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sábado, 9 de março de 2013

Confira a correção do Notrevest - Primeiro ano



SOCIOLOGIA



Primeiro Ano
 

45. (Unicentro 2012) Considerando-se as grandes mudanças que ocorreram na história da humanidade, aquelas que aconteceram no século XVIII — e que se estenderam no século XIX — só foram superadas pelas grandes transformações do final do século XX. As mudanças provocadas pela revolução científico-tecnológica, que denominamos Revolução Industrial, marcaram profundamente a organização social, alterando-a por completo, criando novas formas de organização e causando modificações culturais duradouras, que perduram até os dias atuais.



DIAS, Reinaldo. Introdução à sociologia. São Paulo: Persons Prentice Hall, 2004.



Sobre o surgimento da Sociologia e as mudanças ocorridas na modernidade, é correto afirmar:



a) A intensificação da economia agrária em larga escala nas metrópoles gerou o êxodo para o campo.

b) O aparecimento das fábricas e o seu desenvolvimento levou ao crescimento das cidades rurais.

c) O aumento do trabalho humano nas fábricas ocasionou a diminuição da divisão do trabalho.

d) A agricultura familiar desse período foi o objeto de estudo que fez surgir as ciências sociais.

e) A antiga forma de ver o mundo não podia mais solucionar os novos problemas sociais.



46. (Uffs 2011) Podemos conceituar a Sociologia como a ciência que estuda as relações sociais e as formas de associa­ção, considerando as interações que ocorrem na vida em sociedade. No entanto, só passou a ser conside­rada ciência quando um determinado autor passou a formular os primeiros conceitos e demonstrou que os fatos sociais têm características próprias.



Qual foi esse autor?



a) Karl Marx.

b) Max Weber.

c) Émile Durkheim.

d) Augusto Comte.

e) Jean Jacques Rousseau



Gabarito:



Resposta da questão 45: [E]





O nascimento da Sociologia é contemporâneo às transformações sociais ocasionadas pela Revolução Industrial, como a urbanização, o surgimento da burguesia, o aumento da divisão do trabalho e a paulatina consolidação do capitalismo. Essa ciência surge, portanto, como uma forma de compreender esse mundo moderno nas suas próprias relações e especificidades.



Resposta da questão 46: [C]



Durkheim é considerado por muitos como o pai da Sociologia. Isso porque foi quem estabeleceu não só um método característico de análise, mas também por ter conseguido instituir a Sociologia como curso acadêmico na universidade francesa. Somente a partir daí a Sociologia passou a ser reconhecida como ciência.


quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Confira a avaliação de Sociologia do primeiro ano

AVALIAÇÃO DE SOCIOLOGIA

PRIMEIRO ANO

01. (PITÁGORAS) Observe as duas imagens a seguir: a de um antigo e a de um atual noticiário da TV.

Gontijo Teodoro estréia na TV Tupi no Rio de Janeiro, em 1952, o seu Repórter Esso, que ficou no ar durante 18 anos e 9 meses.

CNN Headline News

a) Destaque as diferenças que as duas imagens apresentam.

resposta: Na primeira imagem, observamos a tela limpa, apenas a logomarca do telejornal. Já na outra imagem, temos um excesso de informações ao mesmo tempo, como letreiros trazendo informações e o apresentador, dentre outras.

b) Observando as imagens, quais transformações sociais podem-se deduzir que ocorreram na sociedade: Relacione pelo menos quatro.
resposta: A importância da imagem na sociedade atual; avanços tecnológicos ligados à informática; necessidade de maior velocidade das informações; maior facilidade e maior acesso às informações; entre outras.

02. (PITÁGORAS) A partir das duas imagens de noticiários de TV, mostradas na questão anterior, é possível descrever uma identidade nacional nas duas épocas citadas. Descreva semelhanças e as diferenças dessa identidade. Contextualize as imagens em relação ao tempo histórico.

resposta: As épocas nos remetem à questão política. Na primeira imagem, vivemos um período de censura às informações e expressão de ideias, o que não acontece nos dias atuais, época da segunda imagem. Com isso, há identidades distintas. No passado: ausência de liberdade, regime político autoritário/repressor, população pouco informada, manipulação dos meios de comunicação. Nos dias de hoje, excesso de liberdade e informação, ausência de limites e preocupação com a imagem.

03. (PITÁGORAS) Quando abordamos o tema indivíduo, identidade e socialização, intercambiamos vários fatores que influenciam na formação da pessoa. Família, escola, religião e os meios de comunicação agem diretamente nesse processo e é esse assunto que vamos explorar agora.

Discuta de que maneira se percebe a influência da família, da escola, da religião e dos meios de comunicação na sua própria formação?

resposta: Todos esses instrumentos - família, escola, meios de comunicação e religião - encontram-se intensamente no nosso dia a dia e a todo momento influenciando nossa formação. A família nos dá limítes do que podemos ou não fazer; a escola, além das letras, sociabiliza-nos, dando-nos noção de convivência em sociedade; os meios de comunicação nos informam e influenciam nossos desejos; principalmente os de consumo; a religião, quando a professamos, age sobre a nossa moral, quandão não a professamos, já nos dita algumas regras, que não temos escolha, por exemplo, o calendário.


04. (PITÁGORAS) Leia o texto abaixo.

A família

Dentro da família, observam-se mudanças significativas que afetam a escola. Até bem pouco tempo. Era “natural” encontrarmos famílias numerosas: seis, sete, oito ou mais filhos. A estrutura familiar era muito diferente da dos dias atuais. Era comum a divisão de tarefas da casa entre os filhos, coordenados, a todo momento, pela mãe, a famosa “dona de casa” ou “do lar”. O pai era o provedor; a mãe, a conselheira, a “companheira”, a educadora.

Hoje existe uma estrutura familiar diferente, e a mulher começou a conquistar espaços antes reservados apenas aos homens; a mãe agora trabalha fora, impulsionada pela crise financeira e/ou pelo desejo de ser tratada e considerada como ser humano pleno. Tal situação já provoca consequências significativas, a começar pelo tamanho das famílias.

Qual é o contraste que o texto apresenta entre a família do século passado e a atual? Como isso influencia diretamente no jeito de ser da escola?

resposta: As famílias eram numerosas, com muitos filhos, que, sob a orientação da mãe, que não trabalhava fora, dividiam as tarefas de casa, provocando um saber prático. Hoje as famílias reduziram o tamanho, um ou dois filhos em media. A mãe trabalha fora e com isso o serviço doméstico é terceirizado. Essas mudanças afetam diretamente a escola, pois elas precisam assumir funções, como o saber prático, que as famílias não oferecem mais.

05. (PITÁGORAS) Diversos são os pensadores que tentaram interpretar o caráter do brasileiro, aquilo que diferenciaria a sociedade brasileira das demais. Dentre estes pensadores, conhecemos Sérgio Buarque de Holanda, que no seu Raízes do Brasil utilizou o conceito de "homem cordial" para designar o "ser brasileiro".

Assinale a afirmativa que APRESENTA as características desse tipo social.

a) Gentileza e superficialidade.

b) Seriedade e bravura.

c) Amabilidade e fraqueza.

d) Educação e erudição.

e) Perseverança e respeitabilidade.

resposta: [A]

06. (UEL - 2011) Leia o texto a seguir.

“O primeiro beijo é sempre o último”. Assim um informante define, com certa nostalgia, o surgimento de uma nova rotina na prática de “ficar” entre os jovens ao longo da night. “Ficar” é essencialmente beijar, beijar em série, beijar muito. O primeiro beijo, marcado por algo absolutamente fugaz, registro imediato do tátil, desliga--se do que outrora era ritual do enamoramento, prelúdio de uma trajetória sentimental. [...] No campo do afeto e do exercício da sociabilidade, essa mesma noite propicia comportamentos que revelam a transitoriedade, a seriação e o deslocamento afetivo como um novo mecanismo de agrupamento dos jovens.

(ALMEIDA, M. I. M. de. Guerreiros da noite - cultura jovem e nomadismo urbano, In Ciência hoje, v. 34, n. 202, p. 28.)

Com base no texto e nos conhecimentos sobre a sociabilidade moderna, considere as afirmativas a seguir.

I. As práticas assinaladas entre os jovens identificam-se ao que se definiu como pós-modernidade, isto é, relações fluidas, marcadas pela instantaneidade e por rupturas contínuas com referenciais pré-estabelecidos.

II. O comportamento dos jovens que optam pela prática do “ficar” é diferente do estado anômico, analisado por Durkheim, na medida em que as bases da existência social mantêm seu funcionamento normal.

III. A vida social moderna, ao individualizar os sujeitos, eliminou a necessidade, entre os jovens, de participar de agrupamentos identitários e de estabelecer vínculos sociais com outras pessoas.

IV. A adoção da prática antissocial do “ficar” é fruto de uma juventude sem valores morais, como família, tradição e propriedade privada, presentes desde os primórdios da humanidade.

Assinale a alternativa correta.

a) Somente as afirmativas I e II são corretas.

b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.

c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.

d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.

e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.

resposta: [A]

07. (UEM) Toda sociedade desenvolve mecanismos de controle social com o objetivo de fazer com que cada indivíduo adote comportamentos esperados.

Sobre esse assunto, assinale a(s) alternativa(s) correta(s).

01) A família, como esfera privada da vida regida por sentimentos e laços de sangue, não participa dos processos de controle social. ( F )

02) A polícia e o judiciário são instituições que exercem controle social de tipo formal e são próprias de sociedades complexas. ( V )

04) A religião é uma importante instituição de controle social, devido a sua alta eficiência na definição de comportamentos socialmente aceitos. ( V )

08) O controle social para ser eficiente deve combinar a transmissão de valores com estratégias de coerção. ( V )

16) Nas sociedades complexas, ocorre uma tendência de substituição de estratégias difusas de controle pela sua institucionalização formal, o que pode ser observado pelo incremento do aparato jurídico e policial. ( V )

08. (UEM - 2008) Leia o texto a seguir:

“Desde o início a criança desenvolve uma interação não apenas com o próprio corpo e o ambiente físico, mas também com outros seres humanos. A biografia do indivíduo, desde o nascimento, é a história de suas relações com outras pessoas. Além disso, os componentes não sociais das experiências da criança estão entremeados e são modificados por outros componentes, ou seja, pela experiência social.”

(BERGER, Peter L. e BERGER, Brigitte. “Socialização: como ser um membro da sociedade”. In FORACCHI, Marialice M. e MARTINS, José de Souza. Sociologia e Sociedade. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 1977, p. 200).

Podemos concluir do texto que

01) os indivíduos, desde o nascimento, são influenciados pelos valores e pelos costumes que caracterizam sua sociedade. ( V )

02) a relação que a criança estabelece com o seu corpo não deveria ser do interesse das ciências biológicas, mas apenas da sociologia. ( F )

04) o fenômeno tratado pelo autor corresponde ao conceito de socialização, que designa o aprendizado, pelos indivíduos, das regras e dos valores sociais. ( V )

08) as experiências individuais, até mesmo aquelas que parecem mais relacionadas às nossas necessidades físicas, contêm dimensões sociais. ( V )

16) o desconforto físico que uma criança sente, como a fome, o frio e a dor, pode receber dos adultos distintas respostas de satisfação, dependendo da sociedade na qual eles estão inseridos.

( V )

09. (UNIOESTE) ASSINALE o item que melhor completa a frase “Os dois conceitos sociológicos: família e parentesco, ajudam no desenvolvimento sociológico ao

a) desvelarem a forma, a intensidade e finalidade da reprodução sexual da humanidade, pela qual a humanidade se perpetua.”

b) provocarem a constatação de que estão na origem das classes sociais, por meio do nascimento dos indivíduos.”

c) serem o local do amor e outras tantas e importantes relações afetivo-emocionais experimentadas pela sociedade.”

d) possibilitarem a compreensão da organização social apenas nas sociedades de menor densidade.”

e) tornarem compreensíveis as relações de afinidade e consanguinidade experimentadas pelos membros de um determinado grupo.”

resposta: [E]

10. (UFPR) Normalmente, quando se fala de socialização, se pensa no processo de interiorização de normas e de comportamentos sociais pela criança. Durkheim afirma que a socialização primária da criança, que ocorre nos primeiros anos de vida, é de responsabilidade da família, e a socialização secundária se faz em instituições como a igreja e a escola.

Considerando que vivemos no século XXI, que outras instituições participam hoje da socialização da criança? Cite duas e justifique sua escolha.

resposta: O aluno poderia discorrer sobre a participação da mídia, grupos de referências, como as bandas favoritas, clubes e várias outras instituições que participam do processo de socialização das crianças. Aí, naturalmente, vai do poder de argumentação do candidato.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Indivíduo, identidade e socialização

Sociologia
Coleção Pitágoras - Ensino Médio
Primeiro Ano
Unidade 3
Indivíduo, identidade e socialização

Confira a música "Eu", da banda Pato Fu

A questão da identidade

Desafiando

Observe as duas imagens a seguir: a de um antigo e a de um atual noticiário da TV.

Gontijo Teodoro estréia na TV Tupi no Rio de Janeiro, em 1952, o seu Repórter Esso, que ficou no ar durante 18 anos e 9 meses.

CNN Headline News

1. Destaque as diferenças que as duas imagens apresentam.

2. Observando as imagens, quais transformações sociais podem-se deduzir que ocorreram na sociedade: Relacione pelo menos quatro.

3. De todas essas mudanças vivenciadas na sociedade, qual delas tornaram-se problemas sociais? Indique as mudanças e os problemas.

4. A partir das duas imagens de noticiários de TV, é possível descrever uma identidade nacional nas duas épocas citadas. Descreva semelhanças e as diferenças dessa identidade. Contextualize as imagens em relação ao tempo histórico.

Observe as duas imagens.

5. Agora busque uma fotografia sua de dez anos atrás e uma bem recente. Compare as duas e observe as mudanças, não só as físicas, mas também as interiores e responda: quem você era e quem você é agora? Das mudanças observadas em você, quais foram para melhor e quais se tornaram problemas?


A pergunta a seguir e o próximo texto propõem uma mudança de enfoque no tema abordado anteriormente. Para tanto, responda às perguntas e depois faça uma relação de suas respostas com o texto.


6. Você tem medo de dizer NÃO para pessoas que lhe são próximas? Por quê?

Agora você já respondeu às questões propostas, leia o texto a seguir e relacione-o com suas respostas e com a sociedade brasileira.


Ponto de vista: Claudio de Moura Castro
Sociedade cordial

"Quem sabe, por falta de hecatombes,
a história deixou de nos ensinar a tomar
decisões duras e penosas, as que cortam
na carne, as que pisam nos calos de muitos"

Quais países do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) têm mais futuro? Nas vantagens do Brasil, mencionam-se a nossa tolerância e o nosso pacifismo, bem como a capacidade de lidar com a diversidade e evitar confrontações brutais. Tal argumento traz a inevitável lembrança do "homem cordial" de Sérgio Buarque de Hollanda – de que muitos falam, alguns discordam e que poucos leram. Não me atrevo a passar a limpo tal encrenca. Mas o homem cordial pode inspirar um passeio pela história. Comparativamente, tivemos poucos eventos traumáticos, sangrentos e que tivessem requerido decisões dramáticas (exceto para os pobres, de pouca ressonância na nossa cultura). Dos piores episódios, sobressaem a Guerra do Paraguai e a de Canudos. Mas, em ambos os casos, o governo foi tragado passivamente, não tendo alternativa senão salvar seu território.

Ilustração Atomica Studio


Os Estados Unidos enfrentaram uma guerra sangrenta para alcançar sua independência. A nossa foi assunto de família, resolvido com elegância. A Revolução Francesa abalou os alicerces da nação, dizimou a aristocracia e, por décadas, deu emprego aos operadores de guilhotinas. Nossa república é fruto de uma quartelada. Nos EUA, a liberação dos escravos precipitou uma das guerras civis mais brutais da história. Nela perderam a vida 620.000 soldados (três vezes o Exército brasileiro de hoje). No Brasil, a escravidão acabou, com uma
penada, quando já estava moribunda. Nunca tivemos um presidente assassinado. Que lição de civismo para os Estados Unidos! Nossas quarteladas do século XX são de opereta. Note-se que, nos vinte anos de período militar, morreram menos pessoas do que na confrontação de estudantes com a polícia em um estádio de futebol do México. E as matanças desenfreadas nas muitas revoluções mexicanas ou os milhares de mortos e desaparecidos no Chile e na Argentina? A Europa viveu duas grandes guerras, devastadoras, quando até a classe média passou fome. Na segunda, 52 milhões de pessoas pereceram. E isso depois das infindáveis guerras do passado, incluindo uma que se chamou Guerra dos 100 Anos! Não faz muito tempo, na Indonésia, 150.000 civis foram fuzilados em poucos dias. No Camboja e em Ruanda, fala-se de milhões de mortos. Só por obra de Mao, na China, foram-se 70 milhões.

Homem cordial? Sociedade cordial? Alguma coisa diferencia a nossa história, poupada dos cataclismos medonhos que causaram indizível sofrimento a outros países. Louvemos os deuses. Mas há o reverso da medalha.

O Estado brasileiro não precisou tomar decisões cruéis, de vida ou morte ou diante de invasores mais fortes. Tampouco manejar pela força transformações de sistemas políticos ou econômicos, como na Rússia, no início do século passado, quando os alicerces foram sacudidos pela revolução comunista e se sucederam choques fratricidas. Anos antes, seus generais haviam incendiado e devastado uma faixa de terra de 100 quilômetros de largura, do próprio território, para derrotar as tropas de Napoleão.

Quem sabe, por falta de hecatombes, a história deixou de nos ensinar a tomar decisões duras e penosas, as que cortam na carne, as que pisam nos calos de muitos. Em situações em que não há consenso, ficamos paralisados. Toleramos o intolerável quando não encontramos um desenlace de conciliação.

Nossa sociedade, medrosa e indecisa, conviveu por meio século com a inflação. Não teve coragem de reformar a Previdência, os impostos, a lei eleitoral, a trabalhista, a sindical, a judicial e muitas outras. Deputados não ousam punir colegas delinqüentes. Não fazemos as reformas econômicas profundas, como fizeram Argentina, Peru e Chile. Assistimos impassíveis à nossa economia ser corroída pela China. Diante das desigualdades seculares, oferecemos esmolas pré-eleição. Sonhamos com a volta de dom Sebastião – ou do Juscelino.

Será que esse é o preço de uma história mais plácida, que exigiu menos decisões dramáticas dos grandes atores? Será que, por não havermos passado por situações de vida e morte, não aprendemos a tomar decisões penosas? Nosso homem cordial prefere viver com os problemas a enfrentá-los, quando as soluções são conflitantes?

Claudio de Moura Castro é economista
(Claudio&Moura&Castro@attglobal.net)

7. Observe as palavras em negritos no texto e, analisando o contexto, dê significado a elas.

8. O que é “sociedade cordial” de acordo com o texto?

9. Que características da sociedade brasileira o autor salienta para fundamentar seu argumento de que temos uma sociedade cordial?

10. Discuta em grupo: nossa identidade interfere na identidade nacional ou a identidade nacional interfere na nossa identidade?

Confrontando

Para construirmos conhecimento, necessitamos confrontar nossas ideias e convicções. Leia os textos que se seguem e confronte as ideias apresentadas por eles, com as observações e as análises elaboradas por você nas situações que foram propostas anteriormente.

A diversidade do processo de socialização: família, escola, religião e meios de comunicação

Quando abordamos o tema indivíduo, identidade e socialização, intercambiamos vários fatores que influenciam na formação da pessoa. Família, escola, religião e os meios de comunicação agem diretamente nesse processo e é esse assunto que vamos explorar agora.

11. Discuta com seu colega: de que maneira você percebe a influência da família, da escola, da religião e dos meios de comunicação na sua própria formação?

A FAMÍLIA

Uma criança, ao nascer, já encontra um mundo organizado e pronto para ser utilizado e, ao longo do seu processo de crescimento, vai se adaptando e aprendendo a linguagem e os costumes; vai se aprimorando com as tecnologias existentes e também com a história do seu povo e do seu meio. Encontra-se na família, nas suas diversas maneiras de se organizar, o primeiro contato das crianças com esse mundo da linguagem, dos costumes e das tecnologias.

Dentro da família, observam-se mudanças significativas que afetam a escola. Atém bem pouco tempo. Era “natural” encontrarmos famílias numerosas: seis, sete, oito ou mais filhos. A estrutura familiar era muito diferente da dos dias atuais. Era comum a divisão de tarefas da casa entre os filhos, coordenados, a todo momento, pela mãe, a famosa “dona de casa” ou “do lar”. O pai era o provedor; a mãe, a conselheira, a “companheira”, a educadora.

Hoje existe uma estrutura familiar diferente, e a mulher começou a conquistar espaços antes reservados apenas aos homens; a mãe agora trabalha fora, impulsionada pela crise financeira e/ou pelo desejo de ser tratada e considerada como ser humano pleno. Tal situação já provoca consequencias significativas, a começar pelo tamanho das famílias. Sem nenhuma comprovação estatística, observam-se famílias de menor porte. Já não há tarefas há dividir, pois a empregada doméstica ou faxineira cuida dos afazeres da casa. Os filhos iniciam, muito cedo, a vida escolar devido à ausência da mãe, agora trabalhando fora. O pai continua com o status de provedor, mas dependente do salário da mãe, pois esse se faz necessário para as despesas e, consequentemente, é também chamado à tarefa de educador. Nota-se aqui uma crise de identidade do papel do pai ou mesmo do homem nessa nova maneira de a sociedade se estabelecer.

Essas mudanças são bastante recentes, provocando impasses e contradições. Pais cobram das mães a ausência do lar e na educação dos filhos. Os próprios filhos cobram dos pais e das mães presença, atenção e carinho.

A questão da liberdade entre em cena, muitas vezes, transformada em libertinagem pla permissividade dos pais e pela falta de limites, provocada pela ausência da mãe e do pai. Tal ausência leva os pais a um sentimento de culpa que estes tentam minimizar cedendo às “chantagens” dos filhos, em atitudes compensatórias. Muitos ainda confundem limite com autoritarismo e repressão, resquícios dos tempos da ditadura ou da própria educação que receberam.

É interessante observar que, junto a essas mudanças, acontecem também avanços tecnológicos que colaboram para um novo ritmo de vida das pessoas e das famílias. Há poucos anos, não imaginávamos, no nosso cotidiano, máquinas de lavar roupa e louça, micro-ondas, DVD, vídeo game, microcomputador, celular, MP3, fax, internet, etc. Todas essas fantásticas máquinas e tecnologias propiciam rapidez e conforto para país, mães e filhos.

Percebe-se essa tecnologia avançando rapidamente, concomitante às mudanças dos hábitos da família, contribuindo decididamente para uma significativa crise de valores. Isso porque nossos conceitos morais, nossa mentalidade não acompanham o ritmo dos avanços tecnológicos. Hoje se vivencia uma estrutura familiar diferente daquela de 20 anos atrás, mas continua a se conviver com conceitos e preconceitos de família do século passado, ou seja, vivenciam-se novos hábitos, mas com valores antigos. Reside aqui um grande desafio a ser superado pelas famílias de hoje: repensar valores e adapta-los às exigências da atualidade.

A escola está inserida nessa realidade de conflito ético, pois recebe o filho dessa nova família, e também ela convive com seus conflitos institucionais de modernização e adaptação a uma realidade democrática, questionando-se sobre a sua postura ideológica.

Também os professores vivenciam um conflito semelhante, pois percebem que os alunos não são mais como antes, passivos e “obedientes” às suas “verdades”, resquícios de uma pedagogia autoritária. Estes, por sua vez, acabam vivenciando o conflitos dos pais, pois não sabem conviver com limites numa perspectiva não autoritária e nem transformar as aulas em um espaço de construção de conhecimento e de exercício da democracia e da liberdade, insistindo apenas nas aulas expositivas e explicativas, que não levam o aluno ao crescimento necessário para a sua formação integral, exigência dos dias atuais.

Pode-se concluir que a educação escolar de um passado recente não evoluiu numa perspectiva de autonomia, ou seja, não se educou para o autogoverno, para se ter senso crítico, criatividade, etc. O pior é que se continua reproduzindo essa educação para outras gerações, não porque se quer, mas porque ainda se está aprendendo ou reaprendendo a educar num outro referencial de liberdade e de não repressão. Muitas vezes, pais e educadores tornam-se aprendizes com filhos e alunos, pois eles não carregam em si os “genes” da educação da época da ditadura, Muitos país e professores, às vezes, sentem-se perdendo autoridade e acabam se tornando mais autoritários ainda.

A partir de todas essas reflexões, percebem-se como necessárias novas posturas e atitudes para a escola e a família, a fim de adequarem-se para uma nova ordem moral e ética exigida pela realidade atual.

Escola precisam sair da postura de apenas lugar de transmissão de informações e assumir a postura mais interativa – de oficina - , onde o aluno não vai apensas copiar, mas construir conhecimento; onde alunos e professores irão criar através de pesquisas do conhecimento já estabelecido, sem a preocupação de simplesmente preparar o aluno para uma fase posterior da sua vida.

Tornar a escola um espaço de “ações produtivas” é provocar desafios nos alunos, que os levem a usar operações mentais contrárias à passividade mental exigida atualmente para a recepção das transmissões que já ocorrem; fazer da escola um espaço para o exercício da cidadania com atitudes concretas, tanto dentro quanto fora da sala de aula, chamando os alunos à discussão sobre normas e regras de funcionamento da escola e à confecção dessas. A aula não deve ser somente um espaço de transmissão e construção de conhecimento, mas de exercício de valores fundamentais para a formação da pessoa humana, tais como: respeito pela responsabilidade e não pelo medo; liberdade, observado o limite de cada um e não transformada em libertinagem do “eu faço o que quero”; participação pelo “sentir-se parte” e não pela obediência às ordens.

À família cabe ocupar os filhos, mas não preencher-lhes o tempo apenas, como ocorre, na maioria das vezes, com o excesso de atividades, tais como escolinhas de esportes, balé, inglês, aulas particulares, etc. Ocupa-los com afazeres de responsabilidades práticas, como arrumar sua cama, seu quarto, cuidar de algum animal, levar o lixo para o latão, preparar o lanche da noite de algum dia da semana, administrar suas despesas e várias outras atividades necessárias numa casa. A intenção aqui é apenas que os filhos valorizem e respeitem trabalhos considerados por eles mesmos, principalmente para famílias mais favorecidas economicamente.

A escassez do tempo nos dias de hoje é um fato concreto, por isso devem-se transformar em qualitativos os encontros dos pais com os filhos. Isso significa apenas um mínimo de atenção e carinho. Escolas devem deixar de ser, para os pais, apenas mais um local para entreter os filhos. Famílias devem deixar de ser para as escolas e professores as únicas responsáveis pelos fracassos, insucessos e “falta de educação” dos alunos. É chegada a hora de todos assumirem as suas responsabilidades sem ficarem transferindo-as para os outros. Se cada um fizer a sua parte, ou pelo menos tentar e não desistir, acontecerão ações concretas para a transformação dessa realidade mesquinha e individualista.

Não é tarefa fácil, pois mudar mentalidades é o mais difícil. A sociedade precisa desaprender para aprender, deseducar para educar.

A partir do texto, reflita a respeito das ideias apresentadas, discuta com seus colegas e responda à questão a seguir.

12. Qual é o contraste que o texto apresenta entre a família do século passado e a atual? Como isso influencia diretamente no jeito de ser da escola?

Agora, leia a música dos Titãs




Família

Titãs

Composição: Arnaldo Antunes / Toni Bellotto

Família! Família!

Papai, mamãe, titia

Família! Família!

Almoça junto todo dia

Nunca perde essa mania...

Mas quando a filha

Quer fugir de casa

Precisa descolar um ganha-pão

Filha de família se não casa

Papai, mamãe

Não dão nem um tostão...

Família êh! Família ah!

Família! oh! êh! êh! êh!

Família êh! Família ah!

Família!...

Família! Família!

Vovô, vovó, sobrinha

Família! Família!

Janta junto todo dia

Nunca perde essa mania...

Mas quando o nenêm

Fica doente

Uô! Uô!

Procura uma farmácia de plantão

O choro do nenêm é estridente

Uô! Uô!

Assim não dá pra ver televisão...

Família êh! Família ah!

Família! oh! êh! êh! êh!

Família êh! Família ah!

Família! hiá! hiá! hiá!...

Família! Família!

Cachorro, gato, galinha

Família! Família!

Vive junto todo dia

Nunca perde essa mania...

A mãe morre de medo de barata

Uô! Uô!

O pai vive com medo de ladrão

Jogaram inseticida pela casa

Uô! Uô!

Botaram cadeado no portão...

Família êh! Família ah!

Família!

Família êh! Familia ah!

Família! oh! êh! êh! êh!

Família êh! Família ah!

Família! hiá! hiá! hiá!

13. Os Titãs, em sua canção, ironizam algumas atitudes típicas da família, destaque-as e apresente as críticas que eles promovem com essa ironia.

A RELIGIÃO

A influência religiosa nas atitudes das pessoas é muito grande e, na maioria das vezes, imperceptível. Essa influência encontra-se automatizada, pois já foi totalmente internalizada. A educação e os costumes são os maiores instrumentos para a formação dessa ação automática.

Na cultura cristã, o perdão é um dos maiores instrumentos de convivência entre os seres humanos. Na cultura judaica, com todas as atrocidades que viveram, no período do holocausto, os judeus pregam o ser justo para com o outro e defendem que querer justiça para si é um mecanismo de convivência entre as pessoas.

Podem-se observar pessoas que se dizem céticas a qualquer concepção religiosa, mas convivem com um mundo religioso que, sem que percebam, influencia suas atitudes. É muito comum ouvir de ateus convictos, em situação de perigo, um “graças a Deus” sem nenhum constrangimento.

Houve um tempo em que religião e Estado confundiam-se, e todas as ações individuais eram controladas por um código moral que determinava as atitudes das pessoas. Era um tempo teocêntrico, em que Deus em que Deus era a referência para tudo e para todos. Com o avanço da ciência e a emancipação humana, passou-se para um tempo antropocêntrico, em que o ser humano é o referencial central, manifestado na valorização da racionalidade.

Períodos históricos são hegemônicos, não totalitários: isso significa que prevalece um tempo de pensar e agir, mas isso não significa que não existam outras maneiras. Os costumes não são modificados instantaneamente, levam um bom tempo para sofrerem alterações.

A sociedade mundial encontra-se num período de transição, em que o teocentrismo não faz mais sentido, e o antropocentrismo é questionado. Argumentos dos dois períodos são valorizados e resgatados provocando uma transição para o biocentrismo, em que a vida é o referencial que governará nossas atitudes. Esse período está por acontecer ou ainda não se faz hegemônico no mundo. Mesmo com a possibilidade dessa transição, mentalidades de um período teocentrico ainda influenciam, diretamente, nossas atitudes. As religiões não são estáticas, acompanham as mudanças do mundo e também se transformam para permaneceram atualizadas.

Releituras são feitas para atualizar o discurso e justificar a continuidade da existência das diversas religiões.

A cultura mundial tem impregnados em si diversos costumes influenciados pelas religiões, a começar pela contagem do tempo, antes de Cristo e depois de Cristo, e o próprio calendário com os diversos feriados religiosos que existem ao longo do tempo.

De tempos em tempos, com maior ou menor influência, evidencia-se o poder das religiões sobre as pessoas.

14. Faça um levantamento de situações do cotidiano, em que há, direta ou indiretamente, a influência da religião na vida das pessoas.

OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO

Agora, vamos pensar nos meios de comunicação existentes na sociedade atualmente: temos do jornal impresso à internet, rede de computadores interligados entre si; a televisão, com seus diversos programas e com acesso à TV a cabo e a variedade desses, tornou-se extremamente maior; sem esquecer que o rádio nunca perde o seu espaço e permanece presente na vida das pessoas. Para aprofundarmos o tema, acompanharemos fragmentos do texto de Luís Felipe Miguel, que é doutor em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

"Para a maioria das pessoas, só existem dois lugares no mundo: o lugar onde elas vivem e a televisão". A frase da personagem de Ruído branco, o romance de Don DeLillo (1987, p. 69), sintetiza a presença da mídia – que a televisão simboliza, na qualidade de meio dominante – no mundo contemporâneo. Dela provêm, direta ou indiretamente, por meio de noticiários ou programas de entretenimento, quase todas as informações de que dispomos para situarmo-nos no mundo. Por meio dela, ganhamos acesso a uma experiência vicária que multiplica muitas vezes as nossas próprias vivências.

Estamos tão imersos no discurso midiático que, muitas vezes, nem percebemos a extensão de sua presença1 . Mas, quando paramos para refletir, verificamos que o impacto da mídia é perceptível em todas as esferas de nossa vida cotidiana. Já o advento da imprensa diária, no século XVIII, fez da leitura dos jornais um novo ritual, sobretudo para as camadas urbanas mais cultas. No século XX, o rádio e, em seguida, a televisão alteraram toda nossa gestão do tempo, seja pelo surgimento da simultaneidade da informação, seja pela adequação da rotina à emissão dos programas. [...]

Ainda mais significativa do que o aumento do tempo dedicado ao consumo da mídia é a ampliação exponencial da quantidade de informações de que cada indivíduo dispõe, para além de seu círculo de convívio direto. [...]O que chega a cada um de nós, individualmente, porém, é apenas uma parte diminuta das informações produzidas. Uma única edição dominical de um grande jornal levaria várias semanas para ser lida na íntegra. No dia-a-dia, um misto de escolha e acaso filtra o conjunto de informações que cada indivíduo específico recebe. O acompanhamento da totalidade do conteúdo da mídia, ainda que por um curto lapso de tempo, é tarefa irrealizável, como bem sabem os pesquisadores da área.

Uma das análises mais perceptivas do impacto da mídia eletrônica sobre o tecido social foi feita por Joshua Meyrowitz (1985). Ele mostrou como os meios de comunicação, sobretudo a televisão, romperam barreiras entre espaços sociais antes relativamente estanques. Quando mulheres e homens ou jovens e adultos compartilham das mesmas informações, por assistirem aos mesmos programas, torna-se mais difícil decretar que "isto não é assunto de mulher" ou "isto não é assunto de criança". Assim, diz ele, a mídia alterou toda a "geografia situacional" da vida social.

Nas formas da ação política, em especial, o impacto dos meios de comunicação de massa é gigantesco. De maneira esquemática, é possível assinalar quatro dimensões principais nas quais a presença da mídia faz-se sentir, alterando as práticas políticas2:

1. a mídia tornou-se o principal instrumento de contato entre a elite política e os cidadãos comuns. As conseqüências desse fato são importantes: ele significa que o acesso à mídia substitui esquemas políticos tradicionais e, notadamente, reduz o peso dos partidos políticos. A literatura costuma apresentar, entre as principais funções dos partidos, a de serem ferramentas que permitem que a cúpula mobilize seus apoiadores e, por meio deles, alcance o conjunto dos cidadãos; inversamente, que recolhem demandas das pessoas comuns, permitindo assim que elas cheguem às esferas de exercício do poder. Os meios de comunicação de massa suprem, em grande parte, ambas as funções, contribuindo para o declínio da política de partidos (WATTENBERG, 1998).

2. Por efeito dessa predominância como instrumento de contato, o discurso político transformou-se, adaptando-se às formas preferidas pelos meios de comunicação de massa. É comum o lamento de que os "políticos de todas os matizes têm revelado uma tendência a descaracterizar seu próprio discurso e incorporar o estilo midiático" (SARTI, 2000, p. 3; grifo suprimido). O problema desse tipo de formulação é que ele supõe a existência de um modo do discurso propriamente político – quando, na verdade, ele é mutável, de acordo com o contexto histórico em que se inclui e com as possibilidades técnicas de difusão de que dispõe. Assim, é necessário compreender as transformações que os meios eletrônicos de comunicação impuseram ao discurso sem um fundo normativo que diga qual é o "verdadeiro" discurso político, livre de contaminações.

Na época de predomínio da televisão, em especial, avulta o peso da imagem dos políticos e, o que talvez tenha conseqüências ainda mais importantes, o discurso torna-se cada vez mais fragmentário, bloqueando qualquer aprofundamento dos conteúdos (MIGUEL, 2000, p. 72-78). A fragmentação do discurso não é uma imposição técnica da televisão, mas fruto dos usos que se fizeram dela. O resultado é que a fala-padrão de um entrevistado em um telejornal, por exemplo, é de poucos segundos e as expectativas dos telespectadores adaptaram-se a essa regra. Os políticos, em conseqüência, também. Abreviar a fala, reduzi-la a umas poucas palavras, de preferência "de efeito", tornou-se imperativo para qualquer candidato à notoriedade midiática. Em um estudo muito citado, que abriu caminho para pesquisas posteriores, Daniel C. Hallin (1992) observou como tal fenômeno manifestou-se nas campanhas presidenciais estadunidenses, culminando em falas editadas dos candidatos com, em média, cerca de 8 segundos.

3. Conforme uma vasta literatura aponta, a mídia é o principal responsável pela produção da agenda pública, um momento crucial do jogo político. A pauta de questões relevantes, postas para a deliberação pública, é em grande parte condicionada pela visibilidade de cada questão nos meios de comunicação. Dito de outra maneira, a mídia possui a capacidade de formular as preocupações públicas. O impacto da definição de agenda pelos meios de comunicação é perceptível não apenas no cidadão comum, que tende a entender como mais importantes as questões destacadas pelos meios de comunicação, mas também no comportamento de líderes políticos e de funcionários públicos, que se vêem na obrigação de dar uma resposta àquelas questões.

4. Mais do que no passado, os candidatos a posições de destaque político têm que adotar uma preocupação central com a gestão da visibilidade. Não se trata de singularizar a época atual pela presença do "espetáculo político", já que aspectos similares fazem parte das práticas políticas desde há muito, como foi demonstrado exemplarmente para a França de Luís XIV (APOSTOLIDÈS, 1993; BURKE, 1994). Os pontos centrais são outros. Há, em primeiro lugar, a busca do fato político (aquele que é assim reconhecido pela mídia), como forma de orientar o noticiário e, dessa forma, influenciar a agenda pública, o que implica a absorção de critérios de "noticiabilidade" por parte dos atores políticos. Além disso, a visibilidade na mídia é, cada vez mais, componente da produção do capital político. A presença em noticiários e talk-shows parece determinante do sucesso ou fracasso de um mandato parlamentar ou do exercício de um cargo executivo; isto é, na medida em que deve acrescentar algo ao capital político próprio do ocupante. A notoriedade midiática é condição necessária para o acesso às posições mais importantes do campo político.

Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-44782004000100002&script=sci_arttext acesso em: 08 set. 2011. (Fragmento)

15. Vamos levantar um problema a ser discutido e pesquisado: nos dias de hoje, estariam os meios de comunicação substituindo predominantemente as religiões no processo de influência direta aos indivíduos? Inicialmente discutam, entre vocês, se concordam ou discordam e quais argumentos apresentam para defender suas ideias. Posteriormente, façam entrevistas com diversas pessoas, comparem-nas e tirem suas conclusões. Registrem os procedimentos utilizados no trabalho e a conclusão elaborada.



Resolução comentada das questões

1. Na primeira imagem, observamos a tela limpa, apenas a logomarca do telejornal. Já na outra imagem, temos um excesso de informações ao mesmo tempo, como letreiros trazendo informações e o apresentador, dentre outras.

2. A importância da imagem na sociedade atual; avanços tecnológicos ligados à informática; necessidade de maior velocidade das informações; maior facilidade e maior acesso às informações; entre outras.

3. Ao mesmo tempo em que os avanços tecnológicos propiciam melhorias às pessoas, eles também provocaram maior diferença social. Acesso facilitado, mas para quem possui recursos financeiros, provocando o analfabetismo virtual; uma grande preocupação com a imagem e a desvalorização do conteúdo.

4. As épocas nos remetem à questão política. Na primeira imagem, vivemos um período de censura às informações e expressão de ideias, o que não acontece nos dias atuais, época da segunda imagem. Com isso, há identidades distintas. No passado: ausência de liberdade, regime político autoritário/repressor, população pouco informada, manipulação dos meios de comunicação. Nos dias de hoje, excesso de liberdade e informação, ausência de limites e preocupação com a imagem.

5. Uma resposta possível: hoje sou um jovem com meus desejos e interesses mais definidos do que aos 6/7 anos, mais autônomos, mais independente dos meus pais. Antes não duvidava de nada que meus pais falavam, hoje tenho minhas próprias ideias, que, muitas vezes, acabam levando a conflitos com meus pais, pois eles não concordam comigo, nem eu com eles. A independência é a grande mudança, como ela não é total, por isso torna-se também um problema.

6. Uma resposta possível: Não, pois considero melhor dizer o que penso do que enganar as pessoas.

Sim, pois sinto-me acanhado diante do outro e não dou conta de expor minhas próprias ideias e fico com medo de perder as amizades ou o carinho dos meus pais.

7. Quartelada - nossa República não foi alcançada a partir de um grande conflito, em que a população estivesse envolvida. A quartelada foi exatamente porque o povo brasileiro não fez parte do processo de transformação do Império em República, ficando apenas reservada aos quartéis.

Penada - o processo de libertação dos escravos ocorreu através de uma lei, Penada, da princesa Isabel, de que em nenhum outro acontecimento da história brasileira ela fez parte.

Hecatombes - nossa história não possui nenhum grande conflito, em que nos confrontamos entre nós mesmos.

8. Tivemos poucos eventos traumáticos, sangrentos e que tivessem requerido decisões dramáticas (execeto para os pobres, de pouca ressonância na nossa cultura). Alguma coisa diferencia a nossa história, poupada dos catecismos medonhos que causaram indizível sofrimento a outros países. A história deixou de nos ensinar a tomar decisões duras e penosas, as que cortam na carne, as que pisam nos calos de muitos. Isso caracteriza a Sociedade Cordial.

9. Em situações em não há consenso, ficamos paralisados. Toleramos o intolerável quando não encontramos um desenlace de conciliação. Nossa sociedade, medrosa e indecisa, conviveu, por meio século, com a inflação. Não teve corragem de reformar a Previdência, os impostos, a lei eleitoral, a trabalhista, a sindical, a judicial e muitas outras. Deputados não ousam punir colegas delinquentes. Não fazemos reformas econômicas profundas, como fizeram Argentina, Peru e Chile. Assistimos impassíveis à nossa economia ser corroída pela China. Diante das desigualdades seculares, oferecemos esmolas pré-eleição. Sonhamos com a volta de Dom Sebastião - ou do Juscelino.

10. Há interferência dos dois lados, somos produto do meio e agimos sobre esse meio.

11. Todos esses instrumentos - família, escola, meios de comunicação e religião - encontram-se intensamente no nosso dia a dia e a todo momento influenciando nossa formação. A família nos dá os limites do que podemos ou não fazer; a escola, além das letras, sociabiliza-nos, dando-nos noção da convivência em sociedade; os meios de comunicação nos informam e influenciam nossos desejos, principalmente os de consumo; a religião, quando a professamos, age sobre nossa moral, quando não a professamos, já nos dita algumas regras, que não temos escolha, por exemplo, o calendário.

12. As famílias eram numerosas, com muitos filhos, que, sob a orientação da mãe, que não trabalhava fora, dividiam as tarefas de casa, provocando um saber prático, Hoje as famílias reduziram o tamanho, um ou dois filhos, em média. A mãe trabalha fora e com isso o trabalho doméstico foi terceirizado. Essas mudanças afetam diretamente a escola, pois elas precisam assumir funções, como o saber prático, que as famílias não oferecem mais.

13. A canção faz uma crítica a uma moralidade velada, pois a mulher não pode ter autonomia, ressalta o papel do pai e da mãe, a partir dos medos presentes na música, com se, na família, cada um tivesse um papel a cumprir.

14. A religião, nos influencia diretamente com os ensinamentos que contribuem para a formação moral: sentindo de justiça, sociedade, solidariedade, compaixão e amor. Indiretamente, a moral cristã está enraizada na sociedade, o calendário, antes e depois de Cristo, as festas comemorativas e seus feriados - Natal, Semana Santa, Corpus Christi, etc.

15. A secularização da sociedade, em que a influência religiosa vai se extinguindo, o aumento da informação e do conhecimento, a desmistificação de vários fenômenos, antes considerados sobrenaturais, provocam um afastamento das religiões e dos seus ensinamentos. Com isso, os meios de comunicação, principalmente através das telenovelas, assumem, ou tomam para si, um papel de forte influência sobre as pessoas, vinculadas ao desejo de consumo.



sexta-feira, 15 de abril de 2011

Projeto Betinho: empreendedorismo social

COLÉGIO NOTRE DAME DE LOUDES

COLEÇÃO PITÁGORAS

SOCIOLOGIA – PRIMEIRO ANO

SEGUNDO BIMESTRE






Unidade 2

Projeto Betinho: empreendedorismo social Projeto Betinho






A canção “Pacato cidadão” do Skank e a afirmação: “[...] aspiravam fazer do conhecimento sociológico um instrumento de ação” (trecho do Breve histórico da unidade anterior) fazem-nos lembrar de um sociólogo brasileiro: Herbert de Souza, o Betinho. Betinho usou seu conhecimento sociológico como instrumento de ação e, como cidadão, não foi nada pacato. Criou o movimento de Ação da Cidadania contra a Miséria e Pela Vida e por ele lutou até o fim da sua vida. Betinho era portador do vírus HIV, contraído em transfusões de sangue, por ser hemofílico, mas nem por isso se colocou como vítima perante à sociedade e, pelo contrário, utilizou sua notoriedade para prolongar seu movimento de ação contra a fome e mobilizar a sociedade em favor dos aidéticos. Betinho argumentava sobre a necessidade de transformações estruturais na sociedade brasileira, mas, ao mesmo tempo, era necessária uma atitude emergência para a população miserável, que passava fome. Ele foi um exemplo de empreendedor, uma vez que teve a capacidade de tomar a iniciativa e agir na busca de soluções inovadoras para problemas econômicas ou sociais, pessoais ou de outros, por meio de empreendimentos. Portanto, esta unidade pretende ser, além de uma homenagem a Betinho, uma proposta de ação concreta diante da sociedade, utilizando os instrumentos da Sociologia, no auxílio desse projeto, e o exemplo de ação do sociólogo Betinho. Ao longo do livro, teremos a seção Projeto Betinho, que apresentará propostas de ação concreta na sociedade, com base nos temas trabalhados na unidade.









Protagonismo juvenil

DESAFIANDO









Organizados em grupos, discutam as seguintes questões:



1. A partir das lembranças dos últimos noticiários a que assistiram, observem a realidade brasileira e descrevam quais são os problemas mais urgentes do nosso país a serem resolvidos. Problemas mais urgentes:






2. Agora, observem seu estado e sua cidade.



Quais são os problemas mais urgentes a serem resolvidos?



Cidade/Estado:



Principais problemas:






3. Aproximem-se mais da sua vida cotidiana. Observem seu bairro e sua escola.



Quais são os problemas mais urgentes a serem resolvidos;



Bairro: Principais problemas:






4. A partir dos problemas levantados nas questões anteriores, discuta de que maneira vocês poderiam ajudar ou contribuir para soluciona-los. Registre aqui suas ideias.









Conheça a história de Betinho












A historia de Herbert José de Sousa Um sociólogo e ativista dos direitos humanos brasileiro que dedicou-se ao projeto Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida que ele mesmo tinha fundado.







CONFRONTANDO





Para construirmos conhecimento, necessitamos confrontar nossas ideais e convicções. Leia os textos, a seguir, sobre a vida de Betinho, sobre empreendedorismo e protagonismo juvenil e, depois, confronte as ideias nelas apresentadas com as declarações e as análises elaboradas por você nas situações que lhe foram propostas anteriormente.





CÂNDIDO GRZYBOWSKI, SOCÍOLOGO E DIRETOR DE PLANEJAMENTO DO IBASE, FALANDO SOBRE BETINHO





“Herbert José de Souza, o Betinho, nasceu no dia 3 de novembro de 1935, na pequena cidade mineira de Bocaiúva. De uma infância e adolescência marcada pelos limites impostos pela hemofilia e tuberculose, soube apropriar-se daquele fio de vida que lhe restava. Transformou sua fragilidade física em grandeza de humildade. Buscou a vida de forma intensa para si e para os outros, particularmente para os excluídos da sociedade. Seu humor e sua ironia juntavam-se a uma forte indignação diante da mínima injustiça.



Ele afirmava que a democracia não é um modelo ou uma estrutura acabada; é algo que constantemente deve ser sonhado, imaginado ou recriado. A busca de ser livre, igual, diverso, solidário e participante é um princípio que deve fermentar nosso constante sonhar e imaginar a democracia como guia de intervenção cidadã.





Betinho apostou na cidadania. Investiu nos movimentos sociais e nos grupos comunitários, nos comitês de cidadania, nas associações e organizações civis de todo o tipo, nas manifestações culturais e artísticas como escolas de cidadania.



O maior desafio deixado por Betinho talvez seja a capacidade de indignar-se e reagir frente às injustiças e exclusões. Sem sombra de dúvida, Betinho foi um grande lutador. Lutou pela vida antes de tudo; pela sua própria vida e a de todos nós “.



Disponível em: http://www.comitebetinho.org.br/index.php/betinho



Acesso em: 24 abr. 2011. (Fragmento)




Vídeo em comemoração aos 10 anos da Ação da Cidadania com participação de Emílio Santiago e outros.





EMPREENDEDORISMO E ÉTICA



FERNANDO DOLABELA


A observação da ação empreendedora, não só voltada para a criação de empresas, mas em todas as atividades humanas, sugere que todos nascemos empreendedores. Se, mais tarde, deixamos de sê-lo, isso se deve à exposição a valores antiempreendedores na educação, na família, nas relações sociais de toda ordem, ao “figurino cultural” a que somos submetidos. Lidar com crianças e adolescentes, portanto, é lidar com autênticos empreendedores ainda não contaminados por esses valores.


Não sendo a capacidade empreendedora uma habilidade ou competência específica, mas uma forma de ver o mundo e com ele estabelecer relações, algo que diz respeito à cultura, a educação empreendedora e ética deve começar na mais tenra idade.


[...] Esse caminho impõe um único cuidado, exige um única sabedoria: tomas as crianças como guias. Sendo elas detentoras de um saber perdido nos desvãos dos adultos, é preciso deixar-se conduzir pelo seu mundo de criatividade, inconformismo, rebeldia, do não saber que não pode, dos sonhos capazes de dar sentido à vida. Somente ao entrar nesse mundo, percebe-se que a teoria empreendedora estava construída desde sempre e de forma cristalina: bastava tomar o sonho como seu núcleo e transforma-lo em projeto de vida.



[...] Considera-se empreendedor o poeta que publica, pois dissemina sua emoção. Sem dúvida é empreendedor o educador que inova na concepção de formas de ensino. Deve necessariamente ser empreendedor político, porque tem ele, por definição, a missão de buscar formas e processos inovadores para a construção do bem-estar social. Abrir uma empresa, ser poeta, educador, político ou religioso é (só pode ser) uma escolha do educando.


As capacidades de formular o próprio sonho, concebendo um ponto no futuro onde se deseja estar ou ser e construir os caminhos para chegar lá constituem o eixo da atividade empreendedora.


Por seu turno, sonhos individuais são inspirados por sonhos coletivos, que constituem o vir a ser da coletividade, o desejo de bem-estar e felicidade de uma comunidade.


A atividade empreendedora e ética é entendida como a capacidade de conceber e realizar sonhos coletivos, que produzem bem-estar social, e sonhos individuais, definidos e expandidos a partir de sonhos coletivos, cuja essência é a busca da “felicidade” social, intenção que nos faz humanos.



DOLABELA, Fernando. Projeto Pedagógico – Empreendedorismo e Ética. Ago. 2004.(Fragmento)



A ESTUDANTE PATRÍCIA OSANDÓN ALBARRÁN, QUE TRABALHA COMO VOLUNTÁRIA NA ANDI, MOSTRA-NOS O QUE É SER PROTAGONISTA


O que é ser um jovem protagonista? Numa fase de tantas pressões e conflitos, também é possível se importar com a sociedade, embora nem todos os jovens percebam o potencial que têm em suas mãos. Justamente por estar enfrentando um período difícil, o jovem protagonista é alguém especial, porque acredita numa sociedade melhor e até sonha com um mundo perfeito.


O protagonismo juvenil pode e deve se tornar uma "corrente de energia", porque a tendência é que esse movimento cresça e seja propagado. O jovem protagonista é aquele que molda o mundo a cada instante e cria idéias para melhorá-lo - seja na sua casa, na comunidade, na escola, no trabalho - e sua atuação pode atingir grandes proporções.


Muitas vezes, o protagonista é discriminado pela sociedade, enquanto deveria ser incentivado a continuar propagando esse pensamento. O comportamento mais esperado de um adolescente é de uma figura revoltada e incapaz de tomar atitudes coerentes. Então, quando alguém tenta mostrar uma realidade diferente, é separado do grupo, sendo que deveria ser totalmente ao contrário.


Cabe a todos valorizar as ações protagonistas, na tentativa de que com o tempo "não existam mais jovens protagonistas", justamente porque ser participante e solidário tornou-se algo normal. Ou seja, o objetivo do protagonismo juvenil é que, com o tempo, exista uma onda de cidadania que faça de todos cidadãos atuantes em nossa sociedade.


Disponível em: http://expressocidadania.blogspot.com/2008/03/protagonismo-juvenil_18.html



acesso em: 24 abr. 2011. (Fragmento)




SISTEMATIZANDO





Acompanhe o texto a seguir e organize suas ideias para a viabilização de um projeto de atuação na sociedade.


O Protagonismo Juvenil é um tipo de ação de intervenção no contexto social para responder a problemas reais onde (SIC) o jovem é sempre o ator principal. É uma forma superior de educação para a cidadania não pelo discurso das palavras, mas pelo curso dos acontecimentos. [...]


O Protagonismo Juvenil significa, tecnicamente, o jovem participar como ator principal em ações que não dizem respeito à sua vida privada, familiar e afetiva, mas a problemas relativos ao bem comum, na escola, na comunidade ou na sociedade mais ampla.


Outro aspecto do protagonismo é a concepção do jovem como fonte de iniciativa, que é ação; como fonte de liberdade, que é opção; e como fonte de iniciativa, que é ação; como fonte de liberdade, que é opção; e como fonte de compromissos, que é responsabilidade.


Na raiz do protagonismo deve haver uma opção livre do jovem, ele tem que participar da decisão se vai ou não fazer a ação. O jovem tem que participar do planejamento da ação. Depois deve participar da execução da ação, na sua avaliação e na apropriação dos resultados. Existem dois padrões de protagonismo juvenil: quando as pessoas do mundo adulto fazem junto com os jovens e quando os jovens fazem de maneira autônoma.


Disponível em: www. http://protagonismojuvenil.inesc.org.br/


Betinho seguir seu sonho e o realizou, empreendeu num projeto de ajuda às pessoas necessitadas com o movimento “Ação da Cidadania contra a Miséria e pela Vida”.


A estudante Patrícia Osandón Albarrán sugere, a partir das características do adolescente e do jovem, um protagonismo juvenil, criando ideias para melhorar o mundo em que vivemos.


Nascemos empreendedores? Temos na capacidade empreendedora uma forma de ver o mundo e com ele estabelecer relações para realizarmos nossos sonhos?


A partir dos textos anteriores e das suas preocupações com o mundo, propomos que você forme um grupo de colegas que queira viabilizar um PROJETO BETINHO: associação de barro, grupo de jovens da paróquia, grêmio estudantil, grupo de voluntários – com atuação direta em algo da sua realidade que os sensibilize e mobilize para a construção de um mundo melhor para todos, como atuação em creches, asilos, hemocentros, associação de catadores de papel, associações contra a fome, mutirão de construção de casas, trabalhos em hospitais com crianças carentes, preservação do meio ambiente, acompanhamento e fiscalização política, entre outras.


A seguir, apresentamos uma proposta de como organizar um projeto, para que vocês possam constituir um grupo de ação concreta na sociedade que os cerca.

A elaboração de um PROJETO é uma previsão. Deve conter um objetivo geral, objetivos específicos, atividades, plano de implementação, monitoramento, avaliação e resultados esperados. As atividades estarão relacionadas aos objetivos específicos, que, por sua vez, devem atender ao objetivo geral do projeto.

OBJETIVO GERAL
É uma ação mais distante, o que se deseja alcançar, um sonho a se realizar, é o ponto de partida e o referencial para todas as ações do projeto.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
São a resposta desejada da população-alvo, devem prever resultados quantificáveis. Definem o tempo, o número de pessoas e a faixa etária dessas pessoas.

Respondem às perguntas: O quê? Quando? Quanto?
A quem pertence a ação do verbo? Resp: À população-alvo do projeto, não à instituição.
Resultado: mudança e/ou benefício que se deseja ou se propõe para a população-alvo.
Mudanças: conhecimento 75% (ou mais); atitude 50% (mais ou menos); comportamento 25% (ou menos); religião, conceitos sociais.
Os resultados esperados estão diretamente ligados aos objetivos específicos.

PLANO DE IMPLEMENTAÇÃO
São ações para se alcançar determinado objetivo específico. Identifica o tempo de execução de cada atividade.

MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO
São os indicadores, as medidas operacionais para a realização de uma atividade ou de um objetivo específico. Permitem medir o grau de alcance do resultado.
Passos necessários para a realização de uma atividade que se sustenta com base em dados quatificáveis.

RESULTADOS ESPERADOS

Acontecem a partir dos processos estabelecidos para a realização de uma atividade.
Quantificam o resultado da atividade na população-alvo.
Instrumentos que atestam a execução da atividade e que definem formas de comprovar o efeito conseguido na população-alvo.

PROCESSSO DE GESTÃO DE PROJETOS

1. Planejamento
2. Programação
3. Execução
4. Monitoramento
5. Avaliação

OLIVEIRA NETO, Eurípides M, de. Centro de Voluntariado/Voluntários Candangos. Assessoria de coordenação de projetos e capacitação de recursos (fragmento)

Ao longo de nosso estudo sobre Sociologia, você irá escolher temas com os quais deseja trabalhar ou organizações em que deseja atuar e construirá, junto com seus colegas, um projeto, tomando a proposta de elaboração de projeto apresentada como referência.



SÍNTESE


O momento agora é de síntese das ideias apresentadas na unidade.




Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores


Geraldo Vandré


Composição : Geraldo Vandré




Caminhando e cantando e seguindo a canção, somos todos iguais braços dados ou não


Nas escolas, nas ruas, campos, construções, caminhando e cantando e seguindo a canção


Vem, vamos embora que esperar não é saber, quem sabe faz a hora, não espera acontecer


Pelos campos há fome em grandes plantações, pelas ruas marchando indecisos cordões


Ainda fazem da flor seu mais forte refrão e acreditam nas flores vencendo o canhão


Vem, vamos embora que esperar não é saber, quem sabe faz a hora, não espera acontecer


Há soldados armados, amados ou não, quase todos perdidos de armas na mão


Nos quartéis lhes ensinam uma antiga lição: de morrer pela pátria e viver sem razão


Vem, vamos embora que esperar não é saber, quem sabe faz a hora, não espera acontecer


Nas escolas, nas ruas, campos, construções, somos todos soldados armados ou não


Caminhando e cantando e seguindo a canção, somos todos iguais braços dados ou não


Os amores na mente as flores no chão, a certeza na frente a história na mão


Caminhando e cantando e seguindo a canção, aprendendo e ensinando uma nova lição


Vem, vamos embora que esperar não é saber, quem sabe faz a hora, não espera acontecer











GERALDO VANDRÉ (1935)





Geraldo Pedrosa de Araújo Dias nasceu em João Pessoa PB em 12 de Setembro de 1935. Apresentou-se num programa de calouros na Rádio Tabajara de João Pessoa quando tinha 14 anos. Em Nazaré da Mata, Pernambuco, onde cursava o ginásio em internato, participou de alguns shows organizados para as missões. Foi para o Rio de Janeiro RJ em 1951, e nesse mesmo ano se apresentou no programa de calouros de César de Alencar, no qual foi desclassificado. Aproximou-se então de Ed Lincoln, que nessa época tocava com Luís Eça, na boate do Hotel Plaza, tentando cantar nos intervalos das apresentações. Em 1955, com o pseudônimo de Carlos Dias, defendeu a canção Menina (Carlos Lyra) num concurso musical promovido pela TV-Rio. Mais tarde, o encontro com o folclorista Valdemar Henrique abriu-lhe a oportunidade de se apresentar no programa da Rádio Roquete Pinto, usando o nome Vandré, que resultou da abreviatura do nome do pai, José Vandregisilo. Cursou a Faculdade de Direito, do Rio de Janeiro, época em que participou do Centro Popular de Cultura, da extinta União Nacional dos Estudantes, onde conheceu seu primeiro parceiro, Carlos Lyra.