial, avulta o peso da imagem dos políticos e, o que talvez tenha conseqüências ainda mais importantes, o discurso torna-se cada vez mais fragmentário, bloqueando qualquer aprofundamento dos conteúdos (MIGUEL, 2000, p. 72-78). A fragmentação do discurso não é uma imposição técnica da televisão, mas fruto dos usos que se fizeram dela. O resultado é que a fala-padrão de um entrevistado em um telejornal, por exemplo, é de poucos segundos e as expectativas dos telespectadores adaptaram-se a essa regra. Os políticos, em conseqüência, também. Abreviar a fala, reduzi-la a umas poucas palavras, de preferência "de efeito", tornou-se imperativo para qualquer candidato à notoriedade midiática. Em um estudo muito citado, que abriu caminho para pesquisas posteriores, Daniel C. Hallin (1992) observou como tal fenômeno manifestou-se nas campanhas presidenciais estadunidenses, culminando em falas editadas dos candidatos com, em média, cerca de 8 segundos.

3. Conforme uma vasta literatura aponta, a mídia é o principal responsável pela produção da agenda pública, um momento crucial do jogo político. A pauta de questões relevantes, postas para a deliberação pública, é em grande parte condicionada pela visibilidade de cada questão nos meios de comunicação. Dito de outra maneira, a mídia possui a capacidade de formular as preocupações públicas. O impacto da definição de agenda pelos meios de comunicação é perceptível não apenas no cidadão comum, que tende a entender como mais importantes as questões destacadas pelos meios de comunicação, mas também no comportamento de líderes políticos e de funcionários públicos, que se vêem na obrigação de dar uma resposta àquelas questões.

4. Mais do que no passado, os candidatos a posições de destaque político têm que adotar uma preocupação central com a gestão da visibilidade. Não se trata de singularizar a época atual pela presença do "espetáculo político", já que aspectos similares fazem parte das práticas políticas desde há muito, como foi demonstrado exemplarmente para a França de Luís XIV (APOSTOLIDÈS, 1993; BURKE, 1994). Os pontos centrais são outros. Há, em primeiro lugar, a busca do fato político (aquele que é assim reconhecido pela mídia), como forma de orientar o noticiário e, dessa forma, influenciar a agenda pública, o que implica a absorção de critérios de "noticiabilidade" por parte dos atores políticos. Além disso, a visibilidade na mídia é, cada vez mais, componente da produção do capital político. A presença em noticiários e talk-shows parece determinante do sucesso ou fracasso de um mandato parlamentar ou do exercício de um cargo executivo; isto é, na medida em que deve acrescentar algo ao capital político próprio do ocupante. A notoriedade midiática é condição necessária para o acesso às posições mais importantes do campo político.

Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-44782004000100002&script=sci_arttext acesso em: 08 set. 2011. (Fragmento)

15. Vamos levantar um problema a ser discutido e pesquisado: nos dias de hoje, estariam os meios de comunicação substituindo predominantemente as religiões no processo de influência direta aos indivíduos? Inicialmente discutam, entre vocês, se concordam ou discordam e quais argumentos apresentam para defender suas ideias. Posteriormente, façam entrevistas com diversas pessoas, comparem-nas e tirem suas conclusões. Registrem os procedimentos utilizados no trabalho e a conclusão elaborada.



Resolução comentada das questões

1. Na primeira imagem, observamos a tela limpa, apenas a logomarca do telejornal. Já na outra imagem, temos um excesso de informações ao mesmo tempo, como letreiros trazendo informações e o apresentador, dentre outras.

2. A importância da imagem na sociedade atual; avanços tecnológicos ligados à informática; necessidade de maior velocidade das informações; maior facilidade e maior acesso às informações; entre outras.

3. Ao mesmo tempo em que os avanços tecnológicos propiciam melhorias às pessoas, eles também provocaram maior diferença social. Acesso facilitado, mas para quem possui recursos financeiros, provocando o analfabetismo virtual; uma grande preocupação com a imagem e a desvalorização do conteúdo.

4. As épocas nos remetem à questão política. Na primeira imagem, vivemos um período de censura às informações e expressão de ideias, o que não acontece nos dias atuais, época da segunda imagem. Com isso, há identidades distintas. No passado: ausência de liberdade, regime político autoritário/repressor, população pouco informada, manipulação dos meios de comunicação. Nos dias de hoje, excesso de liberdade e informação, ausência de limites e preocupação com a imagem.

5. Uma resposta possível: hoje sou um jovem com meus desejos e interesses mais definidos do que aos 6/7 anos, mais autônomos, mais independente dos meus pais. Antes não duvidava de nada que meus pais falavam, hoje tenho minhas próprias ideias, que, muitas vezes, acabam levando a conflitos com meus pais, pois eles não concordam comigo, nem eu com eles. A independência é a grande mudança, como ela não é total, por isso torna-se também um problema.

6. Uma resposta possível: Não, pois considero melhor dizer o que penso do que enganar as pessoas.

Sim, pois sinto-me acanhado diante do outro e não dou conta de expor minhas próprias ideias e fico com medo de perder as amizades ou o carinho dos meus pais.

7. Quartelada - nossa República não foi alcançada a partir de um grande conflito, em que a população estivesse envolvida. A quartelada foi exatamente porque o povo brasileiro não fez parte do processo de transformação do Império em República, ficando apenas reservada aos quartéis.

Penada - o processo de libertação dos escravos ocorreu através de uma lei, Penada, da princesa Isabel, de que em nenhum outro acontecimento da história brasileira ela fez parte.

Hecatombes - nossa história não possui nenhum grande conflito, em que nos confrontamos entre nós mesmos.

8. Tivemos poucos eventos traumáticos, sangrentos e que tivessem requerido decisões dramáticas (execeto para os pobres, de pouca ressonância na nossa cultura). Alguma coisa diferencia a nossa história, poupada dos catecismos medonhos que causaram indizível sofrimento a outros países. A história deixou de nos ensinar a tomar decisões duras e penosas, as que cortam na carne, as que pisam nos calos de muitos. Isso caracteriza a Sociedade Cordial.

9. Em situações em não há consenso, ficamos paralisados. Toleramos o intolerável quando não encontramos um desenlace de conciliação. Nossa sociedade, medrosa e indecisa, conviveu, por meio século, com a inflação. Não teve corragem de reformar a Previdência, os impostos, a lei eleitoral, a trabalhista, a sindical, a judicial e muitas outras. Deputados não ousam punir colegas delinquentes. Não fazemos reformas econômicas profundas, como fizeram Argentina, Peru e Chile. Assistimos impassíveis à nossa economia ser corroída pela China. Diante das desigualdades seculares, oferecemos esmolas pré-eleição. Sonhamos com a volta de Dom Sebastião - ou do Juscelino.

10. Há interferência dos dois lados, somos produto do meio e agimos sobre esse meio.

11. Todos esses instrumentos - família, escola, meios de comunicação e religião - encontram-se intensamente no nosso dia a dia e a todo momento influenciando nossa formação. A família nos dá os limites do que podemos ou não fazer; a escola, além das letras, sociabiliza-nos, dando-nos noção da convivência em sociedade; os meios de comunicação nos informam e influenciam nossos desejos, principalmente os de consumo; a religião, quando a professamos, age sobre nossa moral, quando não a professamos, já nos dita algumas regras, que não temos escolha, por exemplo, o calendário.

12. As famílias eram numerosas, com muitos filhos, que, sob a orientação da mãe, que não trabalhava fora, dividiam as tarefas de casa, provocando um saber prático, Hoje as famílias reduziram o tamanho, um ou dois filhos, em média. A mãe trabalha fora e com isso o trabalho doméstico foi terceirizado. Essas mudanças afetam diretamente a escola, pois elas precisam assumir funções, como o saber prático, que as famílias não oferecem mais.

13. A canção faz uma crítica a uma moralidade velada, pois a mulher não pode ter autonomia, ressalta o papel do pai e da mãe, a partir dos medos presentes na música, com se, na família, cada um tivesse um papel a cumprir.

14. A religião, nos influencia diretamente com os ensinamentos que contribuem para a formação moral: sentindo de justiça, sociedade, solidariedade, compaixão e amor. Indiretamente, a moral cristã está enraizada na sociedade, o calendário, antes e depois de Cristo, as festas comemorativas e seus feriados - Natal, Semana Santa, Corpus Christi, etc.

15. A secularização da sociedade, em que a influência religiosa vai se extinguindo, o aumento da informação e do conhecimento, a desmistificação de vários fenômenos, antes considerados sobrenaturais, provocam um afastamento das religiões e dos seus ensinamentos. Com isso, os meios de comunicação, principalmente através das telenovelas, assumem, ou tomam para si, um papel de forte influência sobre as pessoas, vinculadas ao desejo de consumo.