sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Socióloga americana acompanha transformação vivida nas favelas cariocas

Janice Perlman acompanha a vida nas favelas do Rio desde o final dos anos 60, e chegou a morar em três comunidades cariocas. Ela fala sobre as mudanças com a expulsão dos criminosos pelo poder público.


Conheça a história do cangaço e as duas faces de Lampião

Comandados por Lampião, os cangaceiros armados invadiam cidades, vilas e fazendas. Em contraste ao lado sanguinário, Lampião tinha habilidades com máquina de costura.

Historiador André Figueiredo Rodrigues fala da Inconfidência Mineira


No livro A Fortuna dos Inconfidentes foi objeto de 12 anos de pesquisa e traz revelações surpreendentes sobre o movimento.

Corrupção na Inconfidência Mineira

Obra revela que propina, venda de cargos públicos e sonegação de impostos eram comuns entre os inconfidentes - e esses golpes eram articulados pelas musas que os poetas revoltos cantavam

Natália Rangel

chamada.jpg
HERANÇA
Em Vila Rica, atual Ouro Preto, os poderosos pagavam por privilégios pessoais

Se depender da exaustiva e minuciosa pesquisa do historiador paulista André Figueiredo Rodrigues, o calendário nacional corre o risco de perder um de seus feriados mais importantes e festejados: o de 21 de abril. Nessa data se homenageia o alferes Joaquim José da Silva Xavier, o “Tiradentes”, mártir da Inconfidência Mineira enforcado e esquartejado no ano de 1792. O historiador Rodrigues é o autor do recémlançado livro “A Fortuna dos Inconfidentes” (Globo), obra que revê radicalmente alguns aspectos do movimento mineiro, desconstruindo parte de seu ideário. Tiradentes era um dos rebeldes dessa sublevação. O autor do livro teve acesso a uma infinidade de documentos e de processos judiciais da época. A grande novidade é que, através deles, descobre- se que a corrupção e a festa com o dinheiro público não é característica dos atuais dias republicanos. A Inconfidência foi uma reação do Brasil Colônia contra os impostos escorchantes cobrados pela Coroa Portuguesa. Através da íntegra dos relatórios, a obra revela que boa parte dos bens que até hoje se atribuíam aos inconfidentes correspondia, na verdade, a uma ínfima parte de seu patrimônio real – ou seja, eles sonegavam o máximo que podiam. “Tudo o que era possível esconder, eles escondiam”, diz Rodrigues.

img1.jpg
O OURO DE TIRADENTES
De acordo com o livro, o mártir da Inconfidência não vivia de seu modesto soldo militar como
alferes – ele foi um homem influente e rico. Ganhou o direito de explorar 47 pontos de mineração na
Mantiqueira, criava gado, possuía sítios, sesmarias e escravos. Atuava também como agiota,
emprestando dinheiro a juros escorchantes. O livro defende a tese de que Tiradentes
não queria reformas sociais e igualdade de direitos

Assim, é equivocada a versão que se tinha até agora de que os 24 inconfidentes condenados por crime de lesa-majestade eram pessoas de posses muito modestas. Na visão de Rodrigues, os inconfidentes estavam distantes dos ideais de igualdade e liberdade defendidos pela Revolução Francesa e prova disso é que 60% deles eram proprietários de escravos e não se mostravam dispostos a aderir às teorias abolicionistas. Na narrativa do autor, o que se percebe é que todos eles buscavam burlar a autoridade da Coroa Portuguesa em benefício próprio e muitos entraram para o grupo dos inconfidentes em busca justamente de ajuda financeira. Entre os idealistas estão os poetas Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga (autor de “Marília de Dirceu”) e entre os pragmáticos que se aproveitaram do movimento para ganhar mais poder e fortuna estão os coronéis Domingos de Abreu Vieira e Francisco Antônio de Oliveira Lopes, os padres José da Silva e Oliveira Rolim e Carlos Corrêa de Toledo, o sargento Luís Vaz de Toledo Pisa, o minerador, e também poeta, Inácio José de Alvarenga Peixoto. Esse último se tornou ouvidor de Minas por indicação de um amigo influente – cargo que lhe foi comprado a peso de ouro. O livro conta que Alvarenga Peixoto, como representante do governador, pediu seis contos de réis para comprar produtos para a guerra contra os espanhóis travada no Sul do País. Recebeu o dinheiro público, mas o guardou para si e deu um calote geral. Utilizou-o para pagar as suas próprias dívidas, que nada tinham a ver com o conflito.

img2.jpg
“É a mesma forma de burlar e se apropriar do bem público.
Igualzinho ao que acontece hoje”

André Figueiredo Rodrigues, autor de “A Fortuna dos Inconfidentes”

Alguns nomes pouco lembrados na história da Inconfidência Mineira são os das mulheres dos revoltosos e elas ganharam destaque no livro. Após a prisão dos rebeldes coube a essas esposas administrar os bens da família para que tudo não se perdesse nos leilões da Coroa. E no processo de preservação do patrimônio, nunca por meios lícitos, elas mostraram ser mestres no ofício, como explica Rodrigues: “As mulheres burlaram as leis, tocaram as fazendas, subornaram os meirinhos e juízes. Foram responsáveis pela preservação da fortuna dos inconfidentes nas mãos das próprias famílias.” Para isso lançaram mão dos compadres influentes e dos amigos que tinham funções no alto escalão do palácio. É o caso de Bárbara Eliodora, mulher de Alvarenga Peixoto, e de Hipólita Jacinta, esposa de Antônio de Oliveira Lopes, grande proprietário da região mineira de Prados – ambos os maridos presos como inconfidentes.

img.jpg
O QUE HÁ DE NOVO
O poeta Alvarenga Peixoto enriqueceu ao “comprar” um cobiçado cargo de ouvidor
O confisco dos inconfidentes pela Coroa foi em vão: eles ocultaram 90% de seus bens
Bárbara Eliodora não ficou louca nem miserável: salvou grande parte de seu patrimônio

Bárbara Eliodora entrou para a historiografia oficial como uma viúva que enlouqueceu de amor e morreu na penúria. Na verdade, ela teve uma velhice tranquila e ainda deixou riquezas para toda a sua descendência, segundo provam os dados reunidos no livro. Bárbara soube acionar parceiros para proteger a fortuna do marido que Portugal tentava embolsar. Já Hipólita, também esperta, mostrou- se uma hábil financista ao encontrar por si mesma uma forma de subornar os fiscais da Coroa Portuguesa que tinham ordem para efetuar o seqüestro de seus bens. Numa carta reproduzida no livro e que revela claramente a mentalidade daquele período, Alvarenga Peixoto escreve às autoridades coloniais: “Entretanto, espero que Vossa Mercê dê alguma desculpa a um mineiro que tem obrigação e necessidade de ser mentiroso como os outros.” O trecho da correspondência aponta para uma das características marcantes dos inconfidentes: a mentira na divulgação do patrimônio e a consequente sonegação. Como se vê, a partir da obra de Rodrigues, há muita gente no Brasil, sobretudo na classe política, que vive um eterno 21 de abril.


sábado, 5 de fevereiro de 2011

Crônica publicada no jornal Gazeta de Notícias, em 19 de maio de 1888

Crônica publicada no jornal Gazeta de Notícias, em 19 de maio de 1888.


Bons dias!

Eu pertenço a uma família de profetas post factum, depois do gato morto ou qualquer outro nome que queira... pois digo que toda a história desta lei de 13 de maio já estava por mim prevista...
Tanto que antes mesmo dos debates, tratei de alforriar um molecote que tinha, pessoa de seus dezoito anos, mais ou menos...
Alforriá-lo não era nada.
Entendi que perdido por mil, perdido por mil e quinhentos, e dei um jantar.

Neste jantar, ao qual meus amigos deram o nome de banquete, reuni umas cinco pessoas...
Mas os jornais disseram trinta e três (idade de Cristo), no intuito de lhe dar um aspecto simbólico.

No meio da cerimônia, me levantei com a taça de champanha
E declarei que acompanhando as idéias pregadas por Cristo, há dezoito séculos,
restituía a liberdade ao meu escravo Pancrácio;
Que entendia que a nação inteira devia acompanhar as mesmas idéias e imitar o meu exemplo;
E disse ainda que a liberdade era um dom de Deus, o qual os homens não podiam roubar sem pecado.

Pancrácio, que estava ali do lado, entrou na sala, como um furacão, e veio me abraçar os pés.
Um dos meus amigos (creio que meu sobrinho) pegou outra taça, e pediu aos demais que também brindassem o mais ilustre dos cariocas...
Ouvi a tudo cabisbaixo;
Fiz outro discurso agradecendo, e entreguei a carta ao molecote.
Caí na cadeira e não vi mais nada.
De noite, recebi muitos cartões! Creio que estão pintando o meu retrato a óleo.

No dia seguinte, chamei o Pancrácio e lhe disse com rara franqueza:
- Você é livre. Pode ir pra onde quiser. Aqui terá casa amiga, já conhecida e um ordenado, um ordenado que...
- Oh! meu senhô! Eu fico – ele me disse.
- ...Um ordenado pequeno, mas que há de crescer – continuei.
Tudo cresce neste mundo. Sabe, quando você nasceu, era um pirralho dêste tamanho;
Hoje estás mais alto do que eu. Deixa ver; olha, está quatro dedos mais alto...
- Artura não qué dizê nada, não, senhô...
- Pequeno ordenado, repito, uns seis mil. Mas é de grão em grão que a galinha enche o papo. E você vale muito mais do que uma galinha.
- Justamente. Pois seis mil, no fim de um ano, se correr tudo bem, conta com oito. Oito ou sete.

Pancrácio aceitou tudo; Até um peteleco que lhe dei no dia seguinte por não ter escovado bem as minhas botas;
Mas eu expliquei a ele que o peteleco, sendo um impulso natural, não podia anular o direito civil adquirido por um título que lhe dei.
Êle continuava livre, eu de mau humor;
Eram dois estados naturais, quase divinos.

Tudo compreendeu o meu bom escravo;
De lá pra cá, tenho-lhe dado alguns pontapés, um ou outro puxão de orelhas,
E o chamo de bêsta quando lhe não chamo filho do diabo;
Coisas que êle recebe humildemente, e (Deus me perdoe!) creio que alegre.

Tracei um plano.
Quero ser deputado.
Na carta que enviarei aos meus eleitores, direi que, antes,
Muito antes da abolição legal, em minha casa, eu libertava um escravo
que hoje tendo aprendido a ler, escrever e contar, (assim suponho) é então professor de filosofia no Rio das Cobras;
E por último direi que os homens puros, grandes e verdadeiramente políticos, não são os que obedecem à lei,
Mas aqueles que se antecipam a ela, dizendo ao escravo: “És livre”,
Antes mesmo que o digam os poderes públicos, sempre incapazes de restaurar a justiça na terra, para satisfação do céu.

Boas noites.


Texto extraído do livro
Obra Completa, Vol III. Machado de Assis. 3ª edição. José Aguilar, Rio de Janeiro. 1973. p. 489 - 491.

Confira a interpretação da crônica de Machado de Assis por Odair de Morais

Machado de AssisCrônica publicada no jornal carioca Gazeta de Notícias, em 19 de maio de 1888, ou seja, seis dias após a abolição oficial da escravatura no Brasil com a promulgação da Lei Áurea.Repare a fina ironia de Machado ao utilizar como narrador um personagem extraído da alta sociedade proprietário de escravos e certo prestígio perante a imprensa e a população local como um todo. Para melhor entendimento por parte do leitor atual, nem sempre muito dado à literatura, tomamos a iniciativa de adaptar livremente a linguagem, assim como temos visto ser feito por diversos meios de comunicação.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Dráuzio Varella e a diferença entre os gêneros





Nossos antepassados subestimavam as mulheres.
Escravidão e África
O vídeo Trabalho e Escravidão, produzido pelo Museu Afro Brasil, foi indicado pela @Nova_Escola:

"Você vai ver, entre outras coisas, as regiões do continente africano de onde vieram os negros escravizados e o conhecimento e as técnicas implantadas por eles na agricultura e na mineração brasileira."

Vídeo sobre o núcleo Trabalho e Escravidão da exposição permanente do Museu Afrobrasil, em São Paulo, que mostra, entre outras coisas, as regiões do continente africano de onde vieram os negros escravizados, valorizando o conhecimento e as técnicas implantadas por eles na agricultura e na mineração brasileira.