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quarta-feira, 1 de junho de 2011

Crise Humanitária na Líbia



Pio Penna Filho

A intervenção dos Estados Unidos e de alguns países europeus membros da OTAN no conflito líbio, associada à dinâmica do próprio conflito, já está trazendo resultados dramáticos para a população civil da Líbia. Não bastasse o sofrimento provocado pelas incertezas e inseguranças resultantes da guerra, agora estamos presenciando uma crise humanitária que tem tudo para se tornar mais e mais grave.
A notícia divulgada nesse fim de semana de que pelo menos 62 refugiados líbios teriam morrido de fome e sede numa embarcação à deriva a caminho da Europa é um sinal de como os europeus estão tratando, e irão tratar daqui para a frente, os refugiados dessa guerra.
A história é dramática porque a tripulação, ou os próprios refugiados, conseguiram fazer contato com militares da OTAN que patrulhavam a área no Mediterrâneo em que se encontrava a embarcação. Pediram um socorro que lhes foi negado e isso custou a vida de dezenas de pessoas. Mais um ato de selvageria e desfaçatez nesse triste período da história da Líbia.
Esse acontecimento nos permite certas reflexões. Em primeiro lugar, o registro de que a vida humana vale muito pouco e é medida pelo local de nascimento. Parece que os direitos humanos só valem como medida de pressão contra regimes considerados inimigos ou indesejados por aqueles que ditam as regras na comunidade internacional. Não fosse assim dificilmente uma pessoa que tem em seu currículo a responsabilidade na manutenção de duas guerras em andamento e mais os horrores de Guantánamo não receberia o prêmio Nobel da paz.
Em segundo lugar, e considerando o episódio como verdadeiro, o que ocorreurevela como os europeus estão dispostos a tratar aqueles que queiram chegar à Europa, mesmo que na esteira de uma crise humanitária. Esse tipo de atitude não é comum nem mesmo em países pobres e com pouca condição de ajudar os mais necessitados. São vários os exemplos registrados em muitos conflitos africanos nos quais os países não recusam o acolhimento de refugiados de guerra. Por mais precária que seja a ajuda, sempre ela ocorre.
É claro que não podemos tomar um fato isolado como regra, mas o aumento das restrições de entrada no espaço europeu demonstram que a União Europeia não está disposta a correr riscos de um grande fluxo de refugiados em seu território, mesmo que tal se dê como consequência de uma crise humanitária.
A ditadura de Muammar Kadafi, é claro, também é diretamente responsável pelo que está ocorrendo. A dura repressão e a violência interna promovem ainda mais insegurança e forçam milhares de pessoas a se dirigirem para outros países em busca de segurança e sobrevivência.
Infelizmente, quem mais perde é a população civil, encurralada por uma guerra repleta de interesses não revelados das grandes potências e pelo apego ao poder de um ditador que há muito perdeu a legitimidade perante o povo líbio, se é que em algum momento ele a teve.



Professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB) e Pesquisador do CNPq. E-mail: piopenna@gmail.com

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Entenda as variações de fonética e grafia do nome do ditador da Líbia

Muammar Kadhafi tem 112 registros de grafias diferentes.
'Transliteração mais correta seria Mu'amar Al Kadhafi', diz especialista.

Paulo GuilhermeDo G1, em São Paulo

Muammar Kadhafi, Muamar Gaddafi, Mu'ammar al-Qadhdhafi... A grafia ocidental do nome do ditador da Líbia encontra 112 variações diferentes em jornais, livros e documentos. A Library of Congress, órgão do governo dos Estados Unidos, por exemplo, lista 72 variações do nome do político. O G1 adota a grafia Muammar Kadhafi.

As variações foram notícia em reportagem do Jornal da Globo (no vídeo ao lado) e em outros veículos de comunicação. Para entender as razões de tantas diferenças de grafia e fonética, o G1 ouviu a especialista de estudos de cultura e literatura árabe Muna Omran, professora do departamento de Letras da Universidade Plínio Leite, do Rio, e editora da revista acadêmica Litteris, onde escreve sobre estudos árabes e islâmicos.

"Esta polêmica existe por conta da transliteração e dos fonemas árabes que não existem no nosso alfabeto", explica Muna Omran.

Arte Kadhafi (Foto: Editoria de Arte/G1)Observações: 1) A leitura em árabe é feita da direita
para a esquerda; 2) A grafia representada segue a
tipologia dos computadores ocidentais; a grafia em
árabe está representada na imagem menor (Foto:
Editoria de Arte/G1)

Segundo ela, a transliteração mais correta seria Mu'amar Al Kadhafi, assim, com apóstrofo no prenome e mais um "dh" e um "f" no sobrenome.

"Na grafia em árabe do nome do ditador (na imagem ao lado), a letra que se encontra depois do Al (que inicia o nome dele) seria na língua portuguesa o nosso 'Q', mas para podermos enfatizar a força deste fonema usa-se o 'K'", explica a professora.

Ainda de acordo com Muna, a letra árabe seguinte representa o "dh" do sobrenome de Kadhafi. "Não há necessidade de se pronunciar o 'f' dobrado", diz. Sobre o primeiro nome, a professora explica que uma das letras representaria o apóstrofo em Mu'amar.

"É importante salientar que existe uma variação da oralidade da língua árabe de acordo com as diversas regiões", explica Muna. "Em países do Norte da África se pronuncia o K como G, por isso há registros do nome Gaddafi. "Já a oralidade da Siria, Jordãnia, Líbano e Arábia Saudita se aproxima do árabe clássico, com outras variações."

Veja como alguns meios de comunicação grafam o nome do ditador:

BBC, Reino Unido - Gaddafi
Clarín, Argentina - Kadafi
El Pais, Espanha - Gadafi
Folha de S. Paulo, Brasil - Gaddafi
La Repubblica, Itália - Gheddafi
Le Monde, França - Kadhafi
New York Times, EUA - Qaddafi
Público, Portugal - Khadafi
O Globo, Brasil - Kadafi

Veja 112 variações de grafia do nome do ditador da Líbia
Al Qathafi, Mu'ammar
Al Qathafi, Muammar
El Gaddafi, Moamar
El Kadhafi, Moammar
El Kazzafi, Moamer
El Qathafi, Mu'Ammar
Gadafi, Muammar
Gaddafi, Moamar
Gadhafi, Mo'ammar
Gathafi, Muammar
Ghadafi, Muammar
Ghaddafi, Muammar
Ghaddafy, Muammar
Gheddafi, Muammar
Gheddafi, Muhammar
Kadaffi, Momar
Kad'afi, Mu`amar al- 20
Kaddafi, Muamar
Kaddafi, Muammar
Kadhafi, Moammar
Kadhafi, Mouammar
Kazzafi, Moammar
Khadafy, Moammar
Khaddafi, Muammar
Moamar al-Gaddafi
Moamar el Gaddafi
Moamar El Kadhafi
Moamar Gaddafi
Moamer El Kazzafi
Mo'ammar el-Gadhafi
Moammar El Kadhafi
Mo'ammar Gadhafi
Moammar Kadhafi
Moammar Khadafy
Moammar Qudhafi
Mu'amar al-Kadafi
Muamar Al-Kaddafi
Muamar Kaddafi
Muamer Gadafi
Muammar Al-Gathafi
Muammar al-Khaddafi
Mu'ammar al-Qadafi
Mu'ammar al-Qaddafi
Muammar al-Qadhafi
Mu'ammar al-Qadhdhafi
Mu`ammar al-Qadhdhafi 50
Mu'ammar Al Qathafi
Muammar Al Qathafi
Muammar Gadafi
Muammar Gaddafi
Muammar Ghadafi
Muammar Ghaddafi
Muammar Ghaddafy
Muammar Gheddafi
Muammar Kaddafi
Muammar Khaddafi
Mu'ammar Qadafi
Muammar Qaddafi
Muammar Qadhafi
Mu'ammar Qadhdhafi
Muammar Quathafi
Mu'ammar Muhammad Abu Minyar al-Qadhafi
Qadafi, Mu'ammar
Qadhafi, Muammar
Qadhdhafi, Mu'ammar
Qathafi, Mu'Ammar el 70
Quathafi, Muammar
Qudhafi, Moammar
Moamar AI Kadafi
Maummar Gaddafi
Moamma Gaddafi
Moammar Gaddafi
Moammar Gadhafi
Moammar Ghadafi
Moammar Khadaffy
Moammar Khaddafi
Moammar el Gadhafi
Moammer Gaddafi
Mouammer al Gaddafi
Muamar Gaddafi
Muammar Al Ghaddafi
Muammar Al Qaddafi
Muammar Al Qaddafi
Muammar El Qaddafi
Muammar Gadaffi
Muammar Gadafy
Muammar Gaddhafi
Muammar Gadhafi
Muammar Ghadaffi
Muammar Qadthafi
Muammar al Gaddafi
Muammar el Gaddafy
Muammar el Gaddafi
Muammar el Qaddafi
Muammer Gadaffi
Muammer Gaddafi
Mummar Gaddafi
Omar Al Qathafi
Omar Mouammer Al Gaddafi
Omar Muammar Al Ghaddafi
Omar Muammar Al Qaddafi
Omar Muammar Al Qathafi
Omar Muammar Gaddafi
Omar Muammar Ghaddafi
Omar al Ghaddafi